Amália Safatle, Terra Magazine“Que as mudanças do clima estão aí, difícil duvidar. Em que medida as mudanças são de ordem global ou local, ou de ordem local potencializadas pelo aquecimento global, são questões sobre as quais os estudiosos do clima ainda se debruçam. Em meados deste ano, pesquisadores de instituições como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Unicamp e Unesp, deverão apresentar a conclusão de um estudo sobre as vulnerabilidades das megacidades São Paulo e Rio de Janeiro às mudanças climáticas.
Algumas vulnerabilidades já se escancararam, especialmente nos últimos meses, mostrando a urgência de se estudar o assunto e se colocar em prática medidas de adaptação às mudanças do clima. Os resultados desse estudo serão farto material para guiar políticas públicas. Eis um assunto que, mais que nunca, precisa estar no radar de eleitores e candidatos este ano.
Os efeitos da ação humana no microclima, pelo menos, não encontra céticos. Suprima a vegetação, impermeabilize o solo ao máximo, espalhe fontes de calor por todos os lados (como os escapamentos dos veículos), ocupe áreas de várzea, jogue lixo nas ruas, desmate e construa nas encostas de morros: está pronta a receita para ilhas de calor, formação de tempestades com maior intensidade, alagamentos, desmoronamentos, mortes.
Desde 1932, quando começaram as medições atmosféricas em São Paulo, a temperatura na cidade já aumentou em 2,1 graus, segundo o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG). Outro dado é que 65% das enchentes em São Paulo resultam de chuvas produzidas no próprio adensamento urbano, com o encontro das brisa fria e úmida que vem do mar com as ilhas de calor da cidade.”
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