11 Maio, 2010

Pedido desesperado de ajuda

A. D. McKenzie, IPS / Envolverde

"Pressionados pelo aumento do nível do mar, a morte dos arrecifes de coral e a redução das existências de peixes, os pequenos Estados insulares em desenvolvimento voltaram a exigir das nações ricas que façam mais por sua sobrevivência. “Estamos vendo a ameaça do colapso da pesca, do turismo e da perda de biodiversidade”, afirmou Rolph Payet, assessor especial da Presidência de Seichelles. “Algumas pessoas acreditam que é questão de deixar de lado e continuar como sempre” emitindo gases de efeito estufa, mas “a informação mostra que devemos nos preocupar e agir. De fato, deveríamos ter agido ontem”, acrescentou.

O especialista fez estes comentários ao participar da 5ª Conferência Mundial sobre Oceanos, Costas e Ilhas, realizada durante a semana passada em Paris, na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O encontro reuniu 823 delegados de 80 países. Quando foram discutidas vias para preservar a biodiversidade marinha e melhorar a administração dos oceanos, as pequenas ilhas reiteraram seus apelos feitos no ano passado na 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15) para reduzir as emissões de carbono.

Essas reduções são necessárias para diminuir ou estabilizar as temperaturas e deter a acidificação dos oceanos, que afetam a vida marinha, segundo cientistas. Estatísticas da organização Greenpeace mostram que os oceanos absorveram cerca de 70% da “sobrecarga de carbono criada pelos seres humanos” até agora, alterando o equilíbrio químico da água marinha e tornando-a menos alcalina. “A situação me dá arrepios, porque não são poucas as pessoas que conhecem as consequências da acidificação dos oceanos. Afetará os filhos de nossos filhos”, disse Payet.”
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