Amália Safatle, Terra Magazine"Se US$ 8 bilhões fossem aplicados anualmente na reconstrução dos estoques pesqueiros marinhos e na adoção de técnicas mais ecológicas de produção, essa indústria poderia elevar em 112 milhões de toneladas o volume de pesca e fazer com que os benefícios para os produtores, os consumidores e a economia como um todo totalizassem US$ 1,7 trilhão durante os próximos 40 anos. É a verdadeira multiplicação dos peixes.
Trata-se de um exemplo simples e didático de que produção com racionalidade ecológica é mais consistente do ponto de vista econômico. Talvez por isso tenha sido divulgado como chamariz do relatório Green Economy, produzido pelo programa ambiental das Nações Unidas (Unep) e por economistas, cujos resultados prévios foram divulgados ontem, 17 de maio, em Nova York.
Esses dados prévios, que abarcam também os setores de água e de transporte, são uma contribuição do Unep para a reunião preparatória chamada Rio+20, a ser realizada no Brasil em 2012, passados vinte anos da ECO 92. O relatório integral aborda 11 setores, "de agricultura e lixo a cidades e turismo", a ser publicado até o final deste ano.
Por ora, o estudo traz conclusões interessantes. Parte do investimento proposto para a recuperação dos estoques pesqueiros, por exemplo, pode ser feito por meio da redução de subsídios à pesca que superexplora determinadas espécies, e com suporte financeiro aos pescadores que dependem desse meio de vida.
Segundo o relatório, do volume de subsídios dedicados à atividade pesqueira, estimado em US$ 27 bilhões, apenas US$ 8 bilhões são classificados como "bons" do ponto de vista da sustentabilidade, enquanto o restante contribui para a super-exploração dos estoques.”
Foto: Fabrício Jachowicz, vc repórter
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