Lowana Veal, IPS / Envolverde“Por incrível que possa parecer, a vida diária da vasta maioria dos habitantes da Islândia praticamente não foi afetada pela erupção vulcânica na geleira Eyjafjallajökull, que causou o cancelamento de vários voos na Europa e deixou em péssima situação milhares de passageiros em todo o mundo. Os ventos do oeste e do norte levaram a enorme coluna de cinzas para fora da Islândia, para o mar e para a Europa continental. No entanto, para as cerca de 700 pessoas que vivem na zona sul e leste da geleira, a história foi diferente. Os agricultores foram os mais afetados.
Finnur Tryggvason, da localidade de Raudafell, é um deles. Em sua fazenda, cerca de 15 quilômetros ao sul do local da erupção, cria cavalos e algumas ovelhas. “Aqui ficou negro como a noite durante todo o dia devido à nuvem de cinzas”, disse à IPS. No dia 18, a nuvem estava mais baixa, a três quilômetros de altura, e por isso quase não podia se dissipar. “Também houve muitos trovões, mas não dava para ver os raios”, acrescentou.
Por ser um país vulcânico ativo, as erupções não são algo estranho na Islândia. A última ocorreu um pouco mais a leste e acabou 36 horas antes de começar a de Eyjafjallajökull. Aquele evento, no entanto, foi muito menos prejudicial e passou a ser conhecido como “erupção turística”. As duas ultimas foram precedidas de terremotos. Geólogos acompanham de perto a situação, e o Departamento de Proteção Civil está em alerta.
Cerca de 800 pessoas foram acordadas e retiradas por volta das quatro horas da manhã do dia 14, antes da explosão do vulcão. Foram levadas para um centro da Cruz Vermelha instalado no povoado mais perto, já que a Proteção Civil previa um evento destas características e, inclusive, temia que houvesse uma inundação pelo derretimento da geleira.
Os agricultores puderam ir cuidar dos animais, mas logo tiveram de retornar ao centro. A ordem de evacuação finalmente foi levantada à noite para que todos, menos os moradores de 20 fazendas, que só puderam retornar às suas propriedades na noite do dia 17. Tryggvason foi um dos evacuados. “Na realidade, não havia necessidade. Minha fazenda fica bem no alto”, disse. Muitos também tinham sido retirados na erupção anterior, pelo medo de inundações.
“Foi terrível para os moradores. Tirando os fazendeiros, muitos abandonaram suas casas e foram viver com amigos ou parentes”, disse Urdar Gunnarsdottir, do Departamento de Proteção Civil. As equipes de resgate distribuíram máscaras contra pó e luvas para os afetados. Muitos selaram janelas e portas de suas casas e os estábulos para impedir a entrada de cinza. Mas isto nem sempre funciona. “As cinzas entraram nas casas, principalmente nas construções anexas que não foram seladas tão hermeticamente”, disse Tryggvason.”
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