31 Março, 2010

Governo do PSDB gastou R$ 80 milhões com processo de despoluição ineficaz para rio em SP

Brasília confidencial

“O governo de São Paulo suspendeu os testes para a flotação do rio Pinheiros, por conta da ineficiência do processo na limpeza das águas. Apresentada em novembro de 2000 pelo então governador Mário Covas como proposta de saneamento do rio, os testes receberam críticas severas da comunidade científica e foi alvo de vários processos que paralisaram as atividades diversas vezes. Mesmo assim, o governo insistiu em implantar o projeto, que durou dois anos e consumiu R$ 80 milhões.

Os testes utilizam veículos físico-químicos para retirada de sólidos em suspensão do rio. Técnicos da Universidade de São Paulo – USP e ambientalistas com atuação no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) já haviam avisado que este processo não elimina os poluentes a ponto de a água atingir “classe 2”, destinada ao abastecimento para consumo humano. Este status é necessário para que a água do Tietê possa ser novamente bombeada para a represa Billings, para aumentar a geração de energia na Usina Henry Borden, como pretendia Covas em 2000.

Os especialistas afirmam que a flotação oferece sérios riscos à qualidade de água da represa Billings, um manancial estratégico para a região metropolitana de São Paulo, que segundo legislação federal e estadual, deve ter suas águas destinadas prioritariamente ao abastecimento público. Segundo parecer de Ildo Sauer, coordenador dos programas de pós-graduação em Energia da USP, os testes deixam a água com boa aparência, sem turbidez, mas não límpida ou potável. O professor Ivanildo Hespanhol, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da USP, acrescenta que o processo não remove compostos solúveis, como metais pesados, pesticidas, carcinogênicos etc.

Segundo a assessoria de saneamento da bancada do PT na Câmara dos Deputados, a Secretaria de Saneamento e Energia minimiza os resultados dos testes e não se posiciona sobre o assunto, sobretudo com relação ao nitrogênio amoniacal, indicador de presença de esgoto na água. Diante do fato, a assessoria defende mais uma vez, a ampliação da coleta e principalmente do tratamento dos esgotos como saída para a situação dos rios da cidade.”

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