30 Novembro, 2009

Frio atípico surpreende brasileiros na Antártida; degelo continua em outras áreas

Eduardo Geraque, Folha Online

“O domingo foi de neve na baia do Almirantado. O vento forte fez ondas se formarem no mar. A vista das janelas da estação brasileira Comandante Ferraz é bloqueada pelo acúmulo de mais de dois metros de altura de neve. No fundo da baía, grande parte do mar permanece congelada.

Os mais experientes olham para o calendário e se surpreendem. Nesta época, verão no hemisfério Sul, é comum que não exista mais neve em frente à estação.

Quem dá sustentação para a impressão dos pesquisadores antárticos é Heber Passos, ele mesmo um veterano na ilha Rei George, que abriga a estação antártica brasileira.

O técnico do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) vive em um módulo separado da base, no alto de um morro próximo. Lá, ele registra tudo sobre as condições meteorológicas de toda a área.”
Eduardo Knapp, Folha Imagem
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Lançado no Rio projeto de plantio de 1 milhão de mudas de árvores da Mata Atlântica

Alana Gandra, Agência Brasil

“A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e o Instituto Bio Atlântica lançaram hoje (30) o Projeto Cultivar, cujo objetivo é plantar 1 milhão de árvores de Mata Atlântica e conscientizar a sociedade sobre a necessidade de enfrentar o problema das mudanças do clima. O projeto será levado a todos os cursos do Serviço Social da Indústria e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Sesi/Senai).

Hoje, no lançamento do projeto, 400 alunos do Sesi e do Senai e de escolas públicas plantaram as primeiras mil mudas na comunidade do Batan, em Realengo, na zona oeste da cidade. Matriculam-se anualmente nas duas instituições cerca de 200 mil alunos e todos eles terão incluído o conteúdo sobre mudanças climáticas e reflorestamento entre as disciplinas estudadas.

O gerente de Meio Ambiente do Sistema Firjan, Luís Augusto Azevedo, informou que a meta de plantio de 1 milhão de árvores de Mata Atlântica deverá ser alcançada nos próximos cinco anos. "É um projeto educacional que visa à mudança de consciência, de atitude das pessoas, e isso será feito de forma prática, plantando árvores”, disse Azevedo, em entrevista à Agência Brasil.

O projeto identificou 52 espécies nativas da Mata Atlântica e prevê o plantio de 200 mil mudas anualmente.”
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Brasil assume liderança contra aquecimento global

Jean-Pierre Langellier, Le Monde / UOL

"O Brasil se posiciona resolutamente na liderança da luta contra o aquecimento climático. Agora assumindo com orgulho um papel de líder entre os países do Sul, o presidente Lula quer chegar a Copenhague com um texto que tenha força de lei, prova de sua vontade política.

Um ano atrás, o Brasil havia anunciado um "Plano Nacional de Mudanças Climáticas" no qual se comprometia a reduzir "de maneira constante" o desmatamento. Essa promessa não foi acompanhada por nenhuma data. Essa relativa timidez tinha diversas causas. O lobby do agronegócio, influente em Brasília e amplamente sustentado pelo ministério da Agricultura, exercia pressões hostis a qualquer medida que fosse restritiva demais para os produtores agrícolas e os pecuaristas.

Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e futura candidata do partido de Lula, temia que objetivos ambientais com números e datas determinadas entravassem, em plena crise, o plano plurianual "de aceleração do crescimento", um conjunto de grandes obras de infraestrutura, dotadas de US$ 290 bilhões (R$ 505 bilhões), pelo qual ela é responsável.

No decorrer do ano de 2009, as disposições mudaram. Após seis meses de recessão, o Brasil saiu da crise, incólume e com a moral em alta. A aproximação de Copenhague apressou a reflexão. Em julho de 2009, durante uma reunião dos países emergentes à margem do G8 de L'Aquila, o Brasil pareceu apoiar a posição chinesa que consiste em jogar a culpa sobre os países industrializados do Norte, poluidores históricos, e em recusar, por esse fato, a se associar a seus esforços para reduzir os efeitos do aquecimento.

A nova política brasileira em matéria de meio ambiente, anunciada em 13 de novembro, marca uma verdadeira ruptura. O Brasil promete aquilo que nem a China, nem a Índia, nem a Rússia - os outros BRIC - parecem dispostas a fazer. Ele assume "o compromisso voluntário" de reduzir em até 39% suas emissões de gás de efeito estufa em relação às previsões de 2020. Ele as limitará a 1,6 bilhão de toneladas, no lugar dos 2,7 bilhões previstos caso nada fosse feito, ou seja, menos que os 2,1 bilhões emitidos em 2005 - o ano recorde - e pouco mais que o 1,5 bilhão descartado em 1994. O Brasil é considerado, segundo cálculos, o quarto ou quinto maior emissor mundial de gás de efeito estufa, em razão sobretudo das queimadas que acompanham o desmatamento da Amazônia e provocam, sozinhas, cerca de 60% das emissões.”
Tradução: Lana Lim
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A alma da natureza, já tão esquecida

Washington Novaes, Revista Eco 21 / Envolverde

“Anuncia-se que foi concluído pelo Governo Federal projeto que libera, mediante licitação, projetos de mineração em áreas indígenas (que constituem quase 13% do território nacional), bem como proíbem vetos dos índios a projetos de usinas hidrelétricas em suas áreas. É tema que exige muito cuidado - basta lembrar que grupos indígenas do Pará estão indignados por não haverem conseguido manifestar-se nas audiências públicas sobre a Hidrelétrica de Belo Monte, que também estão sendo impugnadas na Justiça pelo Ministério Público Federal -, embora o presidente do IBAMA considere "maluquice" os argumentos de todos esses interlocutores e os de cientistas (como os que fizeram estudo na Unicamp) sobre a possibilidade de conservação de energia no País.

A primeira razão para cuidado está em que todos os estudos sobre conservação da biodiversidade apontam as áreas indígenas como o melhor formato para isso. E quando se introduzem valores de outras culturas (como a permissão para receber royalties na mineração), o quadro muda e com ele todo o modo de viver, inclusive os formatos que permitem conservar a biodiversidade. Para que se tenha ideia do que pode ser a biodiversidade conservada, um relatório citado pela ONU - Sistemas Alimentares dos Povos Indígenas, Universidade McGill - lista as espécies de que se alimenta um único grupo, o Karen, na Birmânia: 317 de alimentos, 208 de hortaliças, 62 de frutas. Compare-se com um morador das cidades. Mas, dos 370 milhões de índios no mundo, um décimo vive em "extrema miséria", exatamente por haver-se aculturado.

Um exemplo valioso pode ser encontrado no Parque Indígena do Xingu. Na década de 70, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo, liderados pelo professor Roberto Baruzzi, acompanharam durante anos a alimentação, os hábitos e o estado de saúde de vários grupos da reserva. E não encontraram um só caso de doença cardiovascular, pois não havia ali nenhum dos fatores genéticos nem os gerados pela alimentação (obesidade), sal, fumo, álcool, vida sedentária e outros. Passados 30 anos e intensificado o contato com as cidades, a obesidade já atinge 76,4% das índias xinguanas e 50% dos homens apresentam sintomas de hipertensão.”
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29 Novembro, 2009

Metas da China de redução de emissão de gases não são garantidas

Jornal do Brasil

“Embora a China tenha anuncido que cortaria até 2020 as emissões de carbono entre 40% e 45% por cada unidade do PIB – índice mais conhecido como intensidade energética – o gigante emergente sinalizou sexta-feira ao mundo que a fiscalização sobre o cumprimento desta meta não será muito fácil.

Yu Qingtai, o embaixador da China para a mudança climática, afirmou sexta-feira que apenas as reduções nas emissões executadas com apoio financeiro internacional estariam abertas à auditoria externa. E, segundo suas próprias palavras, estas reduções financiadas são “proporcionalmente” muito pequenas em relação às emissões totais de CO2do país.

Ele enfatizou que a meta chinesa é uma política voluntária e interna:
– Não se pode aplicar o mesmo tipo de fiscalização a medidas que tomamos por conta própria, com recursos próprios, para ações tomadas com o apoio internacional.

A professora do Instituto de Geoquímica da UFF, Cátia Fernandes Barbosa, já havia manifestado sua preocupação quanto ao cumprimento da meta anunciada pela China na edição do JB de sexta-feira. Segundo ela, por se tratar de um país com governo autoritário, a possibilidade de se acompanhar o processo de redução de emissão por parte da comunidade científica internacional será bem complicado.”
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28 Novembro, 2009

Charge do Lute

Países amazônicos pedem metas de redução de emissões de CO2

Do R7

“Os países que compartilham a Amazônia pediram nesta quinta-feira (26) que a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em dezembro em Copenhague, defina não só metas de redução das emissões de gases do efeito estufa, como o CO2 (dióxido de carbono), mas também os recursos financeiros necessários para ajudar os países em desenvolvimento a combater o fenômeno.

A reunião foi convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, também foi convidado e compareceu ao evento dos países da Amazônia, realizado em Manaus, por ser representante de um território amazônico: a Guiana Francesa. Ele cobrou dos países desenvolvidos um compromisso para a redução da emissão desses gases na atmosfera.

– Devemos ter em Copenhague números que limitem as emissões (de gases do efeito estufa) e números que limitem o aumento da temperatura.”
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27 Novembro, 2009

Brasil e França pedem crédito de ricos contra aquecimento global

As nações ricas devem oferecer mecanismos de financiamento às mais pobres para o combate às mudanças climáticas, cobraram presidentes e representantes de países amazônicos e da França reunidos na capital do Amazonas nesta quinta-feira.

Fernando Exman, Reuters

"Os pobres têm que ser apoiados sem que nenhum país abra mão de sua soberania", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista após o encontro.

Nicolas Sarkozy, presidente francês, também exigiu recursos, além de cobrar que os países ricos apresentem metas numéricas para a redução dos gases do efeito estufa na reunião de cúpula do clima em Copenhague, na Dinamarca, em dezembro.

"Copenhague deve prever somas provenientes dos países desenvolvidos em direção aos países em desenvolvimento", disse, destacando que os compromissos devem ser para desembolsos a serem realizados a curto prazo.

Para Sarkozy, 20 por cento dos desembolsos --provenientes do mercado de carbono, créditos públicos e mecanismos inovadores-- deveriam ser direcionados para a preservação de florestas.

"É preciso que cada um encontre vantagem, que ninguém se sinta enganado", comentou o presidente da França.”
Foto: Paulo Whitaker, Reuters
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26 Novembro, 2009

China promete reduzir em até 45% emissão de gases até 2020

Agência Brasil

“O governo chinês anunciou o compromisso de reduzir até 2020 sua intensidade de carbono entre 40% e 45%, comparada aos níveis de 2005. A intensidade de carbono é uma mensuração própria do país e corresponde ao montante de dióxido de carbono emitido para cada unidade de seu Produto Interno Bruto (PIB). As informações são da BBC Brasil.

Em comunicado, o governo chinês explicou que se trata de uma ação voluntária. “Esta é uma ação voluntária tomada pelo governo chinês com base nas suas próprias condições nacionais e uma grande contribuição com os esforços globais de combate à mudança climática", afirmou o comunicado reproduzido na agência oficial chinesa.

O anúncio foi feito a duas semanas da reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, na Dinamarca. A China é o maior emissor de gases que causam o efeito estufa, seguida pelos Estados Unidos. Os dois países são os que mais resistem em reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Ontem (25) a Casa Branca informou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai propor, em Copenhague, um plano de redução das emissões americanas de gases de efeito estufa em etapas, com cortes de 17% até 2020, 30% até 2025, 42% até 2030 e 83% até 2050. Obama confirmou sua presença na conferência.

As propostas feitas por China e Estados Unidos aumentam as expectativas de um resultado positivo na reunião de Copenhague. A cúpula tem por objetivo chegar a um acordo que substitua o Protocolo de Quioto, que não foi ratificado pelos Estados Unidos e expira em 2012.”

Serviço Florestal apresenta levantamento inédito sobre REDD no Brasil

Carine Corrêa, do MMA / Envolverde

“O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) apresentou nesta terça-feira (24/11) o primeiro levantamento das ações de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) realizadas no Brasil. O objetivo é sistematizar informações de projetos que estão sendo implementados no País.

Dos 18 projetos apresentados, quinze estão na região amazônica e dois no Vale do Ribeira. O Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES com cooperação do SFB, também foi computado, pois já utiliza o conceito para apoiar projetos de combate ao desmatamento. As informações levantadas vão fortalecer as ações de REDD no país e o governo brasileiro pretende defender a ideia desse mecanismo de mitigação de gases de efeito estufa nas negociações da COP-15, em Copenhague.

De acordo com o levantamento, os projetos ainda são incipientes e estão distribuídos em propriedades públicas, privadas e terras indígenas. Apenas 12% deles estão implementados, sendo que 53% estão em fase de elaboração e os outros 35% ainda estão em processo de negociação de créditos e captação de recursos.

No documento foram incluídos ainda os conceitos de REDD Plus, que abrange o manejo florestal, e REDD Plus Plus, que implica no sequestro de carbono.

As fontes de financiamento são fundos públicos, mercado de crédito de carbono e de responsabilidade social corporativa (RSC). As instituições envolvidas na gestão dessas iniciativas são empresas, ONGs e os governos federal e estaduais. A maior parte dos projetos tem enfoque em redução de desmatamento evitado (61%), seguidos por conservação (29%) e degradação evitada (10%).

Segundo Osvaldo Stella, pesquisador do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam), o estado do Mato Grosso já foi considerado o maior responsável pelo desmatamento, e atualmente é o que mais investe na redução desta prática, graças a várias iniciativas de REDD implementadas na região.

Osvaldo explica que muitos produtores matogrossenses já estão se comprometendo com a conservação da vegetação nativa e do solo, e com a disposição adequada de resíduos, para que estes não se transformem em fonte de contaminação ambiental.

Dos projetos mapeados, seis estão no Mato Grosso, cinco no Pará, quatro no estado do Amazonas e dois no Paraná. O Fundo Amazônia tem abrangência nacional.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participou do lançamento do documento e pretende levá-lo ao presidente Lula para que seja apresentado na reunião com presidentes dos países da Amazônia, nesta quinta-feira (26/11), em Manaus.”
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25 Novembro, 2009

Por trás dos números

Marina Silva, Terra Magazine

“Diariamente os meios de comunicação divulgam estudos, relatórios e projeções sobre as mudanças climáticas. Estamos na reta final dos preparativos para a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15) em Copenhague, na Dinamarca, e aumenta a pressão sobre os países para que sejam feitos todos os esforços para que saia um acordo na reunião.

Essa pressão crescente da sociedade fez com que nestes poucos dias que antecedem ao encontro, muitos países apresentassem suas metas. O Brasil foi um deles. E ao que tudo indica, é possível que os Estados Unidos também o façam. Diante das expectativas, há esperança de um acordo global, apesar do descrédito em relação ao que foi feito até agora pelas lideranças mundiais.

Crescem também as discussões sobre os percentuais de redução das emissões já apresentados. E fica difícil para a maior parte da população entender se o que é tido como boa notícia, de fato é.

A meta brasileira, apresentada há duas semanas, exemplifica bem essa dificuldade. A proposta prevê a redução das emissões projetadas até 2020 entre 36,1 e 38,9%. Contudo, como não foi divulgada ainda a atualização do inventário nacional sobre as fontes de emissões e potenciais sumidouros de carbono, tampouco os cenários tendenciais, fica difícil traduzir a estimativa em metas reais.

Segundo projeções do governo, o país estará emitindo em 2020 cerca de 2,7 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, caso nenhuma medida de mitigação seja tomada.”
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Brasil pode perder R$ 3,6 trilhões até 2050 por causa das mudanças climáticas

Luana Lourenço, Agência Brasil

"Qual será o custo das mudanças climáticas para o Brasil? Onze instituições do país fizeram a conta e calculam um prejuízo que pode chegar a R$ 3,6 trilhões até 2050. De acordo com o estudo Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades, que será lançado hoje (25), as perdas econômicas equivalem a pelo menos um ano inteiro de crescimento jogado no lixo se nada for feito para evitar os impactos da mudança do clima em setores como agricultura e energia e em regiões como a Amazônia e as zonas costeiras.

Inspirado no Relatório Stern, estudo britânico que em 2006 calculou o custo da mudança climática em 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global, a pesquisa brasileira parte de cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) para calcular o impacto do aquecimento global nas contas do país.

No primeiro cenário, o Brasil chegaria a um PIB de R$ 15,3 trilhões em 2050, mas perderia 0,5% (R$ 719 bilhões) por causas das mudanças do clima. No segundo, considerando uma trajetória de crescimento mais limpo, o PIB chegaria a R$ 16 trilhões, mas as perdas seriam de 2,3% (R$ 3,6 trilhões).

Coordenadora operacional do projeto, a pesquisadora da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Carolina Dubeux, afirma que é preciso deixar claras as consequências macroeconômicas da mudança do clima, que não se restringem aos debates científicos e ambientais.

“O impacto do clima ainda vai ser modesto em 2050, ainda assim na economia será bastante grande. Há uma tendência de redução do PIB em função da mudança climática. E no Brasil isso vai aumentar as disparidades regionais”, cita.”
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Governo estende redução de IPI até março para carros que poluem menos

Wellton Máximo, Agência Brasil

"Os automóveis com motor flex, que são movidos a álcool e a gasolina, e aqueles movidos exclusivamente a álcool continuarão a pagar menos imposto. O governo estendeu, até o final de março, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos do tipo, de modo a estimular a produção de veículos que poluem menos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou há pouco a medida.

Para os carros flex e a álcool de até 1 mil cilindradas, a alíquota será mantida em 3% até 31 de março. O governo desistiu de seguir a escala de recomposição, que previa o retorno da alíquota a 7% em janeiro. Os automóveis de até 2 mil cilindradas continuarão a pagar 7,5% de IPI também até março, em vez de voltar a pagar 13% em janeiro.

O governo manteve o cronograma de recomposição das alíquotas para os carros a gasolina, tanto de mil como de até 2 mil cilindradas, que voltarão a pagar as alíquotas originais em janeiro.

Em relação aos caminhões, o governo prorrogou a isenção de IPI até junho de 2010. Segundo Mantega, o objetivo é estimular a renovação da frota, que tem idade média de 18 anos. O ministro da Fazenda informou que a extensão das desonerações terá impacto de R$ 1,3 bilhão nos cofres públicos.

De acordo com Mantega, a desoneração não tem como objetivo aumentar as vendas de veículos, mas estimular a inovação e o desenvolvimento tecnológico do setor, recompensando os veículos que poluem menos e rendem mais.

“Essas ações pretendem estimular um menor consumo de energia para preservar o meio ambiente. É importante lembrar que o Brasil está indo para Copenhague com propostas bastante fortes na redução das emissões de gás carbônico”, afirmou, referindo-se à reunião, dos países das Nações Unidas, que discutirá a questão climática em dezembro. Mantega acrescentou que propostas ambientais semelhantes na compra de carros também foram adotadas pela Alemanha.”
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24 Novembro, 2009

PF faz operação para combater crimes ambientais em município paranaense

Lúcia Nórcio, Agência Brasil

“A Polícia Federal coordena na manhã de hoje (24) a Operação Tolerância Zero para reprimir crimes ambientais na área do Assentamento Celso Furtado, em Quedas do Iguaçu, no Paraná. O objetivo é reprimir a atuação criminosa de madeireiras que extraem e comercializam madeira de forma ilegal em 11 municípios localizados nas regiões centro-oeste, sudoeste e oeste do estado.

Participam da operação 550 agentes entre policiais federais, militares, da Força Verde, funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Dezenas de viaturas e helicópteros estão sendo usados para auxiliar no cumprimento de 29 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal em Cascavel e de 95 ordens para busca e apreensão e para interdição de serrarias.

Segundo a Superintendente do Incra no Paraná, Claudia Sonda, a ação ilegal das madeireiras externas ao assentamento tem causado tanto danos ambientais quanto econômicos ao erário, portanto, "devem sempre ser combatidas com firmeza”. Ao todo, de acordo com ela, foram encaminhadas pela superintendência regional à Policia Federal 24 denúncias de irregularidades.

As investigações foram coordenadas pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Meio Ambiente. De acordo com o relatório, os acusados invadiram o assentamento e expulsaram famílias assentadas. Segundo a PF, associações de madeireiros da região exploravam e comercializavam madeira extraída do assentamento, uma área de plantação de araucária, de patrimônio da União.

Os presos serão interrogados na delegacia da PF em Cascavel, para onde será encaminhado o material arrecadado nas buscas.

O Assentamento Celso Furtado está situado nas terras que faziam parte da fazenda Giacomet Marodin, em Quedas do Iguaçu. De acordo com o Incra, a área da fazenda, com 82,6 mil hectares, é o maior latifúndio contínuo da região Sul do Brasil.”

charge do Dálcio, Correio Popular


EUA devem anunciar metas para redução de emissões

Fonte da Casa Branca diz que anúncio deve ser feito antes de encontro de Copenhague.

G1 / BBC

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve anunciar, nos próximos dias, as metas do país para a redução dos gases que causam o efeito estufa, segundo informou um alto funcionário da Casa Branca.

O funcionário, que não quis identificar-se, disse também que Obama anunciará se vai comparecer à Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Copenhague, no mês que vem.

Até agora, 65 líderes já confirmaram a presença no evento, na Dinamarca, entre 7 e 18 de dezembro, que deve produzir um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas para substituir o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.”
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23 Novembro, 2009

Cúpula sobre clima da ONU tem presença confirmada de 60 líderes mundiais

Folha Online / EFE

“Mais de 60 chefes de Estado e de governo de todo o mundo confirmaram até agora presença na cúpula mundial sobre clima das Nações Unidas, marcada para dezembro em Copenhague, anunciou o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen, nesta segunda-feira (23).

No entanto, um dos líderes mais aguardados, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda não confirmou presença na capital dinamarquesa.

Também está aberta ainda a ida à cúpula dos líderes de China e Índia, países que são considerados fundamentais na luta contra o aquecimento global no planeta.”
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Indústria poluidora banca campanhas

Empresas que produzem grande quantidade de gases-estufa doaram R$ 60,8 milhões para políticos na eleição de 2006. Principais contribuições são da área do aço e de fábricas de papel e celulose; lobby é discreto porque país já ajuda poluidores, diz especialista

Folha de São Paulo

Um grupo de 38 empresas, pertencentes a áreas da indústria que emitem grande quantidade de gases-estufa, contribuíram R$ 60,8 milhões para campanhas políticas nas eleições de 2006 no Brasil.
Os doadores pertencem a 12 associações nacionais representando indústrias de grande intensidade de carbono (ou seja, que produzem grande quantidade de gases do aquecimento global), como agronegócio, energia, carne, papel e celulose, cimento, mineração, óleos vegetais e siderurgia.

Em parte porque não existem regulamentações para o emprego de lobby no Brasil, não se pode estimar se essas contribuições de campanha estão ligadas à legislação sobre a mudança climática. Mas elas são capazes de abrir portas. O financiamento vindo das indústrias intensivas em carbono ajudou a eleger metade da comissão da Câmara dos Deputados que está considerando mudanças no Código Florestal.

Nesse caso, após intensa disputa, os deputados ruralistas conseguiram eleger Moacir Micheletto (PMDB-PR) como presidente da comissão. Sua proposta é deixar a legislação ambiental a cargo de cada Estado.

Entre os financiadores de Micheletto estão a Bunge Alimentos (com contribuição de R$ 70 mil) e a produtora de carne Marfrig (R$ 30 mil).

A comissão conjunta de mudança climática, criada em março deste ano para discutir leis sobre o tema, tem menos membros financiados por indústrias de grande intensidade de carbono. Apenas 11 de seus 44 membros receberam doações desses setores da economia.
Ao todo, 25 dos 27 partidos políticos do país foram agraciados com essas contribuições em 2006. A maior concentração foi para o PSDB e o Democratas (então PFL), que respondem por 38% das doações totais. Junto com o PMDB, esses dois partidos de oposição perfazem 54% do montante.”
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22 Novembro, 2009

Falta de metas para Copenhague é 'absurdo', afirma Dilma

O Brasil já assumiu publicamente o compromisso de reduzir de 36,1% a 38,9% as emissões de CO2

Equipe AE

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, qualificou de "absurda" a possibilidade de os países desenvolvidos deixarem de apresentar metas concretas de redução de gases causadores do efeito estufa, em dezembro, na conferência das Nações Unidas sobre o clima em Copenhague. O Brasil já assumiu publicamente o compromisso de reduzir de 36,1% a 38,9% as emissões de gás carbônico até 202

"É impossível que os maiores poluidores do planeta não sejam instados a colocar os números na mesa, concretos", completou a ministra em entrevista hoje (22), em Brasília. Ela cobrou, ainda, a apresentação de metas pelos países desenvolvidos para disponibilizar aos países em desenvolvimento os recursos necessários que as medidas de combate ao aquecimento global sejam adotadas.”
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Privacidade é um dos temas de peso no marco regulatório da internet

JB Online / Agência Brasil

“As questões relativas à privacidade e liberdade de expressão estão entre os temas mais debatidos pelos internautas que fizeram contribuições à consulta pública sobre o marco regulatório da internet. O texto-base, disponibilizado em um blog pelo Ministério da Justiça, foi acessado 120 mil vezes e recebeu 433 comentários.

Para o coordenador do projeto de construção colaborativa do marco civil da internet, Guilherme Almeida, a discussão está sendo pautada pelo projeto de lei idealizado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB – MG) que endurece as penas para crimes cometidos na internet. O texto prevê que, quem obtiver ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado sem autorização do legítimo titular, poderá ser preso.

“O Azeredo conseguiu polarizar negativamente as pessoas”, acredita Almeida. Segundo ele, a proposta do senador mobilizou os internautas no sentido contrário a sua posição. Ele avalia que, por esse motivo, as discussões dos internautas sobre o marco regulatório tenham sido pautadas pelos assuntos abordados no projeto.”
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Conversa fiada ambiental

Contra o aquecimento global, Hu e Obama ficam só em vagos objetivos

Sérgio Augusto, O Estado de S.Paulo

- Porque esperavam das conversas de Obama com o presidente chinês, Hu Jintao, muito mais do que eles podiam ou estavam dispostos a oferecer, os ambientalistas foram os que mais se decepcionaram com o encontro dos dois em Pequim, no início dessa semana. Eles tinham e têm muito o que conversar.

Responsáveis, juntos, pela emissão de 40% dos gases de efeito estufa, Estados Unidos e China são os maiores poluidores do planeta, os dois países que mais contribuem para o aquecimento global. Daí a expectativa geral de que os dois presidentes oferecessem algo além de vagos compromissos de combate às causas do aquecimento global, até porque só faltam 15 dias para o início da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU, em Copenhague.

"Cada país fará sua parte de acordo com sua capacidade", prometeu o presidente chinês. "Precisamos convocar o mundo para encontrarmos uma solução para o aquecimento global", exortou o presidente americano. Mera parolagem protocolar. No dia seguinte, a revista Nature Geoscience atualizaria os dados sobre as emissões de CO2: aumentaram 2% no ano passado. Se as providências recomendadas pelos mais confiáveis estudiosos do assunto não forem tomadas, esse índice poderá chegar a 39% em 2020.

Ainda em Pequim, mas já de olho na cúpula climática da ONU, Obama manifestou sua preferência por decisões que tenham "efeito operacional imediato", mas não sejam impositivas. Ou seja, medidas práticas, mas facultativas. Quase um oxímoro.

Mesmo operando de forma acanhada e com atraso (investiu o melhor do seu tempo na reforma do plano de saúde e discutindo as guerras no Iraque e Afeganistão), Obama parece agir com mais rapidez que o Congresso americano. A Câmara aprovou uma redução nas emissões de 17% (sobre os níveis de 2005), que o Senado pensa em ampliar para 20%, mas os 80% agendados para 2050 enfrentam tenaz resistência da oposição.

Os republicanos insistem que uma ação isolada dos Estados Unidos não resolverá o problema climático. Claro que não, mas ninguém duvida que até os relutantes e evasivos chineses se sensibilizariam com uma demonstração de firmeza da parte dos americanos.

Mas até agora, nada. Nem de Pequim, nem de Washington.”
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21 Novembro, 2009

Façam o que eu digo

Nem sempre as palavras representam um testemunho de vida. É o caso das intenções propagadas por vários governos de países do primeiro mundo sobre os assuntos de natureza ambiental, alguns os maiores poluidores da Terra.

Eduardo Bomfim, Vermelho.org

O que comprova que muitas das posições difundidas mundo afora como “politicamente corretas” são uma verdadeira falácia ou representam disfarçados interesses econômicos de grandes corporações ou determinadas nações ricas e incitam atitudes sociais intolerantes, dogmáticas e até mesmo em alguns casos de caráter fundamentalista ou fascista.

A grande mídia hegemônica nacional encontra-se repleta de programas e apresentadores que difundem posturas e atitudes de comportamentos considerados “politicamente corretos” e que muitas vezes não são adotados nem por eles próprios.
Mas como a maioria desses divulgam concepções e posições que são em grande parte importadas dos principais centros econômicos internacionais, eles são, vez em quando, impactados por uma perplexidade quase catatônica ao divulgarem algumas notícias fora do contexto.

Foi o caso da posição dos Estados Unidos, além da China, sobre a redução das emissões de gás carbônico sobre a atmosfera. Quanto à China nem tanto, porque ela não se enquadra no “politicamente correto”, mas a posição do governo norte-americano foi um tremendo choque.
Afinal os EUA foram contra ao que se considera ambientalmente correto e se negaram a assumir metas de redução de gás carbônico nos próximos anos.”
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20 Novembro, 2009

Google abre código-fonte de sistema operacional para desenvolvedores

Folha Online

“O código-fonte do sistema operacional do Google, o Chrome OS, está disponível para download desde esta quinta-feira (19). Por meio de uma atualização no serviço de microblogs Twitter, o funcionário do Google deu detalhes sobre onde é possível fazer download do código-fonte.

Dessa forma, o Google abre a plataforma para desenvolvedores a aprimorarem, por meio de alterações na programação.”
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Leitor eletrônico da Sony tem risco de atraso por grande procura

Reuters / Folha Online

“A Sony anunciou no final desta quarta-feira (18) que a demanda inicial para a mais recente versão de seu aparelho de leitura digital foi maior que a esperada e que podem ocorrer atrasos na entrega.

Um porta-voz da Sony divulgou que o aparelho da Sony, que custa US$ 399 e é chamado de Daily Edition, será distribuído com base em critério de ordem de encomenda.

"O número de pessoas que se cadastraram para serem informadas sobre a disponibilidade do Daily superou nossas expectativas nos últimos meses e esperamos alta demanda agora que ele está disponível", disse Kyle Austin em email enviado à Reuters.”
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18 Novembro, 2009

Versão beta do Microsoft Office 2010 está disponível para download

Folha Online / Gizmodo

“A versão beta do software mais vendido de todos os tempos já está disponível para download a partir desta quarta-feira (18). Trata-se do Microsoft Office 2010 e, segundo o blog de tecnologia Gizmodo, todos devem tê-lo. "Todos nós vamos usar esta coisa em algum ponto ou outro", diz o site.

Há três pacotes da nova versão do Office: um deles é acessado por meio do serviço de armazenamento virtual da empresa, o SkyDrive, e que vai funcionar em esquema similar ao do Google Docs. Ou seja, edição e armazenamento de documentos on-line são possíveis, com 25 Gbytes de espaço disponível.

Outra versão é a Starter, que tem menos ferramentas, e virá instalada gratuitamente em computadores. Completa, a terceira versão ainda não teve seu preço anunciado.”
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Para ser 'de verdade', Copenhague deve perceber necessidade de novo ciclo de desenvolvimento

Guilherme C Delgado, Correio da Cidadania

“A Conferência de Copenhague, que deverá ocorrer no final deste ano, recoloca na agenda mundial as questões do aquecimento global, suas consequências climáticas e principalmente as causas e controle sobre elas, associadas à emissão e controle do dióxido de carbono e de outros poluentes provocadores do efeito estufa.

Conquanto a questão da sustentabilidade ambiental seja mais ampla e complexa que o problema/foco desta Conferência, não resta dúvida de que, se prevalecerem, por imposição do estado de necessidade, mais além da ideologia, metas sérias de controle sobre emissão de dióxido de carbono, o mundo caminharia para um novo estilo de desenvolvimento, no qual os equilíbrios planetários contariam mais que os arranjos da globalização comercial e financeira, até agora prevalecentes.

Eu tenho dúvidas se neste momento há suficiente consciência política sobre o estado de necessidade para se dar este passo. Se os Estados o derem, sob a forma de um novo tratado substitutivo do Protocolo de Kyoto, haverá um tempo necessário de construção de instituições e ações internacionais para dar concretude àquilo que seria a maior revolução pacífica da história da humanidade.

Utopia é necessária para mover a história, mas junto com as utopias andam também as ilusões, que nada mudam e muito confundem. O desenvolvimento econômico que quase todos os economistas têm na cabeça – da esquerda à direita - nada tem de sustentável do ponto de vista ambiental. A acumulação de capital é o seu fim, e não apenas meio. Daí que toda finalidade nova do desenvolvimento, ao estilo justiça social, liberdade humana, sustentabilidade ambiental etc., afeta seriamente a acumulação do capital, segundo o padrão prevalecente desde a 1ª Revolução Industrial. Não há por que ignorar que estas utopias batem de frente com os interesses do capital e do dinheiro, agora organizados em escala global.”
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17 Novembro, 2009

ONU reduz expectativas sobre cúpula em Copenhague

Represantante da organização reconhece que não será fechado um tratado de redução de emissão de CO2

O Estado de São Paulo / EFE

A última reunião em nível ministerial antes da cúpula climática em Copenhague terminou nesta terça-feira, 17, com um reconhecimento pela ONU e pelo Governo dinamarquês de que não será fechado um tratado na capital dinamarquesa, e que o objetivo é uma fórmula reduzida em forma de acordo político vinculativo.

Esta constatação é consequência da declaração feita na semana passada pelos presidentes dos Estados Unidos e da China, os dois países que mais poluem do mundo, de que não será possível um acordo vinculativo nessa cúpula para reduzir as emissões de dióxido de carbono.

Tanto o responsável da ONU sobre mudança climática, Yvo de Boer, quanto o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, e sua ministra do Clima, Connie Hedegaard, apoiaram a proposta dinamarquesa de "um acordo, dois propósitos", que pretende fechar um pacto sobre as principais questões e adiar a assinatura de um tratado para mais adiante.

A proposta, apresentada há dois dias, em Cingapura, por Rasmussen em reunião com líderes mundiais à margem da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), conta com a aprovação dos EUA, segundo se esforçou em ressaltar Hedegaard, em entrevista coletiva com De Boer ao final do encontro. "Continuamos falando de um tratado de Copenhague, só que não sabemos quando será fechado", disse De Boer, que falou que a cúpula sobre o clima de 7 a 18 de dezembro deve ser um "ponto de inflexão".
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Minc critica postura de países ricos que tentam adiar definição de novo acordo climático

Luana Lourenço, Agência Brasil

“O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou hoje (16) a posição de países ricos que tentam adiar a definição de um novo acordo climático, prevista para dezembro, durante a reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague.

Ontem (15), os países ricos reunidos em Cingapura consideraram irreal a possibilidade de um novo acordo daqui a 20 dias.

Minc afirmou que o fato de os dois maiores emissores de gases de efeito estufa – Estados Unidos e China – não estarem dispostos a um compromisso numérico de redução é uma “ducha de água quente [nas negociações] que aumenta ainda mais a temperatura do planeta”.

“Parece que fizeram um pacto de abraço dos afogados para um justificar a falta de empenho do outro. Já estávamos com problemas para chegar a um acordo. Isso é inaceitável.”
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A imprensa joga a toalha

Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa

“A notícia de que os Estados Unidos e a China, os dois países mais poluidores do mundo, e outras nações reunidas num fórum de líderes da região Ásia-Pacífico, decidiram adiar uma deliberação concreta sobre a redução das causas do aquecimento global é destaque em todos os grandes jornais na segunda-feira (16/11).

Segundo a imprensa, a decisão esvazia a conferência da ONU sobre clima, marcada para o próximo mês em Copenhague, na Dinamarca. Tudo que se poderá conseguir em Copenhague, então, seria um acordo político, ou uma carta de intenções sem referência a metas específicas.

A postura dos jornais brasileiros é derrotista. No entanto, a leitura dos detalhes do noticiário, incluindo-se o que vem pelos sites da imprensa internacional, indica que o atraso na elaboração de um compromisso global pode ser favorável ao estabelecimento de metas mais ambiciosas.”
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16 Novembro, 2009

Relator defende perdão para quem desmatou

Deputado Marcos Montes (DEM-MG) diz que produtores rurais não podem ser punidos porque erraram sob uma legislação que traz prejuízo social ao país

Renata Camargo, Congresso em Foco

O deputado Marcos Montes (DEM-MG) é o mais novo pivô do embate entre os ruralistas e os ambientalistas no Congresso. Relator do polêmico projeto que, segundo deputados ligados ao meio ambiente, dá anistia a proprietários rurais que desmataram ilegalmente uma área equivalente a 18 vezes o estado de Sergipe, Montes diz que é preciso adequar a lei à realidade e perdoar quem errou sob uma legislação que, segundo ele, traz “prejuízo social” ao país.

Em defesa do “desmatamento zero a partir de agora”, o parlamentar nega que seu relatório pretende dar superanistia para quem desmatou, mas diz que “o perdão é o melhor caminho social”. De acordo com ele, o projeto tenta tirar da ilegalidade cerca de três milhões de produtores rurais e evitar que os proprietários de terra sejam obrigados a recompor áreas degradadas.

“Essa discussão está muito simplificada. O projeto que nós queremos não é simplesmente de perdoar. Queremos consolidar a fronteira agrícola que foi aberta e, então, ordenar o futuro”, disse o deputado ao Congresso em Foco.”
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Líderes de países ricos descartam acordo definitivo em Copenhague

Metas obrigatórias de redução de emissões devem ficar só para 2010, em uma próxima conferência

Claudia Trevisan, O Estado de São Paulo

Líderes políticos da região asiática, dos Estados Unidos e da Europa descartaram ontem a possibilidade de assinar um novo tratado climático internacional em Copenhague, no mês que vem. No linguajar diplomático, fala-se agora em um acordo "politicamente vinculante", em vez de "legalmente vinculante", o que ficaria para uma próxima conferência, em 2010.

Na prática, isso significa que as metas obrigatórias de redução de emissões de gases do efeito estufa para a segunda fase do Protocolo de Kyoto seriam definidas só no ano que vem.

"Dado o fator de tempo e a situação de alguns países específicos, deveríamos, nas próximas semanas, focar esforços no que é possível fazer, sem nos deixar distrair por aquilo que não é possível", disse o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen. Anfitrião do encontro do próximo mês, Rasmussen fez ontem uma viagem não programada a Cingapura, para conversar com os governantes das 21 nações que compõem a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) - grupo que inclui os Estados Unidos e a China, os dois maiores emissores de gases do efeito estufa.

O possível, segundo Rasmussen, seria um acordo político em Copenhague que estabelecesse diretrizes básicas e um novo prazo para negociação de metas específicas de redução de emissões. O impossível seria fechar essas metas já no mês que vem, antes que o projeto de lei sobre mudança climática dos Estados Unidos possa ser votado no Congresso americano.

"Mesmo que não consigamos definir todos os detalhes de um instrumento legalmente vinculante, eu acredito que um acordo político de caráter obrigatório, com compromissos específicos de mitigação e financiamento, fornecerá bases sólidas para ação imediata nos próximos anos", disse Rasmussen.”
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ENTREVISTA-França vê EUA como maior barreira a acordo climático

Emmanuel Jarry, Reuters

“Os Estados Unidos são o principal obstáculo na reunião de Copenhague para um acordo climático ambicioso no mês que vem, disse neste domingo o ministro do Meio Ambiente da França, Jean-Louis Borloo.

Ele disse que Washington impõe as maiores dificuldades para um acerto. Mais cedo, líderes mundiais se reuniram em Cingapura e avaliaram que é pouco realista a expectativa de fixação de metas conjuntas a serem negociadas na reunião de 7 de dezembro.

"O problema são os EUA, não há dúvida disso", afirmou Borloo, que coordena o grupo negociador da França para Copenhague, em entrevista à Reuters.

"É a maior potência do mundo, é o maior emissor (de gases do efeito estufa), o maior emissor per capita e eles estão dizendo 'gostaria, mas não posso'. É essa a questão", destacou.”
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Tudo aquilo que você gostaria que a Internet esquecesse

Jean-Baptiste Chastand, Le Monde / UOL

"Acho que mostrei minhas nádegas na festa de Saint-Nicolas em 1969. Não fiz mais isso desde então. E não gostaria que isso ainda me perseguisse." Com uma piada, Alex Türk, presidente da Comissão Nacional da Informática e Liberdades (CNIL) resume a questão do direito ao esquecimento na Internet. Desde a criação dos fóruns, dos blogs e sobretudo das redes sociais, a questão da conservação das informações publicadas por qualquer um na internet não para de crescer.

O que fazer para impedir que o seu futuro empregador, seu vizinho, sua família, consultem fotos ou textos colocados online há muitos anos e que você preferiria que tivessem desaparecido? O que fazer quando podemos rastrear toda a vida de um desconhecido buscando apenas fontes no Google, como fez a revista Le Tigre? A criação de um "direito ao esquecimento digital" é objeto de uma proposta de lei recente no Senado, assim como de uma conferência organizada pela Secretaria de Economia Digital do Estado, na quinta-feira, 12 de novembro, no instituto Sciences Po.

Para Alex Türk, o que está em jogo é "traduzir uma função natural, o esquecimento, que faz com que a vida seja suportável". A proposta de lei dos senadores Yves Détraigne (União Centrista) e Anne-Marie Escoffier (Partido Radical de Esquerda) sugere a supressão dos dados a partir de um simples pedido por e-mail e da informação a partir de um tempo determinado. "O objetivo é proteger aqueles que não estão conscientes dos dados que podem deixar na internet, principalmente os menores", explica Yves Détraigne.”
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15 Novembro, 2009

Brasil e França vão propor texto comum em Conferência do Clima

Carolina Nogueira, Agência Brasil

“O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o francês, Nicolas Sarkozy, divulgaram que os dois países vão fazer uma verdadeira volta ao mundo antes da Conferência da Copenhague, marcada para dezembro. A finalidade é convencer os países em desenvolvimento a adotar metas ambiciosas para reduzir a emissão de gases geradores do efeito estufa.

As metas brasileiras de reduzir em até 39% das emissões até 2020 serão usadas como um exemplo de um forte engajamento. "Ninguém quer o impossível, mas apenas o razoável: que deixemos para o futuro um mundo pelo menos igual ao que recebemos", disse Lula em entrevista coletiva no Palácio do Elysée, em Paris.

Sarkozy afirmou que vai enviar seus ministros à África, parte da Ásia e à América do Sul para convencer o maior número possível de países a adotar metas que demonstrem um compromisso real, com metas a cumprir, a fim de fazer da conferência de Copenhague uma declaração de princípios. Os dois países também pretendem propor a criação de uma Organização Mundial para o Meio Ambiente, como parte de uma reforma ampla da ONU.

O presidente Lula cobrou a responsabilidade dos Estados Unidos e da China, que segundo ele buscam uma forma de resolver seus problemas sem se importar com o impacto das mudanças climáticas no planeta. "Estamos vendo uma tentativa de se criar um G2 do clima. Fiquei com a responsabilidade de falar com o presidente Obama na próxima segunda-feira porque, como maior economia do mundo, é importante que os Estados Unidos sejam mais ousados em seu compromisso com o meio ambiente", disse o presidente brasileiro.

Sarkozy afirmou também que, seguindo o exemplo de Lula, participará pessoalmente da Conferência do Meio Ambiente de Copenhague, marcada para os dias 16 e 17 de dezembro.”

Acordo sobre mudanças climáticas será difícil em Copenhague‏

A falta de disposição para um acordo por parte de diversos governos ficou clara na última reunião preparatória à COP-15, realizada na semana passada em Barcelona. Por cinco dias, representantes de 175 países não conseguiram avançar nas negociações e muitos deles deixaram a cidade espanhola afirmando que será impossível fechar um documento com metas específicas e força de lei em Copenhague. Para muitos, a obtenção de um documento indicativo que permita um acordo global no início de 2011 já será considerada uma vitória. O artigo é de Maurício Thuswohl.

Maurício Thuswohl, Carta Maior

Os líderes mundiais não conseguem chegar a um entendimento para a adoção de uma agenda comum de combate ao aquecimento global. Após dois anos de preparação, diversas reuniões multilaterais e muita discussão, tudo indica que a 15ª Conferência da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP-15), que acontecerá em Copenhague entre os dias 7 e 18 de dezembro, não atingirá seu principal objetivo. A menos de um mês do encontro na Dinamarca, ainda não existem sinais visíveis de um acordo com metas concretas de redução das emissões de gases de efeito estufa que possa substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012.

A falta de disposição para um acordo por parte de diversos governos ficou clara na última reunião preparatória à COP-15, realizada na semana passada em Barcelona. Por cinco dias, representantes de 175 países não conseguiram avançar nas negociações e muitos deles deixaram a cidade espanhola afirmando que será impossível fechar um documento com metas específicas e força de lei em Copenhague. Para muitos, a obtenção de um documento indicativo que permita um acordo global no início de 2011 já será considerada uma vitória: “Seja qual for, um acordo só deverá surgir no último dia da COP-15”, prevê o representante da União Européia, Artur Metzger.

A única certeza é que o panorama político permanece o mesmo de dois anos atrás, quando, na COP-14 realizada em Bali, nasceu o impasse entre países ricos e países pobres para o período Pós-Kyoto. Os ricos querem que os países em desenvolvimento assumam metas quantificáveis e obrigatórias de redução das emissões. Os pobres, por sua vez, querem que os países mais industrializados assumam sua responsabilidade histórica pelo aquecimento global e estabeleçam metas maiores de redução do que as atuais, além de transferirem recursos e tecnologia para o combate às mudanças climáticas.”
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14 Novembro, 2009

Decreto institui Operação Arco Verde para controlar desmatamento na Amazônia

Cristina Machado, Folha Online

“Decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União de hoje (13) instituiu a Operação Arco Verde. O projeto faz parte do plano de ação do governo federal para prevenir e controlar o desmatamento ilegal na Amazônia Legal.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Paulo Guilherme Cabral, que coordena a operação, o decreto dá segurança na complementação das 2.200 ações já em execução em 43 municípios considerados prioritários.

A proposta é desenvolver a região dentro de uma política que propõe a mudança do modelo econômico, aumentando a eficiência e a sustentabilidade de áreas já desmatadas.”
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13 Novembro, 2009

Brasil quer definir pontos em comum com sul-americanos para a Conferência do Clima

Lourenço Canuto, Agência Brasil

“O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, informou hoje (13) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem conversado com representantes dos governos de países sul-americanos como a Venezuela, o Peru, o Equador e a Colômbia para discutir pontos em comum a serem levados à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15).

Lula coordena nesta tarde, em São Paulo, reunião em que será discutida e anunciada a proposta que o Brasil apresentará no encontro, marcado para dezembro em Copenhague (Dinamarca).

"O fundamental é que o Brasil chegará bem a Copenhague, pois registrou a menor taxa de desmatamento na Amazônia dos últimos 21 anos, graças ao empenho que está sendo dedicado a essa área”, disse Padilha, ao participar do programa Bom Dia, Ministro, no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Na entrevista, ele falou ainda sobre a proposta de criação de um fundo brasileiro destinado a custear os investimentos necessários para que o país possa enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.”

Dados do impacto de sonda da Nasa confirmam água na Lua


Folha Online

“Os resultados do impacto que a Nasa (agência espacial norte-americana) realizou com uma sonda na Lua confirmaram quantidade significativa de água no satélite da Terra, divulgou a agência nesta sexta-feira (13).

A água representa um potencial recurso para sustentar uma futura exploração lunar.

Dados preliminares do LCross (Lunar Crater Observation and Sensing Satellite) indicam que a missão descobriu água com sucesso durante os impactos realizados em 9 de outubro, na região permanentemente coberta de sombras de Cabeus, próxima ao polo sul da Lua.

Cientistas especularam por muito tempo sobre a fonte de vastas quantidades de hidrogênio que foram observados nos polos lunares. As descobertas da LCross mostram que a água na Lua deve ser em maior quantidade e mais distribuída pelo astro do que suspeitado previamente.”
Foto: Nasa
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12 Novembro, 2009

Amazônia tem menor desmatamento desde 1988, Inpe registrou 7 mil km² de devastação

Luana Lourenço, Agência Brasil

“Entre agosto de 2008 e julho de 2009, a Amazônia perdeu 7 mil quilômetros quadrados (km²) de floresta. É a menor taxa anual de desmate já registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do levantamento em 1988.

O número, que superou as expectativas do governo – que previa 9 mil km² – foi divulgado hoje (12) pelo diretor do Inpe, Gilberto Câmara. “É uma queda substancial. De longe a menor [taxa] desde que o Inpe começou a observação”, afirmou durante apresentação dos dados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e governadores de estados da Amazônia.

A taxa é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que utiliza satélites para observação das áreas que sofreram desmatamento total, o chamando corte raso. O menor índice registrado até agora era o de 1991, quando os satélites identificaram 11,03 km².

Em relação ao período anterior (agosto de 2007 a julho de 2008), quando o desmatamento atingiu 12,9 km², a queda foi de 45%.

“É um momento de muita alegria constatar que o esforço da sociedade brasileira de conter o desmatamento da Amazônia chegou a um nível muito satisfatório”, afirmou Câmara.

O Inpe registrou queda em quase todos os estados da Amazônia. Em Mato Grosso e no Pará, tradicionalmente líderes dos rankings de desmatamento mensais, a queda foi de 65% e 35%, respectivamente. Em Rondônia, a queda foi de 55%.

Apesar da redução, o Pará foi o estado que mais desmatou no período, com 3.680 km², seguido por Mato Grosso, com 1.047 km² , e Maranhão, com 980 km² a menos de florestas.

De acordo com o Inpe, a margem de erro da estimativa anual de desmatamento é de 10%, ou seja, pode resultar em uma variação de 700 km² para ou mais ou para menos quando os dados forem consolidados.”

Clima: Seca afeta 90% do território argentino

Marcela Valente, da IPS / Envolverde

"Centenas de milhares de animais mortos, incêndios florestais, restrições drásticas ao consumo de água e enfrentamentos entre populações pelo acesso a este recurso fundamental são as faces mais dramáticas da persistente seca que afeta, em diferentes graus, 90% do território argentino. A localidade de tostado, na província de Santa Fé (leste do país), é um dos focos mais complicados. Nos últimos dois anos, as altas temperaturas e a falta de chuva provocaram um extermínio silencioso do gado e levou à bancarrota pequenos e médios produtores agropecuários.

“Em nossa região o regime habitual de chuvas está entre 800 e 900 milimietros por ano, mas em 2008 caiu para 344 mm e em 2009 não chegamos a 340m”, disse à IPS Felipe Brizuela, veterinário e presidente do Conselho Econômico Regional de Tostado. “Tínhamos 974 mil cabeças de gado somente no departamento de 9 de Julho, agora não chegamos a 500 mil. Temos uma represa muito precária e nos abastecemos do rio Salado”, mas a vizinha província de Santiago del Estero que controla o rio “cortou quase todo fornecimento e em 10 dias ficamos sem água”, acrescentou.

Santa Fé e Santiago del Estero têm um acordo pelo qual a segunda fornece aos departamentos da região noroeste da primeira três metros cúbicos por segundo de água do rio Salado através de um precário aqueduto. Mas nas últimas semanas, o fornecimento caiu pela metade. A restrição é porque em Santiago del Estero a água também escasseia, e se as autoridades aumentam o fornecimento para Santa Fé podem causar uma catástrofe entre os pequenos produtores que vivem de seus cultivos.

Para o intendente de Tostado, Enrique Fedele, a situação é dramática. Ele disse que foram perdidos dois terços do gado e o desemprego chegou a 50% da população economicamente ativa da região. O município declarou este mês “emergência social”. À falta de água soma-se um calor insuportável, com temperaturas que chegaram a 45 graus. “É duríssimo. Tinha cem cavalos e só me restam 15, perdi as vacas, os cabritos, os bodes”, contou à IPS Armando Bustos, produtor da região de Tostado. “Não penso em me matar porque gosto da vida, mas quatro produtores daqui já se suicidaram porque lhes restavam pouquíssimos animais”, assegurou.”
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No limite

Marina Silva, Terra Magazine

“Ficou marcado para sábado, dia 14, o anúncio oficial da proposta que o governo brasileiro levará para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, na Dinamarca, daqui a três semanas.

Na segunda-feira, após a reunião com o Fórum de Mudanças Climáticas, realizada em São Paulo, o governou acenou com a possibilidade de uma redução - que poderia chegar até a 40% -, das emissões projetadas para 2020.

A indicação de que haverá meta de redução - seja voluntária ou não - é um avanço, não só para o Brasil, como para as negociações internacionais. Espera-se agora que sejam dados passos mais largos, com medidas envolvendo todos os setores da economia, e um detalhamento do que isso representará efetivamente em reduções reais de emissões.

Até agora, nas reuniões preparatórias oficiais, com raras exceções, os países têm se recusado a apresentar números de cortes mais significativos nas emissões de gases-estufa, o que não é condizente com a gravidade do problema, tampouco colabora nas negociações. É necessário que haja mais clareza de todas as nações em seus objetivos e compromissos, para que seja possível um acordo global em Copenhague.”
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11 Novembro, 2009

Proposta na ONU sobre emissões é para valer, diz governo

Folha Online

“Os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmaram ontem, ao participarem de diferentes eventos em Brasília e no Rio, que o Brasil assumirá um compromisso "firme" e "político sério" de redução das emissões de gases-estufa.

O governo federal, porém, ainda não divulgou qual proposta será levada à conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas em Copenhague, em dezembro. A ministra disse a definição depende de reuniões que ocorrerão nos próximos dias, entre elas, um encontro sábado marcado pelo presidente Lula no Palácio da Alvorada.

Na segunda-feira, Dilma afirmou que o país terá um "objetivo voluntário" de redução. Segundo Minc, a proposta brasileira será "como se fosse realmente uma meta". Ele confirmou que o percentual de redução das emissões ficará entre 38% e 42% e que os cortes vão ser definidos por setor.

"O que é objetivo firme com números definidos se não é uma meta? São como se fossem realmente metas", afirmou o ministro, após participar de um seminário sobre políticas públicas e mudanças climáticas, organizado pelo TCU (Tribunal de Contas da União).”
Lula Marques, Folha Imagem
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10 Novembro, 2009

Acordo em Copenhague afetaria a receita da Opep

Um acordo sobre o clima em dezembro, em Copenhague, afetaria a receita dos países produtores de petróleo porque reduziria drasticamente a demanda, assinalou nesta terça-feira o diretor de pesquisas da Agência Internacional de Energia (AIE), ao apresentar suas perspectivas anuais, em Londres.

Último Segundo / AFP

A AIE cifrou em 4 trilhões de dólares até 2030 a perda dos países produtores com a adoção das chamadas políticas "verdes".

Se não houver mudança nas políticas energéticas, "a receita da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ficaria em 28 trilhões de dólares entre 2008 e 2030. Mas com a adoção de medidas decisivas contra a mudança climática, a receita seria drasticamente reduzida, como as que permitiriam limitar em 450 ppm (partes por milhão) as emissões de C02, afirmou Fatih Birol, seu diretor de pesquisas.”
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Em um ano, Facebook decola e MySpace desaba; Twitter continua "nanico"

Folha Online

“Os sites de redes sociais Facebook e MySpace praticamente inverteram posições entre setembro de 2009 e o mesmo mês de 2008, de acordo com dados sobre os EUA do serviço HitWise, da empresa Experian.

A participação porcentual do Facebook quanto à visitação em redes sociais subiu de 19,4% para 58,59%, enquanto o MySpace caiu de 66,84% para 30,26%.

Algo aparentemente contraditório acontece com o Twitter: apesar de toda atenção que o microblog gera com celebridades usuárias do serviço, seu porcentual de visitação no setor de redes sociais ainda não passou de 2%.”
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09 Novembro, 2009

Brasil define dia 14 meta para redução de emissão de CO2

Vagner Magalhães, Portal Terra

“O governo brasileiro define até o próximo dia 14 a meta para a redução de CO2 que será apresentada na 15ª Conferência das Partes sobre Clima (COP15), que acontece entre 7 e 18 de dezembro em Copenhague, na Dinamarca. De acordo com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o Brasil irá apresentar um número fechado, que deve ficar em torno de 40% até 2020.

"Só faremos o que é possível fazer, mas não acredito que estejamos muito longe desses 40%", disse Dilma. O número partiu de uma proposta do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. O presidente do fórum, Luiz Pinguelli Rosa, afirmou que o Brasil deve ter uma postura política forte durante a conferência, como a que o Brasil tomou em Honduras, para defender o presidente deposto Manuel Zelaya. "Precisamos marcar nossa posição política de maneira convincente. Temos de nos esforçar para chegarmos ao máximo que for possível", disse.”
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Charge do Amorim, Correio do Povo

08 Novembro, 2009

Ecologista iniciam greve de fome pelo meio ambiente

JB Online

“Ecologistas de vários países iniciaram nesta sexta-feira uma greve de fome para alertar a opinião pública mundial sobre o problema do aquecimento global.

Paul Connor, dirigente do movimento, e outras sete pessoas na Austrália, Estados Unidos e Europa têm a intenção de se abster de qualquer tipo de alimentação até o término da conferência sobre o clima que acontecerá entre 7 e 18 de dezembro próximo em Copenhague.

"É uma emergência mundial. Achamos que fazer uma ação moral, de princípio por algo que é justo, pode ter um enorme impacto", declarou Connor.”
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ONU crê em acordo em Copenhague, mas já não espera tratado

ONGs dizem que países estão usando indefinição dso EUA como pretexto para não enfrentar a crise global

EFE / O Estado de São Paulo

O responsável da ONU para a mudança climática, o austríaco Yvo de Boer, disse que os países podem chegar a um grande acordo na conferência de Copenhague, mas reconheceu que não deve haver a ratificação de um tratado internacional, o que exigiria mais tempo.

De Boer afirmou em entrevista coletiva que Copenhague será um "ponto de inflexão" e adiantou que pelo menos 40 chefes de estado estarão presentes à reunião.

Desta forma, o representante da ONU tenta romper o desânimo existente depois da reunião preparatória para Copenhague ocorrida esta semana em Barcelona, durante a qual ficou claro que, se os Estados Unidos não estabelecerem uma meta clara para limitar suas emissões de gases poluentes, não haverá um acordo de cumprimento obrigatório.

Apesar de a oferta americana depender da lei ambiental em tramitação no Senado americano, para possível aprovação em 2010, De Boer disse acreditar que o governo dos EUA se comprometerá com uma meta em Copenhague e ajudará no financiamento do combate à mudança climática nos países em desenvolvimento.

O austríaco disse que será necessário aprovar um plano de ajuda de US$ 10 bilhões anuais para que os países em desenvolvimento possam controlar suas emissões e melhorar suas estratégias de adaptação.
Segundo De Boer, a reunião da capital dinamarquesa deve servir para estabelecer um meio de "dividir despesas".

"O número que o presidente (dos EUA, Barack) Obama der será importante, será um sinal vital no processo internacional", disse o representante da ONU, que disse confiar em que os americanos revelarão seus objetivos "no médio e longo prazo".
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UE propõe esticar negociação até 2010 e irrita países pobres

Roberto Dias, Folha Online

“Ganhou corpo ontem, no penúltimo dia da reunião em Barcelona, a ideia de estender além do final da reunião de Copenhague boa parte da atual rodada de discussões sobre o clima.

Segundo a proposta, alimentada pelos países europeus, seria feito um "acordo político" na Dinamarca, e as negociações continuariam por mais três ou seis meses. Uma das razões para isso seria ter mais tempo para atrair os EUA para um acordo obrigatório, esperando o trâmite do pacote ambiental pelo Congresso americano.

Primeiro problema: sucessivos diplomatas demonstraram descontentamento nesta semana com o que entendem por "acordo político", uma espécie de compromisso moral, algo que consideram muito frágil.

"Vocês conhecem algum político que cumpra suas promessas? Só há acordos de obrigação legal", afirmou o sudanês Lumumba Di-Aping, que fala em nome do G77, bloco dos países em desenvolvimento.”
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07 Novembro, 2009

Floresta pode pagar a conta no debate sobre cortes de emissão de gás

Redação, Jornal do Brasil

“As negociações sobre a redução do desmatamento de florestas, nas quais o Brasil desempenha um papel fundamental, deve ser um dos grandes temas no encontro de Copenhague, em dezembro. Mas alguns especialistas temem a pressão dos países ricos sobre o assunto se sobreponha ao próprio esforço das nações industrializadas em reduzir suas emissões de carbono. Ou seja, a conta inicial acabaria sendo paga por países que têm grandes coberturas florestais.

O desmatamento seria responsável por 20% das emissões globais de gases do efeito estufa. O restante, 80%, seria consequência de emissões de carbono provenientes de outras fontes, como processos industriais – na conta, portanto, dos países mais ricos, especialmente os EUA.

O problema, segundo alguns especialistas, é a possibilidade de o acordo sobre desmatamento ser fechado em Copenhague, mas outras questões, como a redução de emissões de carbono, acabarem sem consenso.

– Um acordo sobre as florestas pode acabar como um exercício de propaganda verde se não houver um tratado juridicamente vinculante (obrigatório) para combater a mudança climática em Copenhague – alerta Nathaniel Dyer, da ONG britânica, Rainforest Foundation.
A Redução das Emissões Derivadas do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) tornou-se uma das questões-chave na negociação de um novo acordo internacional para combater as alterações climáticas – mas não a única. O Brasil pretende propor a redução em 80% do desmatamento da Amazônia até 2020. Para isso, seriam necessários recursos da ordem de R$ 4,5 bilhões até lá.

Para alguns especialistas, conter o desmatamento seria mais fácil que impor cotas de redução de emissão de carbono, não só de nações industrializadas como os EUA, mas de emergentes como a China.”
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06 Novembro, 2009

Censura na Internet poder ser contestada pela OMC, diz estudo

Reuters / JB Online

“A censura da Internet pode ser contestada na Organização Mundial do Comércio (OMC), uma vez que ela restringe o comércio em serviços de entrega online, diz um estudo a ser divulgado.

Um caso de censura sendo analisado na OMC pode suscitar a questão da soberania, uma vez que os países-membros têm o claro direito restringir o comércio a partir de justificativas de moralidade --como, por exemplo, ao bloquear o acesso aos sites de pornografia infantil.

Mas uma decisão da OMC poderia limitar a censura geral e forçar países a usar filtros mais seletivos, segundo a pesquisa, que será publicada na próxima quinta-feira pelo centro de estudos ECIPE.

- A censura é a mais importante barreira não-tarifária no fornecimento de serviços online; e um caso poderia esclarecer as circunstâncias em que diferentes formas de censura são consistentes com a OMC - diz o estudo feito por Brian Hindley e Hosuk Lee-Makiyama.”
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Proposta de Minc para mudanças no Código Florestal inclui plantio em encostas e morros

Luana Lourenço, Revista do Brasil

“A polêmica entre ambientalistas e ruralistas sobre modificações no Código Florestal pode estar chegando ao fim. Pelo menos é no que acredita o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que apresentou nesta quinta-feira (5) as propostas da área ambiental para o assunto. Minc aceita manter as plantações de maçã, café, uva e mate em encostas e topos de morros e permite a soma das áreas de proteção permanente (APPs) à reserva legal para os agricultores familiares ou com propriedades de até 150 hectares.

“Acabou a guerra. Estou otimista de que vamos chegar a um bom entendimento. Não acho que a CNA [Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil] e o Greenpeace vão sair juntos dançando reggae na Chapada dos Veadeiros, mas houve muitos avanços [na negociação]”.

As propostas do Ministério do Meio Ambiente foram fechadas com movimentos de agricultores familiares, mas segundo Minc, também beneficiam os grandes produtores. O MMA propõe a simplificação da averbação da reserva legal das propriedades – que passará a ser fiscalizada a partir de 11 de dezembro – com redução da burocracia. Para os agricultores familiares, o georreferenciamento será gratuito.

A consolidação de plantios de macieiras, videiras e cafezais em encostas e topos de morros e de arroz em regiões de várzea estará garantida, de acordo com a proposta da área ambiental. A concessão valerá para os pequenos e grandes produtores, no entanto, não serão permitidos novos desmatamentos para ampliar as lavouras nessas áreas.”
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05 Novembro, 2009

Agência das Águas diz que há risco de reservatórios transbordarem

Chuvas resultaram nos maiores níveis em 10 anos e ANA prepara até uma 'sala de crise' para prevenir catástrofes

João Domingos, O Estado de São Paulo

O excesso de chuvas no mês passado fez os principais reservatórios do País alcançarem o nível mais alto dos últimos dez anos e pôs o governo em alerta. A perspectiva é de aumento no risco de inundações, no fim deste ano e no início do próximo. A Agência Nacional de Águas (ANA) criará hoje uma "sala de situações" para controlar diariamente o volume dos reservatórios, mobilizar a Defesa Civil dos Estados e tentar evitar emergências e catástrofes que podem atingir tanto cidades quanto áreas de cultivo. O diretor-presidente da ANA, José Machado, e o diretor Benedito Braga relatarão hoje os problemas previstos para o ano hidrológico 2009/2010, que começou em outubro.

O açude Armando Ribeiro Gonçalves, no Rio Grande do Norte, é um exemplo. Em outubro de 2008, estava com 92,72% da capacidade e já alcançou 94,22% neste ano. Com menos água, no ano passado, causou grandes estragos, principalmente para a economia potiguar, pois as enchentes atingiram vastas áreas agricultáveis. Outras áreas do País, adiantou a ANA, já estão em situação vulnerável com relação a enchentes.

Como as chuvas caem fortemente desde outubro em praticamente todo o território nacional, são raros os reservatórios de hidrelétricas e açudes usados para o abastecimento de água que não estejam com o nível bem alto, em comparação com o ano passado. As águas da represa da Usina Hidrelétrica de Capivara, no Rio Paranapanema, por exemplo, atingiram 95% do nível do reservatório. No ano passado, nesta época, estavam em 80%, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).”
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A Amazônia é que torna o Brasil protagonista global

Reunião do Fórum Amazônia Sustentável, em Belém, reforça a necessidade de participação das empresas e da sociedade civil na definição de um modelo para o desenvolvimento da região.

Dal Marcondes, Envolverde

A Amazônia é a principal responsável pelo protagonismo global do Brasil. Sem ela o país seria como muitos outros no cenário internacional, com capacidade industrial média e um bom desempenho no quesito exportação de insumos primários. No entanto, a Amazônia catapulta o Brasil para o centro das decisões globais quando o assunto é o futuro. O Brasil é visto como o país detentor da maior riqueza global em biodiversidade e fiel depositário da maior floresta tropical do planeta. Desde que o governo militar acabou e deixou como herança a expansão da pecuária na Amazônia, governo, empresas e sociedade civil debatem, discutem, discordam e pouco concordam sobre o modelo de desenvolvimento ideal para um território que corresponde a 53% do país e tem uma população de 25 milhões de habitantes, entre povos indígenas, populações tradicionais, quilombolas, ribeirinhos e centros urbanos com alto grau de sofisticação, como as capitais Manaus (AM) e Belém (PA).

Uma das organizações mais ativas na busca de políticas públicas integradas para a Amazônia é o Fórum Amazônia Sustentável, que realizou no final de outubro, em Belém, seu terceiro encontro anual. Fundado por empresas e organizações não governamentais em outubro de 2007, o Fórum tem se mantido como um espaço privilegiando de debates e de proposições para a transformação do cenário de abandono da região e na busca de soluções permanentes para problemas estruturais, como a ocupação desordenada do solo, a falta de regularização fundiária, a exploração predatória de recursos naturais, como a madeira e minerais, e a existência, ainda, de formas degradantes de trabalho. Desde que começou a atuar, o Fórum conseguiu avançar em compromissos das empresas com a legalidade das cadeias de valor relacionadas à Amazônia. Foi assim com pactos assinados relativos à soja, que embarga o produto de áreas desmatadas, à madeira, que embarga produtos sem origem legal, e à pecuária, que inibe a expansão da produção sobre a floresta e combate o trabalho escravo.

O Fórum avançou, também, na discussão de mecanismos de financiamento para a manutenção da floresta, como o da Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). Em parceria com o jornal Valor Econômico e com a GloboNews, construiu um dos mais importantes debates sobre o assunto já travados no Brasil. Mas qual é a contribuição que o Fórum, em sua terceira plenária, pode oferecer ao debate, num momento em que já atinge a maturidade como organização protagonista, próximo à Conferência do Clima (COP-15), em Copenhague, na qual as discussões vão projetar as políticas públicas globais contra as mudanças climáticas, e às vésperas, também, da sucessão do presidente Lula no Planalto?”
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