
Estadão.com.br
Ribeirinho cruza o Rio Jauaperi em busca de um ponto para pescar no fim de tarde na Amazônia
RIO JAUAPERI, AMAZÔNIA - Franciel, 6 anos, nasceu e cresceu na floresta amazônica, à beira de um rio. Mas nunca viu um pirarucu. O maior peixe da Amazônia, ele só conhece pelas figurinhas de colorir no livro da escola. "Um dia ele veio me perguntar se o pirarucu de verdade era assim mesmo, igual ao do papel", assustou-se o pai, Francisco Pareide de Lima, artesão e pescador do Rio Jauaperi.
Lima mesmo, aos 42 anos, não vê um pirarucu faz tempo por ali. Não por causa das águas escuras da Bacia do Rio Negro, mas porque a espécie virou mesmo coisa rara - raríssima - no entorno da comunidade onde vive, chamada Itaquera, a um dia e meio de barco de Manaus.
É o sintoma mais emblemático de um conflito entre pesca artesanal e comercial que há anos ameaça a subsistência dos ribeirinhos e a preservação do meio ambiente na região do Jauaperi e do baixo Rio Branco, na divisa do Amazonas com Roraima. A pesca artesanal é a base da alimentação dos ribeirinhos, que têm no peixe sua principal - e às vezes única - fonte de proteína. Sair em uma canoa com um anzol ou uma zagaia (arpão de três pontas) na mão é como ir à padaria buscar pão para o café da manhã. Faz parte da rotina.”
Foto: Paulo Pinto, AE
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