Charles Nisz, SigaMPost“O impacto causado pelas empresas no ambiente já é equivalente a 33% dos lucros gerados por essas companhias. O dado foi revelado por Pavan Suhkdev, economista do Deutsche Bank e assessor das Nações Unidas, durante o lançamento do Relatório “Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (TEEB na sigla em inglês), nesta segunda-feira (10), em São Paulo.
Sukhdev afirma que a “principal dificuldade é estabelecer uma maneira de atribuir valores financeiros para a biodiversidade e calcular qual o impacto dos negócios no meio ambiente”. Prova disso é que as estimativas para os danos ambientais causados a cada ano variam entre US$ 2 trilhões e US$ 4,5 trilhões.
As empresas ainda não consideram os custos ambientais ao elaborar seus planos estratégicos, revela Suhkdev: “apenas 18% das companhias analisadas no relatório TEEB colocavam dados sobre sustentabilidade em seus relatórios financeiros; mas 58% dessas empresas abordavam danos ambientais em seus relatórios de sustentabilidade”, diz ele.
No entanto, alguns países já começam a sofrer conseqüências do descaso com a preservação do meio ambiente. “Por 50 anos, a China explorou suas florestas de modo não sustentável. Porém, esse desmatamento praticamente causou a morte do Rio Amarelo, além de causar enchentes em várias regiões do país. Somente em 1998, os prejuízos foram da ordem de US$ 30 bilhões”, conta Suhkdev.
“Caso os custos ambientais fossem considerados, o preço da madeira seria 129%”, de acordo com um estudo realizado pela consultoria TruCost, explica o economista. “A madeira era, em sua maior parte, exportada, e o país percebeu que o país era prejudicado ao vender nessas condições. A China decidiu, então, banir o desmatamento em 17 de suas províncias”.
Amazônia
Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra, falou sobre as implicações econômicas do desmatamento na Amazônia. Segundo Smeraldi, “cada hectare na Amazônia é avaliado entre US$ 2.500 a US$ 6.000. E o CO2 seqüestrado por essas árvores representa menos da metade desse valor”. Suhkdev endossa a posição do ambientalista: “Todo mundo pensa no mercado de carbono e nas mudanças climáticas e esquece o valor da biodiversidade”.
De acordo com Smeraldi, “a derrubada da cobertura original da região impede a criação de serviços de uso indireto da floresta e com isso, cerca de US$ 500 por hectare não são gerados a cada ano”.
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