Kumi Naidoo, Envolverde / Terramérica“Como novo diretor-executivo do Greenpeace, frequentemente me perguntam quais mudanças penso fazer na organização e respondo o mesmo que considero aplicável a toda a sociedade civil: gostaria que o Greenpeace se tornasse mais inclusivo do que já é e que pudéssemos nos unir a mais forças para trabalhos conjuntos. Também que sejamos mais determinados em nossa atitude em relação ao poder e ainda mais ativos em todo o mundo. Chegamos a um momento na história em que algumas das mais importantes infraestruturas internacionais estão em pedaços e contribuíram para desencadear a atual série de crises: de alimentos, do petróleo, da pobreza e naturalmente da mudança climática.
Podemos simplesmente optar por remendar as infraestruturas disfuncionais com frágeis “acordos”, realizar resgates financeiros desequilibrados e fazer vista grossa diante das necessidades dos pobres. Mas este caminho, aparentemente favorecido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e por outros líderes mundiais, não serve para enfrentar as causas que nos levaram ao desastre. Ou podemos remodelar nosso futuro com a criação de novas infraestruturas que encaminhem nossa sociedade e o planeta para um caminho de sustentabilidade e equanimidade. Esta não é a opção mais fácil, mas creio que é a correta.
No caso da mudança climática, por exemplo, a natureza exige mudanças fundamentais em nosso modo de viver. Temos de reformar a economia e passar de um sistema baseado nos combustíveis fósseis e no consumismo para um que utilize energias limpas e eficientes, e que pratique a moderação. O Fórum Global Humanitário de Kofi Annan estima que cerca de 300 mil pessoas morrem ao ano pelos efeitos da mudança climática. A horrível ironia é que a grande maioria dessas pessoas é de pobres do mundo em desenvolvimento, embora o problema tenha sido causado pelos ricos do mundo industrializado.
Uma nova ordem mundial exige que olhemos além dos próprios interesses locais e nacionais e que pensemos globalmente porque, como muitos dos maiores problemas atuais, a mudança climática não conhece fronteiras. Infelizmente, faltou aos políticos coragem para admitir esta verdade nas conversações da ONU sobre clima realizadas em Copenhague. Mas, algo bom surgiu em Copenhague: a unidade da sociedade civil, coisa que não ocorria desde o fim da Guerra Fria.
Vimos, unidos no chamamento sobre a questão climática, o Conselho Mundial de Igrejas e outros grupos religiosos, sindicatos e organizações que se ocupam do desenvolvimento e normalmente não se envolvem em assuntos ambientais. Esse foi o objetivo da campanha Tck Tck Tck, uma coalizão de organizações da sociedade civil que inclui Greenpeace, Anistia Internacional e Confederação Sindical Internacional, entre outras.”
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