Miguel Soldatelli Rossetto , Jornal do Brasil“Janeiro de 2010 traz uma novidade para o setor energético brasileiro: o nosso país acaba de se tornar o segundo maior produtor de biodiesel do mundo. Tudo isso em consequência da decisão do governo federal de antecipar em três anos a meta de 5% na mistura de biodiesel (B5) com o diesel mineral. Apenas no último leilão – ocorrido no Rio de Janeiro em novembro do ano passado – a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) comercializou 575 milhões de litros de biodiesel, que serão misturados e distribuídos em toda a rede nacional de postos de combustíveis, que abastecerão a frota brasileira nos primeiros três meses do ano.
Nas 53 usinas em operação no país, já foram produzidos 4,6 bilhões de litros de biodiesel, com sustentabilidade econômica e ambiental, com geração de emprego e renda tanto no campo como na cidade, pois o programa ampliou o mercado agrícola aumentando a renda de produtores – incluindo agricultores familiares e assentados da reforma agrária –, estimulou a indústria nacional de produção de equipamentos e melhorou a matriz energética brasileira com grandes ganhos ambientais.
A participação do biodiesel na matriz energética brasileira foi iniciativa do presidente Lula que encaminhou o projeto aprovado pelo Congresso Nacional em 2005. O programa sempre teve como objetivo estratégico a diversificação das matérias-primas, estimulando as vocações e os mercados agrícolas de todo o país, a construção de pólos econômicos regionais a partir das usinas de biodiesel, bem como um forte estímulo ao desenvolvimento regional e social, através da incorporação de milhares de produtores, incluindo os agricultores familiares e os assentados da reforma agrária. O resultado é que foi organizada uma nova atividade produtiva no país e entramos no século XXI com uma matriz energética mais renovável. O sucesso deste programa o torna hoje uma referência mundial na agenda de biocombustíveis.”
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1 comentários:
Biosangue – o fracasso do biodiesel no Piauí
Judson Barros
No princípio era biodiesel.
A mamona veio para o Piauí pela mão do Presidente Lulla. O zelo para trazer o grandioso projeto era tanto que parecia coisa de família. Um amigo pessoal, Daniel Birmann, foi o escolhido para por em prática o fenomenal projeto que mudaria as feições do Brasil – produzir azeite de mamona com o objetivo de botar carro pra rodar no Brasil.
O Piauí foi o escolhido para a famigerada experiência. O Governador WD do mesmo partido e amigo íntimo de Lulla ofereceria as melhores condições para a implantação do empreendimento. Foram doadas 40 mil hectares de terras e isenções de todos os tributos estaduais.
A propaganda do negócio foi desmedida: um projeto de reforma agrária foi embutido na divulgação oficial com o objetivo de justificar as isenções e o financiamento estatal – a ludibriação do selo social; 25 mil empregos na região do Gurguéia, uma das mais pobres do Brasil; 700 famílias – parceiras/escravas – somente no projeto Santa Clara, núcleo de produção da mamona.
Um Contrato de Parceria Rural Agrícola, eivado de vícios e com a finalidade de burlar os direitos trabalhistas foi imposto pela Buriti Agrícola LTDA. Para ver o contrato acesse http://mamonaassassina.zip.net.
As garantias do negócio foram equacionadas com a edição de leis que garantissem a venda do azeite para a Petrobras, iniciando com adição 2 até chegar a 5 por cento. Negócio dos melhores, isenção de tributos federais, estaduais e municipais mais a Petrobras comprando antecipadamente os lotes de azeite. Ainda mais, no Piauí 700 famílias (em média 4 trabalhadores por família) trabalhando quase de graça para a empresa.
As terras doadas para a Brasil Ecodiesel ficaram no nome da empresa Enguia Power LTDA, pois em algum acidente de percurso o nome da Brasil Ecodiesel não seria envolvido. No bojo da discussão das terras os trabalhadores/escravos deveriam receber, depois de 10 anos de trabalho forçado, parte dessas terras – 25 hectares por família. Como são 700 famílias o total seria de 17500 hectares. O restante ficaria para a empresa que recebeu as terras.
Logo no início do projeto, a partir do segundo ano, a Brasil Ecodiesel esqueceu da mamona e iniciou outra atividade clandestina, a produção de carvão com a utilização da madeira nativa. Em três anos quase 50 mil hectares de terras virou carvão. Tudo com o aval do IBAMA e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Não há notícias de alguma ação do Ministério Público nesse crime.
Em dezembro de 2009 a empresa Brasil Ecodiesel encerrou as atividades no Piauí sem qualquer satisfação à sociedade. A fábrica em Floriano foi fechada e a fazenda Santa Clara foi abandonada. As terras doadas pelo Estado do Piauí estão em processo de negociação para serem vendidas ao INCRA. Negócio bom para a empresa, recebeu as terras de presente e agora vai vender para o Governo Federal. Justificam que vai ser melhor para os trabalhadores.
O INCRA com representantes da empresa e dirigentes sindicais da FETAG já estiveram na fazenda pressionando dos trabalhadores para aceitarem a condição. Os moradores/escravos não concordaram com a proposta, afinal há estão a 5 anos morando no local. No intuito de criar uma situação crítica a Brasil Ecodiesel afirma não tem qualquer responsabilidade com os trabalhadores e que a partir de então o INCRA é que vai tomar de conta.
Por tudo discorrido acima uma certeza é cristalina: “no biodiesel do Piauí tem sangue – sangue dos animais silvestres, das árvores e principalmente das pessoas que há cinco anos estão sendo escravizadas na fazenda Santa Clara da Brasil Ecodiesel”. E não é demais lembrar, tudo com o aval dos governos Federal e Estadual, em particular da Petrobras.
Judson Barros – Presidente da Fundação Águas.
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