14 Março, 2010

Mudança climática potencializa desigualdade de gênero

Thalif Deen, IPS / Envolverde

"Os efeitos negativos da mudança climática são ainda mais devastadores nas mulheres do que nos homens, e vão desde maior mortalidade em desastres naturais a uma carga mais pesada no lar. Nos furacões de 1991 que mataram 140 mil pessoas em Bangladesh, 90% das vítimas eram mulheres. No tsunami asiático de 2004, entre 70% e 80% das mortes também foram femininas. Depois do Furacão Katrina de 2005 nos Estados Unidos, as mulheres negras, que faziam parte da população mais pobre dos Estados afetados (Alabama, Louisiana, Mississippi), enfrentaram os piores obstáculos para sua sobrevivência, segundo a Organização das Mulheres para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Wedo), com sede em Nova York.

O Informe de Desenvolvimento Humano 2007, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), indica que as mulheres foram particularmente afetadas pela mudança climática porque são a maior proporção – cerca de 70% – da população pobre. Amy North, pesquisadora em temas de gênero, educação e iniciativas para a redução da pobreza mundial no Instituto de Educação da Universidade de Londres, disse à IPS que a mudança climática também exacerba as desigualdades de gênero existentes, com um efeito devastador sobre a qualidade de vida das mulheres e meninas pobres.

Em muitas partes do mundo, elas são as responsáveis por conseguir água e lenha. Como estes recursos estão cada vez mais escassos porque as chuvas são cada vez mais erráticas, elas perdem mais tempo na busca, o que reduz o tempo que dispõem para participar de atividades econômicas ou ir à escola, disse North. As mulheres também são as principais produtoras de alimentos, contribuindo com 70% da mão-de-obra agrícola na África subsaariana, por isso são particularmente afetadas pelo menor rendimento dos cultivos, acrescentou. “Os problemas de saúde associados à mudança climática – e que incluem aumento das doenças originadas da má qualidade da água e associadas com inundações – frequentemente fazem com que as mulheres e meninas tenham de assumir uma carga maior no lar, já que devem cuidar de seus familiares doentes”, disse.

June Zeitlin, ex-diretora executiva da Wedo, citou um estudo da Escola de Economia de Londres que analisou desastres em 141 países, fornecendo evidências decisivas quanto às diferenças de gênero nas mortes causadas por catástrofes naturais estão diretamente vinculadas com os direitos econômicos e sociais das mulheres. Isto é, que as desigualdades de gênero são enormes em situações de desastre. Quando as mulheres carecem de direitos básicos, morrem mais do que os homens nesses momentos.

O estudo concluiu que o oposto também é verdade: em sociedades onde homens e mulheres desfrutam dos mesmos direitos, os desastres naturais matam a mesma quantidade de cada gênero. Em entrevista à IPS, North disse que as pesquisas na África oriental sugerem que a maior pobreza está tendo sérias consequências sobre a educação das meninas. Essa região experimenta secas generalizadas que causam uma severa escassez de água e alimentos.”
Matéria Completa, ::Aqui::

0 comentários:

Faça rentável seu site/blog! Confira o Smowtion!