30 Dezembro, 2009

Viagem ao fundo do mar brasileiro

Entrevista: Maristela Colucci, fotógrafa ambiental

Jennifer Koppe, Gazeta do Povo

Desde os 16 anos de idade, a fotógrafa paulista Maristela Colucci, que hoje tem 40, se dedica a registrar as belas e misteriosas paisagens do fundo dos oceanos, com o objetivo principal de revelar um mundo desconhecido pela maioria de nós.

Em SUB – Viagem ao Brasil Submarino, lançado pela sua própria editora, a Grão (preço médio R$ 36), e dedicada ao público infanto-juvenil, Maristela revela a riqueza da flora e fauna que habitam a costa brasileira, além de despertar a atenção das crianças e adolescentes para a conservação dos ecossistemas marinhos.

SUB é um “filhote” do livro de fotografias Brasil Submarino, lançado em 2005, que levou cerca de dez anos para ser concluído.
Outras aventuras da fotógrafa incluem viagens ao Círculo Polar Ártico, à Antártida e uma travessia pelo Oceano Pacífico, que também se transformaram em livros. Em entrevista à Gazeta do Povo, Maristela fala mais sobre a costa brasileira e os desafios de se fotografar embaixo d’água.

Por que você optou por fotografar o fundo do mar?

Sempre gostei de fotografar. Com 13 anos de idade, já sabia que queria construir uma carreira como fotógrafa e eu era fascinada pelos documentários do Jacques Cousteau. Ainda adolescente, fiz um curso de mergulho e durante o meu segundo mergulho, já estava de câmera na mão – o que eu não aconselho a ninguém, já que é preciso primeiro ganhar experiência como mergulhadora para depois começar a fotografar. Na época, pouquíssima gente fazia foto submarina, especialmente no Brasil. Ainda hoje fotógrafos especializados em paisagens marinhas são raros. Tive uma abertura grande das revistas por causa disso. O meu primeiro trabalho foi publicado aos 17 anos.”
Foto: Maristela Colucci
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29 Dezembro, 2009

A busca pela água

O Estado de São Paulo

“O Brasil deverá investir R$ 41,1 bilhões nos sistemas de produção de água, coleta de esgoto e proteção dos mananciais se quiser assegurar o abastecimento à população até 2025. Um estudo realizado pela Agência Nacional de Águas (ANA) em 2.965 municípios mostra que 64% deles (1.896) precisam desses investimentos até 2015 ou sofrerão escassez de água. O levantamento foi publicado em três atlas, revelando as condições de saneamento das regiões metropolitanas do País, além dos principais municípios das Regiões Nordeste e Sul. Para os governos federal, estaduais e municipais, o documento deveria servir de guia para investimentos nas áreas mais críticas. A Grande São Paulo por exemplo, conforme a análise, precisa receber R$ 4,036 bilhões nos próximos seis anos para que seu abastecimento seja garantido.

Na região mais rica e densamente povoada do País, a disponibilidade de água é de pouco mais de 200 m³ por habitante por ano. O volume representa menos de 10% do índice de referência adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mais de 50% da água consumida por 18,5 milhões de moradores da capital de São Paulo e dos municípios vizinhos já vem de bacias distantes, a custos cada vez mais altos.

Nos últimos dez anos, o número de imóveis cadastrados na região aumentou 55%, passando de 3,3 milhões para 5,1 milhões. Embora a Sabesp tenha mantido um plano de investimento que, entre 2007 e 2010, somou R$ 6 bilhões, seus serviços não acompanham a demanda.

Dos 70 mil litros de água por segundo produzidos pela Sabesp, 80% terminam na rede de esgoto. Além disso, apesar da ampliação dos sistemas de tratamento de esgoto, mais de 40 mil litros por segundo de água não tratada são lançados nos rios e córregos ? o que reduz a disponibilidade de água potável ou para uso industrial.”
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Charge do Sinovaldo

Entidades pedem que acordo de Google e AdMob seja barrado

Diane Bartz, Reuters

“Dois grupos pediram aos reguladores antitruste dos Estados Unidos nesta segunda-feira que bloqueiem a compra da AdMob, fornecedora de serviços de publicidade em celulares, para o Google, com receio de prejuízo à concorrência e com questões sobre riscos à privacidade com o negócio.

A Consumer Watchdog, órgão fiscalizador da proteção ao consumidor, e o Center for Digital Democracy, que advoga pelo acesso livre à Internet, disseram em carta à Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês) que o acordo entre Google e AdMob "reduz de forma substancial a competição no cada vez mais importante no mercado de anúncios móveis".

O Google é o maior buscador da Internet, enquanto a AdMob desenvolve tecnologia para a entrega e visualização de anúncios em telefones móveis. A AdMob também possui uma rede que permite aos anunciantes publicar propagandas em sites de Internet móvel e direcionar a publicidade para aplicativos em smartphones.”
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Lula sanciona lei que cria Política Nacional de Mudanças Climáticas

Última Instância / ABr

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona nesta segunda-feira (28/12) a lei que estabelece a Política Nacional de Mudanças Climáticas com três vetos ao texto. Um dos pontos vetados é o que proíbe o contingenciamento de recursos com ações de enfrentamento das alterações climáticas.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que esse item foi vetado por motivos técnicos, pois a lei não pode dispor sobre o contingenciamento de recursos orçamentários.

Também foi vetado, a pedido do Ministério de Minas e Energia, o item que trata do estímulo ao desenvolvimento e ao uso de tecnologias limpas e ao paulatino abandono do uso de fontes energéticas que utilizem combustíveis fósseis. Segundo Carlos Minc, a razão do veto foi o termo abandono, em vez de tratar da gradativa substituição das fontes energéticas que utilizem combustíveis fósseis.

O terceiro veto recai sobre o Artigo 10, que trata da substituição gradativa dos combustíveis fósseis e estabelece as formas como seria feita essa substituição. O veto também ocorreu a pedido do Ministério de Minas e Energia e entre os motivos apontados está o fato de o texto tratar apenas de usinas hidrelétricas de pequeno porte, explicou Minc.”
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28 Dezembro, 2009

Negros do interior do Suriname repelem presença de estrangeiros na exploração de garimpos

Renata Giraldi, Agência Brasil

“Com um território de apenas 163 mil quilômetros quadrados, um pouco maior do que o estado o Ceará, o Suriname é um país de cultura e etnia diversificadas. A população de 480 mil habitantes é formada por descendentes de europeus – principalmente holandeses, que foram os colonizadores- , negros, hindus, javaneses e latino-americanos que migram para região em busca da sua principal e mais rentável atividade: a exploração de garimpos.

A população do Suriname se considera privilegiada por causa de várias conquistas sociais, das influências dos holandeses na região e do vínculo mantido até hoje com o governo dos Países Baixos. Cerca de 90% dos habitantes têm o ensino fundamental concluído e dispõem de infraestrutura básica e água tratada.

No último dia 24, véspera de Natal, segundo relatos de testemunhas, o conflito entre os chamados “marrons” ou os quilombolas (mestiços de brancos com negros) teria sido provocado por demarcação de espaço. Os "marrons", descendentes de escravos (levados para lá nos séculos XVII e XVIII) vivem no interior do Suriname e exploram os garimpos e rechaçam os estrangeiros que tentam atuar nessa área.

Dos cerca de 15 mil brasileiros que estão no país vizinho, a maioria vive ilegalmente no Suriname e depende da exploração das minas, concorrendo com os chamados “marrons”. A disputa, aliada à suspeita de que um brasileiro seria o responsável pela morte de um quilombola, teria sido o estopim do ataque a um grupo de 200 garimpeiros - 80 teriam sido feridos, entre os quais 14 brasileiros, e sete, mortos.

A população do Suriname é na sua maioria cristã, mas há um percentual elevado de hindus e muçulmanos. Pelo menos 380 mil surinameses vivem no exterior, segundo dados recentes – a maioria nos Países Baixos.

O Suriname tem sétimo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América do Sul, atrás de Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Venezuela e Colômbia. A expectativa de vida é de 73 anos. Os gastos públicos com saúde representam 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas a economia do país é frágil e dependente da produção de bauxita, ouro e derivados de petróleo, que representam 85% das exportações e 25% do orçamento estatal. A mineração da bauxita representa aproximadamente 15% do PIB do país. É um país essencialmente importador de bens de consumo.”

Lula pede a Ban Ki-Moon que evite esvaziamento do debate sobre clima

“Presidente reiterou que considera a ONU o fórum mais adequado para discussão sobre aquecimento global

Leonêncio Nossa e Leonardo Goy, Agência Estado

presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira telefonema do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Na conversa, que durou cerca de dez minutos, Ban Ki-Moon fez uma análise da Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas, ocorrida este mês em Copenhague. Por sua vez, o presidente brasileiro, segundo relato de assessores, reiterou que a ONU é o foro mais apropriado para a discussão do tema. O presidente pediu ainda ao secretário-geral da ONU que mantenha seus esforços para evitar o esvaziamento das discussões.

Na avaliação da equipe do presidente Lula, o Brasil saiu da conferência como um participante ativo e não como um vilão na discussão sobre mudanças climáticas, ao apresentar uma meta na redução da emissão de gases de efeito estufa, o que causou uma boa impressão na comunidade internacional."

Professores usam apenas recursos mais simples do computador

Amanda Cieglinski, Agência Brasil / JB

“Pesquisa realizada pela Fundação Victor Civita em 400 escolas de 13 capitais brasileiras mostra que os professores ainda dão preferência aos programas mais simples, quando utilizam o computador com seus alunos. Para a metade dos entrevistados, o software mais utilizado é o de edição de texto, seguido por programas de visualização de mapas (48%) e editores de apresentação.

Segundo o estudo, falta preparo aos docentes para inserir as novas tecnologias de forma eficiente dentro de sala de aula.

- A atividade mais realizada pelo professor com seus alunos é editar, digitar e copiar conteúdos - aponta a pesquisa.

Para o professor do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas na Educação (Lantec) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sérgio Amaral, o investimento feito pelos governos - federal, estaduais ou municipais – para equipar as escolas se tornam “uma estupidez” se não houver preparação dos professores para trabalhar com as tecnologias.

- Não adianta nada instrumentalizar. O computador já é uma realidade na escola, mas o problema fundamental é que o professor não utiliza o recurso como instrumento didático. É ínfimo o potencial que se está utilizando - aponta o especialista.”
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27 Dezembro, 2009

Venda de antidepressivos no Brasil cresce 44,8% em 4 anos, diz pesquisa

Transtornos mentais são a 3ª causa de afastamento do trabalho no país. Crescimento econômico favorece consumo; especialista alerta sobre uso.

Ligia Guimarães, G1

A venda de medicamentos antidepressivos e estabilizadores do humor cresceu 44,8% no Brasil em quatro anos, aponta levantamento realizado a pedido do G1 pela IMS Health, instituto de pesquisa que faz auditoria do mercado de medicamentos para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O volume de vendas desses medicamentos cresceu de R$ 674,7 milhões nos 12 meses acumulados até outubro de 2005 para R$ 976,9 milhões no mesmo recorte até outubro de 2009. As valores referentes a 2005 foram atualizados com base nos reajustes máximos permitidos pela Anvisa, que considera também a inflação do período.
O mercado brasileiro de antidepressivos cresce acima da média mundial há pelo menos cinco anos, segundo Marcello Monteiro, diretor da IMS Health de linhas de negócios para América Latina e responsável pelo levantamento.

“O Brasil faz parte de um grupo de países classificados como “farmaemergentes”: Brasil, Rússia, Índia, Coréia, México e Turquia. Juntos, eles respondem por 50% do crescimento mundial do mercado de medicamentos”, afirma o executivo.”
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23 Dezembro, 2009

Muito além da COP-15

Reinaldo Canto, Envolverde

“Foram duas semanas de trabalho intenso, muitas expectativas e um final decepcionante? Não, não é assim que quero deixar registrada a minha participação na COP-15 em Copenhague. É preciso fazer uma análise se não de Poliana, mas que mantenha uma boa distância da opinião daqueles que acreditam ver nos resultados da conferência o fim da linha na luta contra as mudanças climáticas.

Baixar a guarda e jogar tudo para o alto, talvez seja o caminho mais fácil e natural, se considerarmos todos os prognósticos até chegarmos a fatídica e última semana do encontro.

Pois foi um grande banho de água fria. Ainda mais ao lembrar que durante o período que estivemos em contato direto com os participantes das mais variadas matizes, muitos com larga experiência nesse tipo de conferência, eram possíveis de serem encontradas opiniões diversas, mas em praticamente todos os casos havia algum otimismo. Fiz várias entrevistas e elas demonstravam com quase unanimidade que Copenhague teria um acordo, não o acordo dos sonhos, mas algo acima do razoável.”
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Firefox 3.5 é navegador mais popular do mundo

adNEWS

“A última versão estável do navegador da Fundação Mozilla, Firefox 3.5, tem superado o Internet Explorer 7, da Microsoft, e desponta como o navegador mais utilizado no mundo, segundo o StatCounter, se computados os números de todos os países. O mercado europeu já é dominado pelo Firefox 3.5 há algum tempo. No Brasil há empate técnico e nos Estados Unidos os navegadores da Microsoft ainda reinam.

A guerra dos navegadores pela liderança de mercado começou há um bom tempo. Há muito se fala sobre o monopólio da Microsoft por vender seu sistema operacional com o Internet Explorer integrado. A Comissão Europeia, inclusive, acusou a empresa de pressionar o mercado de forma a favorecer seu browser, como afirma o site IT PRO, do Reino Unido.

Entretanto, como mostrado no gráfico do StatCounter, o uso do navegador Internet Explorer 7, que liderava o mercado, tem caído de forma abrupta, deixando o primeiro lugar da lista para o Firefox 3.5. O browser, que já tinha ultrapassado o IE8 desde o início do mês de novembro, surge pela primeira vez no topo do ranking mundial e a curva de tendência indica que ali ele vai ficar por um bom tempo. Mesmo estando o produto da Microsoft em franco crescimento, estima-se que a adoção do Firefox continuará sendo maior que a do IE8.”
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Justiça proíbe venda do Word 2007 e Office 2007 nos EUA a partir de janeiro

Empresa deve contornar decisão com versões 2010 dos programas. Proibição está ligada a processo de violação de patente movida pela i4i.

Do G1 / Reuters

Um tribunal norte-americano proibiu nesta terça-feira (22) a Microsoft de vender, a partir de 11 de janeiro de 2010, o programa Microsoft Word 2007 e o pacote Office 2007 nos Estados Unidos. O impacto pode não ser grande, pois a empresa já se preparava para essa decisão e pretende contornar o problema até a data especificada com as versões 2010 desses softwares.

A proibição está ligada a outra decisão judicial, também desta terça, que manteve uma condenação anterior contra a Microsoft: a empresa terá de pagar US$ 290 milhões por violar a patente de uma pequena empresa canadense de software chamada i4i, com sede em Toronto.

A decisão pode sinalizar o fim de uma longa disputa entre a Microsoft e a i4i. Em 12 de agosto deste ano, um tribunal federal no Texas decidiu a favor da i4i na ação aberta pela empresa contra a Microsoft pela violação de uma patente sua relacionada ao uso do código XML nas versões do Word de 2003 e 2007.”
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22 Dezembro, 2009

charge do Jacobsen

Governo federal quer estimular manejo florestal entre comunidades tradicionais e assentados

Amanda Cieglinski, Agência Brasil

“Populações quilombolas, ribeirinhas, indígenas e assentados da reforma agrária que vivem na Amazônia vão receber apoio do governo federal para desenvolver seus planos de manejo florestal. O primeiro Plano Anual de Manejo Florestal Comunitário foi apresentado hoje (22) pelos ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. A previsão é de que 18 mil famílias sejam beneficiadas.

Dar a essas comunidades a oportunidade de realizar o manejo florestal era uma antiga revindicação dos movimentos sociais, segundo Cassel. Um plano de manejo organiza a exploração de madeira em uma área ou propriedade para reduzir os danos à floresta.

“Nunca se fez antes porque é difícil, não basta querer ajudar o desenvolvimento sustentável. Exige técnica e tempo. O Estado nunca foi capaz de criar uma cultura de fazer manejo florestal comunitário”, afirmou Cassel.

Entre as ações previstas no plano para auxiliar as comunidades estão a capacitação técnica e uma linha de financiamento de R$ 17 milhões via Pronaf Florestal para agricultores familiares. A ideia é que as comunidades tenham um primeiro contato com as técnicas de manejo florestal para que possam elaborar seus planos.

A etapa 2010 vai abranger 85 municípios em sete estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Maranhão. Segundo Minc, outros biomas também serão beneficiados nos próximos anos.

“Esse plano significa que a população tenha uma alternativa de sobrevivência sem destruir a floresta. É oferecer madeira legal, explorada de maneira que não destrua o bioma”, explicou.

Outra ação prevista no plano, para garantir a renda dessas populações e a exploração sustentável da madeira, é a construção de 700 quilômetros de estradas e de 4 mil casas para assentados da reforma agrária. O volume total de recursos envolvidos no plano de 2010 é de R$ 40,7 milhões.”

21 Dezembro, 2009

Década termina marcada por fracasso nas negociações globais

Rodada Doha, Copenhague e reforma do Conselho de Segurança da ONU não trouxeram as soluções esperadas

Jamil Chade, O Estado de São Paulo

Nem Copenhague, nem a Rodada Doha, nem a reforma no Conselho de Segurança, nem um novo acordo sobre desarmamento. A década termina com todas as grandes negociações multilaterais em um impasse e com a diplomacia mundial se questionando como dar soluções a problemas globais e ao mesmo tempo preservar interesses nacionais.

Em todos os processos negociadores, o que está em jogo é praticamente a mesma coisa: uma nova posição dos países emergentes, o reconhecimento de que a arquitetura mundial mudou e, claro, a solução de um problema global.

A negociação sobre o clima, que fracassou na última sexta-feira, foi a última de uma série de fiascos no diálogo entre nações.

Para o Wall Street Journal, o entendimento obtido na capital dinamarquesa foi uma "carta morta".

Na Europa e em outras partes do mundo, a preocupação não é apenas com o clima, mas com a credibilidade das negociações multilaterais e da Organização das Nações Unidas (ONU) como centro de decisões.

Para Alden Meyer, da entidade americana Union of Concerned Scientists, o fracasso de Copenhague mostra "a fragilidade do sistema multilateral". Na ONU, diplomatas e a cúpula da entidade está ciente dos obstáculos. Mas a avaliação é de que não há outra solução democrática, garantindo que todos os países participem do projeto.”
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É a treva: rumo ao desastre

Leonardo Boff, Jornal do Brasil

“Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Isabelle Drummond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão: É a treva. Não me vem à mente outra expressão ao assistir ao melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre. Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a 2 graus Celsius. Ultrapassado esse nível e beirando os 3 graus, o clima não seria mais controlável, e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas.

O presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi o único a dizer a verdade: “Faltou-nos inteligência”, porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos.

Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, pelo qual todos somos responsáveis, mas principalmente os países ricos. E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, pelo controle do aquecimento para que este não seja catastrófico para a natureza e a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?”
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Desigualdades fatais no império da ciência

Mario Osava, IPS / Envolverde

“O arquipélago do Japão afundará dentro de um ano”. O anúncio oficial aconteceu após uma violenta erupção do Monte Fuji, e depois os terremotos se multiplicaram por todo o país, desafiando o mundo a acolher 110 milhões de pessoas em poucos meses. Uma furiosa batalha diplomática conseguiu uma solidariedade dúbia para evacuar 65 milhões de japoneses. Vinte milhões afundaram com as ilhas, muitos deles voluntariamente, por amor à pátria ou para ceder lugar na fuga aos mais jovens. Os demais, supõe-se, morreram antes, vitimas de tremores, tsunamis e outros cataclismas.

Este é o relato de um romance publicada em 1973 no Japão, e traduzida na França quatro anos depois, “O afundamento do Japão”. O autor, Komatsu Sakyo, imagina a hecatombe a partir de fenômenos naturais possíveis, como intensificação e alteração dos movimentos da crosta terrestre sob o Oceano Pacífico. Contudo, fora da ficção, o mundo vive inundações cada dia mais frequentes e a iminência de múltiplos afundamentos de nações insulares e cidades costeiras, todos fatos provocados pela ação do homem. O perigo vem do ar, mais do que do subsolo, mas com consequências igualmente trágicas, só que menos impactantes devido à dispersão geográfica e temporal.

Possivelmente seja necessária uma catástrofe da magnitude narrada por Sakyo para que o mundo chegue a um acordo efetivo que evite um aquecimento global suicida. Certas transformações, especialmente contra a maré econômica, só se materializam depois de tragédias ou rebeliões excepcionais. A crise financeira do ano passado, por exemplo, foi insuficiente para promover mudanças estruturais. A magnitude não se limita apenas à quantidade de vítimas, mas à extinção total de uma nação rica como o Japão, que era vista por muitos, nos anos 70, como desafiante da hegemonia econômica norte-americana. O livro também é uma crítica à soberba nipônica na reconstrução do pós-guerra.

A probabilidade de os países tropicais, especialmente os pequenos e pobres, serem os que mais sofrerão os efeitos do aquecimento global, não tem a mesma capacidade de estimular uma cooperação que pareceria natural neste caso, por se tratar de uma ameaça que afeta a todos. A crise climática realça as múltiplas dimensões das disparidades entre nações, dificultando as negociações. Os principais temas, as metas obrigatórias de emissões e financiamento, dividem o mundo entre ricos e os demais, com uma classe média de nações cuja pretensão, de continuar revistando as fileiras dos pobres, é rechaçada pelos ricos.

É essa desigualdade que dificulta todas as negociações multilaterais, sejam comerciais, financeiras, de patentes ou sanitárias. Todas são oportunidades para que os países em desenvolvimento reduzam a brecha e obtenham mais ajuda para o desenvolvimento, agora com o inquestionável argumento do acúmulo histórico de gases-estufa na atmosfera, pelos países industrializados. Porém, os blocos construídos em outros fóruns carecem de consistência na questão climática.”
Imagem: Fabrício Vanden Broeck
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20 Dezembro, 2009

Greenpeace diz que Copenhague foi palco de um crime

Gustavo Uribr, Agencia Estado

“O diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, lamentou que a cidade de Copenhague tenha se transformado em "palco de um crime", em referência ao fracasso da Conferência do Clima (COP-15), que chegou ao fim sem metas relevantes para conter os efeitos do aquecimento global. "A cidade de Copenhague foi palco de um crime, com os culpados correndo para o aeroporto perseguidos pela vergonha", disse o diretor, em nota oficial distribuída hoje à imprensa. "Presidentes e primeiros-ministros tiveram uma chance de uma em um milhão de mudar o mundo para sempre e impedir que o clima entre em colapso", acrescentou.

Ainda no documento, a entidade afirma que os líderes mundiais mostraram a sua "incapacidade" no encontro, "colocando os seus interesses particulares acima das necessidades da humanidade". "Os chefes de Estado reunidos em Copenhague falharam. Eles colocaram suas prioridades domésticas acima de um compromisso global", acusou. A entidade criticou ainda a criação do mecanismo de financiamento para combate ao aquecimento global e o compromisso de conter a elevação da temperatura global em 2ºC, medidas presentes em pacto firmado por apenas 30 dos quase 200 que participaram da COP-15.”
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charge do Bello

19 Dezembro, 2009

EUA e emergentes anunciam acordo preliminar em Copenhague

Os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, Luiz Inácio Lula da Silva e chefes de governo de África do Sul, Índia e China fecharam um acordo nesta sexta-feira, em Copenhague, na reunião das Nações Unidas sobre mudança climática.

Eric Brücher Câmara, BBC Brasil

O acordo, que ainda precisa ser aprovado na plenária, foi recebido com críticas por países em desenvolvimento, mas foi saudado por líderes europeus como um primeiro passo.

Uma reunião de mais de duas horas selou uma posição conjunta entre americanos e os chamados países BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China), defendendo ações para limitar o aumento da temperatura a 2ºC, sem no entanto, prever metas para países desenvolvidos.

“O que nós fizemos, foi procurar resgatar alguma coisa daqui, desbloquear essa questão do MRV (“mensurável, reportável e verificável”, no jargão), que estava bloqueando qualquer entendimento”, afirmou o embaixador extraordinário para mudança climática do Itamaraty, Sérgio Serra, acrescentando que Lulateve papel protagonista nas negociações.

O acordo, no entanto, foi criticado por representantes de diversas delegações do bloco dos países em desenvolvimento, o G77.
“Os eventos de hoje representam o pior acontecimento na história das negociações sobre mudança do clima. O Sudão não vai assinar esse acordo”, afirmou o embaixador Lumumba Di-Aping, negociador-chefe sudanês.

A organização ambientalista Amigos da Terra classificou o documento de “declaração secreta de porta dos fundos”.

“Os Estados Unidos mentiram para o mundo ao chamar aquilo de acordo e mentiram para centenas de países, aos quais tinham dito que ouviriam as suas necessidades”, afirmou a porta-voz do grupo, Kate Horner.”
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18 Dezembro, 2009

Feldmann: EUA foram "elefante" que emperrou Copenhague


Carolina Oms, Terra Magazine

“A Conferência do Clima da ONU está próxima do fim e o ambientalista Fabio Feldmann deu a Terra Magazine sua avaliação do evento. Para o ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o principal empecilho para uma evolução concreta das negociações foram os Estados Unidos:

- A falta de vontade política tem que ser atribuída fundamentalmente aos Estados Unidos, eles foram o "elefante na loja", um dos grandes problemas.

Apesar de otimista em relação à futuras negociações sobre mudanças climáticas, o ambientalista fundador da ONG SOS Mata Atlântica, diz ver os resultados da COP-15 como um "copo meio vazio":

- O lado positivo é que houve um compromisso político com a presença dos chefes de Estado, especialmente de Obama. O lado negativo é o que esse modelo de negociação é lento e não chegou ao que seria importante.

Ele acredita que a discussão ficou num "nível de abstração muito alto". "É ridículo ficar dois anos negociando e deixar tudo para as últimas 24 horas. É no mínimo irresponsável", critica.

Terra Magazine - Qual avaliação que o senhor faz da conferência?
Fabio Feldmann - Em primeiro lugar, o resultado surgiu no último minuto da última hora, que, aparentemente, se chegou a um acordo, muito embora até o momento ninguém tenha muitos detalhes de como será esse acordo. Nos discursos dos chefes de Estado, eu acho importante que tenham reconhecido a urgência, em termos de redução de emissão, e que tenham apresentado recursos. Mas ficou faltando os detalhes de como isso tudo será operado e, de certa maneira, isso foi deixado para o ano que vem.
Essa reunião mostrou que esse modelo de negociação tem que ser revisto. Foram dois anos de negociação mal sucedidos que se resolveram no último minuto, o compromisso político saiu, mas não saiu como isso será implementado... Isso eu acho difícil. Então eu olho o resultado da conferência como um copo meio vazio. O lado positivo é que houve um compromisso político com a presença dos chefes de Estado, especialmente de Obama. O lado negativo é que esse modelo de negociação é lento e não chegou ao que seria importante: a gente ter uma noção mais exata da nova arquitetura que deverá ser montada para operacionalizar o resultado.

Corre-se o risco desse ser um compromisso vazio?
É, por que você não sabe exatamente, mesmo eu que acompanho essas questões, se falou em recursos. Como serão gastos esses recursos? Qual o modelo de governança desse fundo que será criado? Como vão monitorá-lo? Ficou num nível de abstração muito alto. Em tese, tudo isso era pra ser definido nos últimos dois anos, desde que houve a COP de Bali, para que os chefes de Estado pudessem bater o martelo em cima disso.”
Foto: Reuters
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Acordo sobre o clima fica para 2010

Agência Brasil

“A decisão sobre um novo acordo climático, que deveria sair da 15° Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, na Dinamarca, vai ficar para 2010. Os 192 países que participam da reunião não chegaram a um consenso sobre um novo instrumento legal e vinculante para limitar as emissões de gases de efeito estufa e enfrentar o aquecimento do planeta.

Um acordo parcial foi fechado entre os Estados Unidos, a China, Índia, o Brasil e a África do Sul com apoio de outros países, mas ainda depende de aprovação formal e deixa muitos pontos da negociação em aberto.

Uma nova reunião, em seis meses, deve ser realizada em Bonn, na Alemanha, para preparar a próxima conferência sobre o clima, no México, no fim de 2010. O anúncio foi feito pela chanceler alemã, Angela Merkel. As informações são da agência de notícias portuguesa Lusa.

De acordo com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, todos os países industrializados "aceitaram informar por escrito" seus compromissos para a redução das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa até 2020.

Segundo Sarkozy, a ausência de objetivos de redução das emissões mundiais em 50% até 2050, necessária para limitar o aumento da temperatura do planeta em 2 graus Celsius, é uma "decepção".

COP-15: base de acordo prevê redução de 80% para países ricos

Lúcia Müzell , Portal Terra / JB Online

“A reunião dos líderes Cúpula da ONU sobre a Mudança Climática (Cop-15) na capital dinamarquesa terminou por volta das 2h de sexta-feira (23h em Brasília). De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, "há uma base de acordo político" para ser debatida e aprovada amanhã. Os 32 países reunidos em uma sala do Bella Center, onde acontece a Cúpula, teriam chegado a um acordo sobre reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 80% até 2050, para as economias desenvolvidas. A média de reduções no período, incluindo os países em desenvolvimento, deve ser de 50%.

Também um acordo sobre o limite máximo do aumento da temperatura da Terra teria sido atingido. Os líderes concordaram de que todos os esforços devem ser feitos para que não se ultrapasse os 2ºC até o final deste século.”
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'Estou rindo para não chorar', diz Lula após reunião de líderes em Copenhague

Encontro foi convocado para tentar evitar fracasso da conferência. Secretária Hillary Clinton representou os Estados Unidos.

Dennis Barbosa, G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a reunião com os principais países interessados na efetivação de um acordo climático na COP 15 , a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, nesta quinta-feira (17), sem explicar aos jornalistas o resultado do encontro. Apenas disse: "Estou rindo para não chorar". Sobre o andamento da reunião, declarou: "Não vou falar disso agora."

A "operação de salvamento" da COP foi paralisada por volta de 1h40 (horário local, 22h40 em Brasília) e os chefes de estado foram embora. O presidente Lula já está no hotel e volta ao centro da convenções Bella Center às 10h (7h em Brasília). Ainda na madrugada, o encontro deve prosseguir com negociadores para o fechamento de um texto-base, a ser apresentado na sexta-feira (18) para os chefes de estado.

Os presidentes Lula e o francês Nicolas Sarkozy haviam anunciado na quinta-feira uma reunião às 22h30 locais (19h30 em Brasília) para tentar consenso sobre nova proposta de acordo.

No intervalo da reunião, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse, em entrevista à Globo News, que os representantes (de "30, 32" países) discutiram a elevação do corte de emissão de gases-estufa pelas nações desenvolvidas de 50% para 80% até 2050. O corte médio global seria de 50%. Os parâmetros seguem recomendação, de 2007, dos cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).”
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17 Dezembro, 2009

Lula pede 'ambição' no corte de emissões em discurso na COP


Presidente também exigiu que países ricos 'assumam metas à altura das suas responsabilidades históricas

O Estado de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta quinta-feira, 17, ambição às nações no corte de emissões de gases-estufa. "Se queremos ser ambiciosos, devemos almejar o patamar de 40% nas reduções das emissões até 2020", disse Lula durante discurso no plenário da cúpula da ONU sobre as mudanças climáticas, em Copenhague. "Reduzir em 50% as emissões até 2050 em comparação com 1990 ajudará a assegurar o objetivo desta cúpula."

O presidente brasileiro exigiu que os países desenvolvidos "assumam metas à altura das suas responsabilidades históricas". "É inaceitável que os países menos responsáveis pelo aquecimento global sejam as principais vítimas. E os efeitos da mudança climática já se fazem sentir sobretudo pelos países mais pobres", completou.

Além de alertar para a necessidade de implementar medidas emergenciais, Lula defendeu uma colaboração das nações desenvolvidas no que diz respeito à tecnologia e informação que podem ser utilizadas no combate às mudanças climáticas. "O fluxo internacional de tecnologia e informação neste setor ainda é uma tímida promessa, uma miragem."
Foto: Ed Ferreira / AE
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Discurso na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática

Eterno e infinito. Até que acabe!

Daniel Tame, Pátria Latina

“Os olhos do planeta Terra, essa bolinha perdida na complexidade do Universo composto de galáxias, constelações e sistemas solares, e em que por obra do acaso ou por ação divina, brotou a vida em forma exuberante; estão voltados para Copenhague, a capital da gelada Dinamarca.

É lá que líderes e negociadores de mais de 190 países estão reunidos para discutir o futuro de um planeta cujos recursos naturais estão sendo sugados à exaustão.

Melhor seria dizer que eles estão decidindo se haverá futuro para a Terra e seus bilhões de habitantes. Um futuro que só será viável caso haja um freio na devastação, na emissão de gases poluentes, na exploração irracional dos recursos naturais e na explosão demográfica.

Especialmente nos últimos dois séculos e acentuadamente após a revolução industrial, os recursos naturais, que embora pareçam eternos e infinitos um dia irão se exaurir, passaram a ser “sugados” num ritmo maior do que poderiam suportar.”
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Brasil precisaria de US$ 166 bilhões para reduzir emissões até 2020

Blog do Planalto

“O Brasil terá que contar com cerca de US$ 166 bilhões para cumprir sua meta de reduzir em até 39% suas emissõs de gases do efeito estufa até 2020, anunciaram nesta quarta-feira os ministros Dilma Roussef (Casa Civil) e Carlos Minc (Meio Ambiente) em entrevista coletiva realizada no hotel L’Angleterre, em Copenhague. Mais cedo, ambos se reuniram no local com o presidente Lula e outros integrantes da delegação brasileira presente à 15ª Conferência da ONU sobre Clima, em Copenhague (Dinamarca).”
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16 Dezembro, 2009

Japão anuncia 'financiamento climático' de US$ 15 bilhões só para países pobres

Iniciativa é divulgada logo após divulgação de fundo antidesmate. Recursos para conter corte de florestas seriam de US$ 3,5 bilhões.

G1 / Reuters

O governo do Japão anunciou nesta quarta-feira (16) que vai direcionar US$ 15 bilhões (cerca de R$ 26 bilhões) para financiamento público e privado de projetos na área ambiental de países pobres.

O anúncio ocorreu horas depois da divulgação de que um grupo de seis países (mais uma vez Japão, além de Austrália, França, Noruega, Grã-Bretanha e Estados Unidos) comprometeu-se a doar US$ 3,5 bilhões para o combate de curto prazo ao desmatamento.”
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Presidente da reunião do clima diz que é hora de dar 'grandes passos’

Eric Brücher Câmara, BBC brasil

“Chegou a hora de dar grandes passos. Com essas palavras, a presidente da reunião das Nações Unidas sobre o clima, em Copenhague, a ministra dinamarquesa Connie Hedegaard, convocou nesta terça-feira os ministros e representantes dos 192 países que participam do encontro a encarar os próximos três dias.

O discurso de Hedegaard foi feito na abertura do segmento de alto nível da conferência, que conta com a participação dos ministros.
“Nos próximos dois dias, temos que tomar as decisões que vimos preparando nos últimos dois anos. Pequenos passos têm que ser seguidos por grandes passos.”

Em seu discurso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, também fez um apelo por ação nos próximos dias.

Para ele, não há mais tempo para deliberar, porque “a natureza não negocia conosco”.

‘Fechem o acordo’

“Fechem o acordo”, disse o sul-coreano, acrescentando que a “reta final” não é o momento de “fraquejar”.

O príncipe Charles também foi convidado a falar à plenária, e tocou em um assunto que diz respeito diretamente ao Brasil: as florestas tropicais.

O herdeiro do trono britânico lembrou da importância das florestas não só para a manutenção da biodiversidade, mas para o equilíbrio do regime de chuvas e da absorção de carbono da atmosfera.

“A verdade simples é que sem uma solução para o desmatamento tropical, não há solução para a mudança climática”, disse Charles.
As palavras do príncipe de Gales contrastam com os acontecimentos desta terça-feira em Copenhague.

Nas negociações do grupo de trabalho que estuda a criação de mecanismos de redução de emissões por desmatamento e degradação (redd), segundo observadores das reuniões houve um retrocesso.

“Estamos no ponto em que estávamos na quinta-feira passada”, disse.”
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ONGs pedem apoio do Brasil para pressionar países desenvolvidos na COP 15

Blog do Planalto

“Duas grandes organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas, Greenpeace e WWF, pediram nesta terça-feira (15/12) ajuda da delegação brasileira na Conferência da ONU sobre Clima (COP 15), em Copenhague, para pressionar os países desenvolvidos a colocarem números mais ousados de redução de emissões na mesa de negociação e impedir que o texto sobre emissões do desflorestamento e degradação (Redd), a ser apresentado hoje na reunião de ministros, seja aprovado. Dilma pediu que ambas as organizações entregassem a ela mais detalhes por escrito.

Confira:

Paulo Adario (Greenpeace)



Carlos Rittl (WWF)


Os pedidos das duas ONGs foram feitos durante a reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas realizada hoje de manhã no Centro de Convenções Bella Center da capital dinamarquesa. Durante o encontro, a ministra Dilma reafirmou a posição brasileira de não aceitar um acordo que não tenha como base a Convenção do Clima da ONU e o Protocolo de Quioto. Segundo ela, os países desenvolvidos têm obrigação de apresentar metas e promover o financiamento das nações mais pobres para que tenham um desenvolvimento sustentável.

“Não podemos entrar na agenda dos desenvolvidos. Nós demos nossa contribuição, mas eles ainda não”, afirmou Dilma Roussef, que voltou a cobrar recursos externos para financiar projetos de meio ambiente, da mesma forma como se faz hoje com projetos de infra-estrutura e industriais.

A ministra Dilma se encontrará na tarde desta terça-feira (horário de Copenhague) com representantes de diversas ONGs ambientais aqui no Centro de Convenções Bella Center para explicar detalhes da posição brasileira durante as negociações na COP 15 e ouvir sugestões.”

15 Dezembro, 2009

Conferência do clima é paralisada por países em desenvolvimento

Inconformados com a falta de engajamento dos industrializados, africanos deixam reunião; cresce o risco de fracasso

Andrei Netto e Afra Balazina, O Estado de São Paulo

ausência de propostas concretas por parte de nações industrializadas para a renovação do Protocolo de Kyoto levou ontem representantes de países africanos a paralisar a 15ª Conferência do Clima (COP-15) das Nações Unidas. O novo impasse, também motivado por quebra de confiança na presidência do evento - que convidou 48 ministros para negociar em separado no domingo, alijando mais de uma centena -, tornou mais concreto o risco de fracasso nas negociações, que acabam na sexta. O impasse entre ricos e em desenvolvimento se dá, em parte, pela cobrança por um engajamento dos emergentes, como China e Brasil.

O enfrentamento diplomático aconteceu no início da manhã de ontem. Inconformado com a falta de compromisso dos países industrializados, um grupo de negociadores africanos se retirou da reunião que discutia o texto-base do eventual "Protocolo de Copenhague". A decisão, que bloqueou a negociação, recebeu o apoio formal do G77, o grupo dos países em desenvolvimento, com apoio explícito da China. Bernaditas Muller, representante do G77, justificou a atitude dizendo que os países ricos estão dificultando as negociações sobre adaptação e financiamento. Também criticou o papel dos ministros recém- chegados a Copenhague. "A negociação vem ocorrendo há dois anos e todo esse trabalho pode ser colocado em risco ao ser decidido por quem não o acompanhou de perto", disse.”
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14 Dezembro, 2009

Vai dar no Jornal Nacional? Brasil encabeça ranking de combate à mudança climática

Folha Online

"O Brasil encabeça a lista de um ranking de combate à mudança climática publicado nesta segunda-feira (14) por uma organização não-governamental europeia.

Pela primeira vez desde que o indicador começou a ser medido pela ONG Germanwatch e a rede Climate Action Network (CAN), um país emergente ocupou a liderança no ranking, passando para trás países desenvolvidos como a Suécia, a Alemanha e a Noruega.

O Brasil obteve uma nota 68, o que o coloca no grupo dos países cujo desempenho nesse sentido é considerado "bom".

No mesmo grupo ficaram a Suécia (67.4), Grã-Bretanha e Alemanha (65.3), França (63.5), Índia (63.1), Noruega (61.8) e México (61.2).
"É muito bom que países emergentes estejam ganhando posições neste ranking", avaliou o diretor europeu da rede CAN, Matthias Duwe.

"Estão mandando um sinal claro, durante as negociações de Copenhague, de que estão comprometidos em combater a mudança climática. Gostaria apenas que outros países europeus estivessem demonstrando o mesmo compromisso para com as mudanças positivas."
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Charge do Iotti, Zero hora


Dilma disse que países emergentes podem contribuir para fundo de combate ao aquecimento global

Roberto Maltchik, Agência Brasil

“A ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, admitiu hoje (13) que já está sobre a mesa de negociação dos chefes das delegações dos 192 países que participam da Conferência das Nações Unidas sobres Mudanças Climáticas uma proposta para que os países emergentes contribuam para o fundo de combate ao aquecimento global.

“Podem haver contribuições voluntárias de quem acha que pode contribuir para este fundo. É como um objetivo. A gente não tem objetivo obrigatório. Quem quiser contribuir, pode”, afirmou.

A chefe da delegação brasileira ressaltou, no entanto, que o Brasil não deseja aplicar dinheiro no fundo, já que a premissa, definida pelo protocolo de Quioto, criado em 1997, indica que a responsabilidade histórica pelas emissões é dos países ricos, com obrigação de financiar as ações do mundo em desenvolvimento para frear as emissões projetadas para os próximos anos.

“Contribuição mesmo é dos países desenvolvidos. Isso é claro. Está previsto na convenção: as ações mitigatórias dos países em desenvolvimento dependem do financiamento dos países desenvolvidos”, lembrou. A proposta de incluir os países em desenvolvimento no fundo foi apresentada pelo México e apoiada oficialmente pela Noruega.

Hoje, mais de 50 chefes de delegações estiveram reunidos com a presidente da conferência, a ministra de Energia e Clima da Dinamarca, Connie Hedegaard, para tratar dos pontos que serão levados para a derradeira negociação dos chefes de Estado, entre quinta e sexta-feira.

Cerca de 110 chefes de Estado e de governo já confirmaram presença na última etapa da COP-15, entre eles, o norte-americano Barak Obama, o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, além dos líderes da China, Austrália, Japão e Canadá.

Segundo Dilma, mais importante do que discutir a participação dos emergentes no fundo é saber se os países ricos estão dispostos a adotar metas mais ousadas do que as anunciadas até agora para atingir o objetivo da convenção: reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa entre 25% e 40%, até 2020.

A estratégia do Brasil é trabalhada em conjunto com outros três grandes países emergentes: China, Índia e África do Sul. Os países ricos, porém, ainda não entraram nesse tipo de detalhe para firmar um acordo até sexta-feira, data marcada para o encerramento da conferência. “Eles contornam essa questão”, disse a ministra.

A Chefe da Casa Civil explicou que um dos principais entraves da negociação é que os países ricos querem “inverter” o debate e colocar em condições iguais os países ricos e as grandes nações emergentes.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, também já está na Dinamarca para participar da última etapa da conferência do clima. O presidente Luis Inácio Lula da Silva chega na noite de terça-feira (15).”

13 Dezembro, 2009

Aneel realiza primeiro leilão de energia eólica do país

Nielmar de Oliveira, Agência Brasil

“A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) habilitou tecnicamente 339 projetos de geração eólica para o Leilão de Energia de Reserva, que será realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), nesta segunda-feira (14). O leilão será na sede da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo.

Está é a primeira vez que o Brasil promove um leilão de reserva para negociação exclusiva de energia elétrica gerada por ventos. Segundo a EPE, os empreendimentos somam capacidade instalada de 10.005 MW, o que corresponde a uma vez e meia a potência total do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, em Rondônia, composto pelas usinas hidrelétricas de Jirau (3.300 MW) e Santo Antônio (3.150 MW).

As informações da EPE (empresa do governo federal responsável por pensar o planejamento energético do país) indicam que os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte detêm a maioria dos projetos (213) e também da potência instalada (6.144 MW) habilitados.

Para o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, o sucesso deste primeiro leilão pode propiciar o maior aproveitamento do alto potencial do país. “A contratação de energia eólica, neste momento, reforçou ainda mais a posição que o Brasil levou para a Conferência do Clima em Copenhague, de promover a manutenção do perfil altamente renovável da matriz energética brasileira”, afirma.

O leilão de energia exclusivamente voltado para contratação de fonte eólica será realizado na modalidade de reserva, que se caracteriza pela contratação de um volume de energia além do que seria necessário para atender à demanda do mercado total do país. “Os empreendimentos que ofertarem os maiores deságios sobre o preço inicial assinarão contratos de compra e venda de energia com 20 anos de duração, válidos a partir de 1° de julho de 2012”, esclareceu a empresa.”

Países ricos criticam texto de acordo sobre clima, mas não interrompem negociações

Roberto Maltchik, Agência Brasil

“Na reunião geral das 192 nações que participam da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, hoje (12) em Copenhague, os principais emissores históricos de gases que provocam o efeitos estufa criticaram o rascunho, apresentado ontem (11), pelo grupo de trabalho que tenta buscar um acordo até o fim da próxima semana.

As críticas foram formalizadas pela União Europeia, Japão e Canadá. A principal queixa é sobre o capítulo que trata da redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa nas grandes nações em desenvolvimento, entre elas a China, a Índia e o Brasil.

O países ricos buscam dos países em desenvolvimento uma meta para reduzir as emissões futuras de CO2, enquanto os países do G77 e a China aceitam assumir compromissos voluntários de diminuição, conforme está proposto no protocolo de Quioto.

Segundo o rascunho, que está em negociação, os países em desenvolvimento “devem” adotar medidas de mitigação, mas “poderão” ser submetidos à meta de frear as emissões até 2020, num patamar ainda não definido, que varia entre 15% e 30%. Já as nações desenvolvidas têm como meta, reafirmada no documento, reduzir as emissões, comparando com o nível de 1990, entre 25% e 40%, dentro de 11 anos.”
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12 Dezembro, 2009

Esboço de acordo prevê corte de emissões de até 95% até 2050

Até 2020, corte entre países ricos deve ser de até 40%; europeus darão US$ 3,6 bi por ano aos países pobres

Agência Estado e Associated Press

As emissões de gases causadores do efeito estufa devem ser cortadas em até 95% até 2050, tendo como base 1990, segundo um rascunho do acordo da conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que ocorre em Copenhague. A meta mínima para esse corte é de 50%, e outra meta possível é um corte de 85%, segundo o texto em discussão.

Os países ricos, segundo o rascunho, terão que cortar as emissões entre 25% e 40% até 2020, também usando 1990 como base. Mas os países ainda não fecharam um acordo. O vice-ministro do Interior da China, por exemplo, usou um tom bastante duro nesta sexta-feira quando disse que o principal negociador dos EUA, "não tinha senso comum" ou era "extremamente irresponsável" por ter dito que nenhum recurso financeiro dos americanos deveria ir para a China. Os dois maiores emissores de dióxido de carbono (CO2) e outros gases poluentes, EUA e China, trocaram farpas nesta semana sobre o quanto são sinceras suas propostas para reduzir as emissões.

O rascunho afirma que a temperatura da Terra não deve aumentar mais que 1,5º ou 2º Celsius, comparando-se com o período anterior à Era Industrial. Os países ricos devem se comprometer com metas com força de lei para cortar suas emissões de gases causadores do efeito estufa. Já as nações em desenvolvimento devem tomar ações para limitar o aumento de suas emissões, sustenta o rascunho.

A meta internacional de reduzir as emissões de CO2 para conter a mudança climática "deve estar baseada no melhor conhecimento científico disponível e apoiada em metas de médio prazo para redução de emissões, levando em conta responsabilidades históricas", afirma o texto. O rascunho é a primeira tentativa oficial de se trabalhar por um acordo final para o combate ao aquecimento global no encontro, na primeira das duas semanas de duração da conferência.”
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11 Dezembro, 2009

Código Florestal converte multa em compensação ambiental

Luciana Lima, Agência Brasil

“O produtor rural multado por desobedecer o Código Florestal poderá ficar isento de multa, caso regularize sua situação nos órgãos ambientais no prazo de 180 dias, a contar da data da notificação.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse hoje (11) que, para isso, o proprietário terá que, dentro do prazo estipulado, procurar um cartório e registrar termo de compromisso em recuperar a área.

Essa regra está prevista no Decreto Presidencial 6.514, publicado hoje, no Diário Oficial da União, que também estabeleceu o adiamento do prazo para o registro e compromisso de recuperação da reserva legal de propriedades rurais.

Segundo ele, a regra também valerá para aqueles que ainda não foram fiscalizados e que poderiam vir a ser multados. O ministro considerou que esse procedimento não é uma anistia para os que não cumpriram as regras, mas, sim, uma conversão da multa em serviços ambientais.

“O governo não está dando anistia, ele está convertendo em serviços ambientais a multa que a pessoa recebeu, que ainda não teve seu processo esgotado e que não pagou, desde que ela se adapte à nova legislação e aos novos prazos. Esse produtor tem agora um ano e meio para se regularizar. Se ele não foi notificado ainda, após esse período, ele poderá ser notificado e terá um prazo de 180 dias para se adaptar à nova legislação”, explicou.

Stephanes reconheceu que o prazo de 180 dias é apertado para que os proprietários rurais consigam realizar os procedimentos de adequação à nova legislação.

“Eu acredito, pessoalmente, que haverá muita dificuldade. Mas, de qualquer forma, foi o prazo estabelecido. O próprio decreto prevê uma facilitação para isso, com uma ajuda, principalmente, para os pequenos produtores, mas, mesmo assim, é um trabalho extremamente difícil, bastante complexo e o volume é muito grande. São milhões de propriedades”, destacou o ministro ao se referir ao Programa Mais Ambiente, criado para apoiar a regularização ambiental de pequenos e médios produtores.

O programa prevê assistência técnica, distribuição de mudas e sementes, capacitação e ações de educação ambiental. O Mais Ambiente também criou o Cadastro Ambiental Rural, um sistema eletrônico de identificação de propriedades por georreferenciamento. A adesão ao Mais Ambiente é gratuita e será facilitada para agricultores familiares e comunidades tradicionais.

O prazo para a adaptação, por decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não se aplica aos proprietários de terra localizados no bioma amazônico. Nesse caso, a adesão ao programa deve ser feita de imediato, sob risco de serem multados imediatamente.”

A conta por trás do clima: falta água no Himalaia

As geleiras do Himalaia retrocedem mais depressa que em qualquer outro lugar do planeta. Aldeias indianas já relatam problemas de abastecimento

Ana Gabriela Rojas, El País / UOL

No teto do mundo a água para beber escasseia. "Temos problemas de água potável. Os riachos que antes eram constantes agora trazem mais água algumas vezes e em outras estão secos. Não sabemos quando semear, porque as chuvas não vêm mais com precisão. Estamos à deriva, sem saber o que vai acontecer", explicou Skarma Dachen, uma agricultora de Ladakh, no Himalaia indiano.

Os efeitos do aquecimento climático começam a se fazer notar. As plantações se perdem devido a secas extremas, e os habitantes sofrem chuvas inconstantes e o derretimento das geleiras. "Até alguns anos atrás as montanhas ficavam totalmente cobertas de branco durante o inverno, agora só algumas têm neve na ponta", afirma Skarma.

As geleiras do Himalaia estão sem dúvida retrocedendo. Mas faltam estudos científicos precisos que analisem com que rapidez e qual é o efeito real provocado pela mudança climática, concordam os especialistas. De fato, na Índia se iniciou um grande debate antes da cúpula de Copenhague por conta das declarações do ministro do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, que afirmou que "não há evidência científica conclusiva que relacione o aquecimento global ao que está acontecendo nas geleiras do Himalaia". Depois ele retificou.”
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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10 Dezembro, 2009

Países emergentes têm proposta para acordo climático

Brasil, China, Índia e África do Sul pedirão que nações desenvolvidas reduzam emissões em 40% até 2020

Agência Estado

As principais economias emergentes do mundo, lideradas pela China, pedem uma emenda "com força de lei" ao Protocolo de Kyoto. Segundo essas nações, os países desenvolvidos devem reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa em mais de 40%, tendo como base os níveis de 1990, segundo um documento ao qual a France Presse teve acesso nesta quinta-feira, 10. O rascunho foi finalizado em 30 de novembro, após um encontro a portas fechadas em Pequim reunindo China, Brasil, Índia e África do Sul.

A iniciativa, liderada pelos chineses, foi concebida como uma réplica dos países em desenvolvimento a outro acordo apresentado pela Dinamarca, país que sedia o encontro entre os dias 7 e 18 deste mês em Copenhague.

O texto das nações em desenvolvimento coloca como meta que as temperaturas globais não aumentem mais de 2 graus Celsius até 2100, tendo como base as temperaturas registradas antes da Era Industrial. As nações ricas também concordam com essa meta.”
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Amorim: países ricos querem pegar carona na proposta dos EUA para reduzir emissões

Paula Laboissière, Agência Brasil

“Ao comentar as negociações da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou hoje (10) que os países ricos estão tentando “pegar carona” na proposta apresentada pelos Estados Unidos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 17% até 2020.

“É um jogo de cena”, disse, ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro. A meta norte-americana foi criticada até mesmo por países da União Europeia. “Esse famoso documento que vazou caminhava nessa direção, de colocar tudo no mesmo balaio”, completou Amorim, ao se referir a um texto divulgado no segundo dia da conferência.

Para ele, é preciso exigir que os países ricos se comprometam com metas compatíveis com a quantidade de poluição na atmosfera. Ele lembrou que o bloco europeu propôs reduções entre 20% e 40% e avaliou que um corte de 30% é o “minimamente razoável”. Amorim acredita, entretanto, que o acordo firmado entre o Brasil e a França pode funcionar como uma espécie de ponte para um maior comprometimento dos países ricos.

Outro assunto que gerou polêmica em Copenhague trata do financiamento reservado a países pobres e em desenvolvimento para que cumpram as metas apresentadas no encontro. Sobre essa questão, o ministro afirmou que o Brasil, mesmo como país em desenvolvimento, quer receber recursos, uma vez que apenas a proposta de redução do desmatamento da Amazônia em 80% até 2020 representa mais do que toda a meta apresentada pelo governo Barack Obama.

Perguntado se está confiante sobre a possibilidade de um acordo global ao final do encontro na Dinamarca, Amorim disse apenas que ser otimista faz parte de seu perfil profissional, mas admitiu que há sempre “uma pontinha de crítica” em relação ao assunto.

“Não quero ser a consciência do mundo, mas acho que os Estados Unidos deram um passo porque estavam em uma situação de negação, mas é um passo devagar. Eles querem ter tratamento de país em desenvolvimento. O mundo pode até aceitar isso por um tempo, mas é um progresso ainda muito pequeno em relação ao que é necessário.”

Congresso aprova meta de corte de emissões de gases do efeito estufa

Folha Online / Agência Câmara

“A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (9) as quatro emendas do Senado ao Projeto de Lei 18/07, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima.

A principal mudança é a inclusão, no texto, da meta de corte de emissões de gases do efeito estufa que o Brasil levou à Conferência do Clima, em Copenhague. O texto prevê um compromisso voluntário para a redução entre 36,1% e 38,9% das emissões de carbono na atmosfera estimadas para 2020. A matéria será enviada a sanção presidencial.

Pelo projeto, fica recomendado ao Executivo que, até 2020, o Brasil reduza as emissões dos gases de efeito estufa listados no Protocolo de Kyoto aos níveis de 1990, por meio da adoção do desmatamento zero no país até 2015, e da garantia de que nos próximos dez anos até 25% da eletricidade do país seja originária de fontes renováveis de energia.”

As questões da mudança climática na África

Tegegnework Gettu, Le Monde / UOL

“Desde 2008, os países da África intensificam seus esforços com a intenção de formar uma coalizão para as negociações em curso sobre a mudança climática. Agora, em Copenhague, eles se esforçam para enfatizar seu ponto de vista, suas preocupações e suas expectativas.

A África é muito vulnerável. As alterações climáticas comprometem as condições de vida das populações em um continente que já é vítima da pobreza, da degradação dos ecossistemas e dos problemas civis e sociais. Mais de 40% dos africanos vivem em pobreza extrema, e, entre eles, 70% vivem nas zonas rurais, sobrevivendo essencialmente da agricultura. As mudanças climáticas atingem os agricultores, desde o Sahel até as terras altas do Lesoto. Elas poderiam provocar o aparecimento de novas epidemias propagadas pelos mosquitos em países como o Quênia e Uganda. A frequência das tempestades e das inundações poderá causar a destruição da infraestrutura de base e de moradias em Madagascar, Moçambique e em diversas outras regiões costeiras.

Qualquer projeto de acordo global sobre as questões climáticas deve comportar disposições que favoreçam o desenvolvimento dos países africanos e outras regiões em desenvolvimento. Também é incontestável que o desenvolvimento econômico e humano do continente africano não pode mais ser baseado no modelo dos países já desenvolvidos, grandes emissores de gases causadores do efeito estufa.

Um acordo como este também deve permitir que se avalie a maneira como o próprio continente pode contribuir para a solução de seus problemas. A África não é a causa da mudança climática porque ela só produz 3,8% do total das emissões de gases do efeito estufa no mundo, e isso somente há muito pouco tempo. Ou seja, sua capacidade de participar da luta contra as mudanças climáticas geralmente é ignorada ou subestimada. Sua cobertura florestal, por exemplo, retém 20% do total do gás carbônico absorvido pelas árvores do mundo. Quanto aos solos férteis do continente, eles contêm uma parte igualmente elevada do CO2 mundial produzido pela agricultura.”
Tradução: Lana Lim
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09 Dezembro, 2009

BNDES aprova os primeiros cinco projetos do Fundo Amazônia

Envolverde, BNDES

“A diretoria do BNDES aprovou os primeiros cinco projetos que receberão recursos do Fundo Amazônia. No total, serão desembolsados R$ 70,3 milhões, destinados à prevenção e contenção de desmatamento, levantamento de dados ambientais e fundiários de propriedades rurais e restauração de áreas degradadas.

Os projetos apoiados pelo Fundo Amazônia foram apresentados pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS); Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon); Instituto de Conservação Ambiental “The Nature Conservancy do Brasil” (TNC Brasil); Instituto Ouro Verde; e Funbio. Os programas, em conjunto, abrangem os Estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Roraima, Rondônia, Acre e Tocantins.

A FAS receberá R$ 19,2 milhões para ampliar o Programa Bolsa Floresta. Veja aqui o projeto da Fundação. (http://envolverde.ig.com.br/materia.php?cod=67088&edt=1). O Imazon receberá R$ 9,7 milhões que serão destinados a ações para mobilizar as comunidades de 11 municípios do Pará para levantar dados ambientais e rurais e acelerar a adesão dos proprietários ao Cadastro Ambiental Rural. O Instituto de Conservação Ambiental (TNC Brasil) receberá R$ 16 milhões para atuar em 12 municípios mobilizando a população a integrar o Cadastro Ambiental Rural.

O Projeto Semente do Portal, do Instituto Ouro Verde, terá R$ 5,4 milhões para recuperar 1,2 mil hectares de áreas degradadas e promover o resgate da agricultura familiar em seis municípios que compõem o Território Portal da Amazônia, em Mato Grosso.”
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Jornal vaza esboço de documento elitista em Copenhague

O segundo dia da conferência sobre a mudança climática realizada em Copenhague, capital dinamarquesa, foi marcado por um escândalo que provocou a indignação dos países em desenvolvimento. O jornal britânico The Guardian publicou o esboço de documento final da conferência feito pelo país sede, no qual se daria mais poder aos países ricos e poria as Nações Unidas em uma posição secundária em relação às futuras negociações sobre o tema.

Vermelho.org / The Guardian

Segundo o The Guardian, o chamado Texto Dinamarquês, elaborado em segredo por um grupo que ficou conhecido como "círculo do compromisso", foi finalizado nesta semana e mostrado a um grupo muito restrito de países. O texto seria revelado apenas no final da conferência.

No texto, os líderes presentes ao encontro seriam convidados a assinar um acordo que dá mais poder aos países ricos e remete as Nações Unidas para um lugar secundário nas futuras negociações sobre alterações climáticas.

Além disso, estabelece limite diferentes para as emissões per capita de países desenvolvidos e em desenvolvimento até 2050. Ao segundo grupo de países será permitido emitir quase o dobro de gases, segundo revelou o jorna britânico.

O texto abandona os princípios do Protocolo de Quioto, no qual as nações ricas, responsáveis pela maior parte das emissões de CO2, assumiam a liderança no combate ao efeito de estufa, enquanto as nações mais pobres poderiam agir em menor escala.

O documento entrega ainda ao Banco Mundial a responsabilidade de financiar o combate às alterações climáticas.”
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08 Dezembro, 2009

Brasil fará pressão por ajuda de países ricos aos emergentes, diz Minc

O Brasil pretende fazer “grande pressão” para que os projetos das nações emergentes para a redução de gases estufa sejam também beneficiados com recursos públicos das nações ricas, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, nesta terça-feira. O anúncio foi feito após um encontro com a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, no qual discutiram as estratégias brasileiras que serão levadas à 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague.

US / ABr

Segundo Minc, os negociadores brasileiros que já estão na capital dinamarquesa têm tido dificuldade para acertar os pontos de um acordo que trata da questão da criação do Fundo Global, uma espécie de financiamento dos países ricos às ações para tornar sustentável o crescimento econômico nas próximas décadas.

Minc disse que o Brasil pretende cumprir sua meta de redução de emissões de gás carbônico (CO2), no entanto, ressaltou que para isso serão necessários recursos internos e também externos. “Vamos discutir com eles [os países ricos]. Vamos dizer que os recursos que eles estão colocando na mesa são insuficientes, tanto para a redução das emissões quanto para evitar a desertificação e as inundações. Não aceitamos isso. Com esses recursos, o problema das mudanças climáticas não será solucionado.”

Sobre a possibilidade de o Brasil recuar em relação à sua meta de redução da emissão de gás carbônico, caso fique de fora do Fundo Global, Minc lembrou que as medidas para diminuir o desmatamento da Amazônia e reduzir a emissões de gases serão transformados em lei.”
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Latino-americanos 'são os mais preocupados com aquecimento', diz pesquisa da BBC

Os latino-americanos se disseram os mais preocupados com o aquecimento global, em uma pesquisa da BBC realizada com 24 mil pessoas em 23 países.

BBC Brasil

No levantamento, feito pela empresa GlobeScan, 86% dos chilenos e brasileiros disseram considerar a mudança climática “um problema muito sério”.

A diferença é que, enquanto 2% dos brasileiros consideram que este não é “em absoluto um problema sério”, essa resposta não chegou a pontuar entre os chilenos.

Na região, costarriquenhos (83%) e mexicanos (81%) deram sequência à lista. Fora da América Latina, este nível de preocupação só foi demonstrado nas Filipinas (83%) e na Turquia (81%).

Já nos dois países que lideram o ranking das emissões de gases que causam o efeito estufa, China e Estados Unidos, a seriedade do problema foi considerada menor.

Na China, 57% dos entrevistados disseram que a mudança climática é “um problema muito sério”, e essa resposta foi a escolha de apenas 45% dos americanos.

Os EUA são também o país onde mais entrevistados consideram que as mudanças do clima “não são em absoluto um problema sério” – 12%.”
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Wolf: Por que Copenhague deve ser o fim do início

Martin Wolf, Financial Times

"O encontro de cúpula sobre a mudança climática em Copenhague terá resultados aquém dos esperados. Isso importa? Sim e não: sim, porque o argumento em prol de uma ação é forte demais; não, porque o acordo provável seria inadequado. Tratar da mudança climática será difícil. É crucial atingirmos a meta de forma eficaz. Os prováveis novos adiamentos deveriam ser usados para conseguir exatamente isso.

Meu entendimento de que uma ação decisiva é justificada é contencioso. Os céticos oferecem dois contra-argumentos: primeiro, de que a ciência por trás da mudança climática é altamente incerta; segundo, o de que os custos excedem os benefícios.

Sim, não basta argumentar que a ciência é incerta. Dados os riscos, nós temos que nos certificar de que a ciência está errada antes de seguirmos os céticos. Quando soubermos que não está, provavelmente será tarde demais para agir de forma eficaz. Nós não temos como repetir a experiência tendo apenas um planeta.

Felizmente, a evidência sugere que os custos da ação não devem ser proibitivos. O mais recente Relatório de Desenvolvimento Mundial do Banco Mundial argumenta que os custos de restrições mais rígidas contra emissões seriam modestos. No lado do benefício, eu destacaria a importância de evitar o risco de uma catástrofe climática. Nós não temos o direito de correr esses riscos.

Todavia, os céticos prestam um serviço valioso. Eles nos estimulam a continuarmos monitorando os desdobramentos de fato do clima. Eles também nos dizem que a ação tem um custo e alguns custos - deixando bilhões de pessoas na miséria - seriam intoleráveis. Felizmente, como nota o Banco Mundial, os pobres emitem pouco. A redução das emissões obtida com a troca da frota norte-americana de veículos utilitários esportivos por carros com padrões de economia de combustível da União Europeia compensaria as emissões do fornecimento de eletricidade para 1,6 bilhão de pessoas atualmente sem acesso a ela.”
Tradução: George El Khouri Andolfato
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07 Dezembro, 2009

Lula: Brasil apresentará meta ousada em Copenhague

Edson Sardinha, Congresso em Foco

“Em seu programa semanal de rádio, o presidente Lula reiterou hoje (7) a necessidade de os países chegarem a um acordo na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 15), que começa nesta segunda-feira na Dinamarca. Segundo Lula, as nações desenvolvidas precisam seguir o Brasil e apresentar metas de redução dos gases que provocam o chamado efeito estufa.

A proposta brasileira tem como compromisso reduzir, de forma voluntária, entre 36,1% e 38,9% a emissão desses gases até 2020. “É uma proposta extremamente ousada. E, por conta dessa proposta, os países começaram a apresentar números. O Obama, presidente Obama, apresentou número. Os chineses apresentaram número”, disse o presidente.

“E nós achamos que, até chegar Copenhague, os países vão se colocar de acordo, porque é preciso ter um número para diminuir as emissões, é preciso que tenha financiamento para o sequestro de carbono, e, sobretudo, é preciso ter financiamento para que a gente ajude os países pobres a terem um desenvolvimento sustentável, mas sólido. Temos que tomar uma decisão agora e começar a trabalhar para diminuir o aquecimento global”, acrescentou.”
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Brasil teme manobra para derrubar financiamento contra aquecimento global

Roberto Maltchik, Agência Brasil

“As negociações do primeiro dia da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) pôs em alerta o Brasil e outras nações pobres e em desenvolvimento que participam das discussões. O G-77, bloco de países composto por 77 nações, entre as quais Brasil, Índia e África do Sul, teme que esteja em andamento uma manobra para limitar o financiamento dos países ricos às ações para tornar ambientalmente sustentável o crescimento econômico nas próximas décadas.

O receio é fundamentado pelo avanço da recente proposta de estabelecer como acordo, aqui em Copenhague, a destinação de U$ 30 bilhões para as ações de mitigação nos próximos três anos. A tese, defendida pelo Brasil, é de que esse é apenas um compromisso de curto prazo. Para que se chegue a um entendimento, seria preciso bater o martelo sobre o investimento previsto para os próximos dez anos.

“A tendência dos países em desenvolvimento é não se comprometer apenas com um dinheiro inicial que vai durar só até 2012. Já que a mudança do clima é um problema urgente e o desafio é de longo prazo, o financiamento também tem que ser urgente e de longo prazo”, garante o negociador chefe do Brasil, Luís Alberto Figueiredo.
De acordo com o Banco Mundial, o combate ao aquecimento global demanda investimentos anuais de até U$ 270 bilhões. O próprio secretário-geral da Conferência, Yvo de Boer, afirmou que, além do investimento de curto prazo, é preciso assegurar outras “centenas de bilhões de dólares” para que a negociação seja bem sucedida.

O pesquisador Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, lembra que esse dinheiro é fundamental para os países insulares da África e da Ásia, ameaçados diretamente pelo aumento do nível dos oceanos provocado pelo degelo dos polos.

“Não acredito que este seja um dinheiro que deva ser utilizado pelo Brasil para combater o desmatamento da Amazônia”, adverte.
No entanto, o governo brasileiro acredita que esses recursos devem estimular os chamados Redás, projetos para permitir que os donos de terras na floresta invistam em serviços ambientais, como o reflorestamento e a recuperação de áreas degradadas.

O cientista chefe da organização não governamental Oceana, Mike Hirshfield, residente nos Estados Unidos, admite que a COP-15 corre efetivamente o risco de ficar sem acordo por causa do impasse sobre o financiamento. “Essa realmente é uma preocupação que deve ser levada em conta pelos países em desenvolvimento”, alerta.”
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