Diego Costa, DCI“O etanol de 2ª geração deve ganhar nos próximos anos mais um contribuinte natural. A descoberta está ligada aos caprinos (bodes e cabras), que há cerca de dois anos tornaram-se alvos de pesquisas de profissionais de Brasília e do Ceará. O Brasil não está só, e países como França (opera com cupim) e Austrália (opera com Wallaby, um canguru menor) também integram esse cenário de alternativas à produção de biocombustíveis. "O caprino ingere as folhas ou os restos de vegetação para se alimentar. No rúmen, os microorganismos degradam o alimento - processo conhecido como quebra das fibras - em unidades de glicose que é fermentada e convertida em etanol", diz Betania Quirino, pesquisadora da Embrapa Agroenergia do Distrito Federal.
Complexa, a pesquisa é desenvolvida no Ceará com caprinos da raça moxotó. Marco Bonfim, pesquisador-chefe da Embrapa Caprinos e Ovinos do Ceará, disse que o processo é feito através de uma cirurgia. "Nós fazemos uma pequena operação, chamada fistularuminal, a qual dá acesso direto ao estômago do animal. Retiramos as enzimas, degradadas. A partir daí, torna-se possível extrair o álcool para a produção de biocombustíveis", diz Bonfim.
O procedimento é feito somente uma vez, porém, é introduzido no animal uma cânula (espécie de tampão), permanente para retirada da matéria. De acordo com o pesquisador, o bagaço da cana-de-açúcar é misturado na matéria-prima coletada. Bonfim afirmou ainda que o trabalho não é prejudicial à saúde dos caprinos.”
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