Reinaldo José Lopes, Folha Online"O fracasso da conferência do clima em Copenhague deixou clara a relativa inutilidade de tentar criar salvaguardas contra a mudança climática sob os auspícios da ONU, em negociações que exigem o consenso entre quase 200 países. O mais provável daqui para a frente é que os grandes emissores de gases-estufa assumam as rédeas das discussões, numa espécie de G20 climático.
A avaliação foi consenso entre os quatro especialistas reunidos no debate "Balanço de Copenhague", promovido pela Folha na noite da última terça-feira. Todos concordaram em que as negociações na Dinamarca devem ser classificadas como fracasso, mas com algumas nuances importantes.
Para começo de conversa, não era mesmo lícito esperar que os EUA (país que é o maior emissor histórico de gases-estufa) tivessem liberdade para barganhar sem a aprovação prévia de uma lei nacional de redução de emissões.
Além disso, afirma o cientista político Sergio Abranches, alguns "entraves importantes" acabaram sendo removidos, apesar do fiasco. "Acabou, por exemplo, a estratégia do biombo, na qual alguns grandes países se escondiam atrás dos pequenos", declarou Abranches.
"Acabou a falácia do G77 [grupo dos países em desenvolvimento]. Ficou claro que países como China, Índia e Brasil pouco tinham a ver com esse grupo. E a China e os EUA começaram a resolver a questão crucial da transparência [sobre o monitoramento internacional das ações de corte de emissões]."
Foto: Susan Walsh (18.dez.09/AP)
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1 comentários:
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