30 Outubro, 2009

Ambientalistas condenam indefinição da UE sobre Copenhague

Organizações atacaram o bloco de 27 nações pelo fracasso em apresentar uma definição concreta nesta sexta

Associated Press / O Estado de São Paulo

“Líderes da União Europeia não fizeram uma oferta concreta de ajuda financeira às nações pobres para combater os efeitos do aquecimento global. A liderança europeia limitou-se a dizer que arcará com uma "parte justa" do fundo anula para socorrer os países em desenvolvimento - mas não pôs números. A UE disse que estima que a adaptação dos pobres à nova realidade climática deve consumir US$ 148 bilhões, e que metade disso deveria vir de países ricos.

Ambientalistas condenaram o bloco de 27 nações pelo fracasso em apresentar uma definição concreta que pudesse pressionar os maiores poluidores do mundo, EUA e China, a cortar suas emissões de gases causadores do efeito estufa quando o novo tratado sobre o assunto for negociado em Copenhague, em dezembro.

O dinheiro seria usado para encorajar os países pobres a consumir menos energia e a usar mais fontes renováveis, protegendo florestas que podem absorver quantidades significativas de dióxido de carbono.

Líderes europeus disseram, em nota, que todos os países agora precisam "injetar novo impulso" nas conversações emperradas para um pacto que possa impedir as temperaturas globais de subir mais de 2º C acima dos níveis pré-industriais.”
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Camada mais grossa de gelo do Ártico desapareceu, afirma especialista

Conclusão é de David Barber, da Universidade de Manitoba, Canadá. Seu navio quebra-gelo mapeou centenas de quilômetros de 'gelo podre'.

Reuters / G1

A cobertura de gelo plurianual do Oceano Ártico desapareceu, um acontecimento surpreendente que tornará mais fácil abrir rotas de navegação polar, afirmou um especialista na quinta-feira (29).

Vastos mantos impenetráveis de gelo plurianual, que podem atingir 80 metros de espessura, bloquearam por séculos o caminho de navios em busca de uma rota mais curta pela mítica Passagem Noroeste do Atlântico ao Pacífico. Eles também impossibilitavam a ideia de navegar pelo topo do mundo.

'Eu nunca vi nada igual a isso em meus 30 anos de trabalho no Ártico'

Mas David Barber, da cátedra de Pesquisa em Ciência do Sistema Ártico da Universidade de Manitoba, no Canadá, disse que o gelo estava derretendo a um ritmo extraordinariamente rápido.

"Estamos praticamente sem o gelo marinho plurianual no Hemisfério Norte", disse ele numa apresentação ao Parlamento. O pouco que restou está retido contra o arquipélago ártico do Canadá, distante das possíveis rotas de navegação.

Os cientistas associam as temperaturas mais elevadas do Ártico e o derretimento do gelo marinho às emissões de gases que provocam o efeito estufa, causado pelo aquecimento global.”
Foto: Reuters, Yereth Rosen
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29 Outubro, 2009

Brasil tem que defender meta global de emissões, diz consultor do Ministério do Meio Ambiente

Luana Lourenço, Agência Brasil

“A posição brasileira para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro, em Copenhague (Dinamarca), só deve ser definida na próxima semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A principal ideia em discussão é a do Ministério do Meio Ambiente (MMA), de reduzir as emissões nacionais de gases de efeito estufa em 40% até 2020, baseada principalmente na queda do desmatamento. Um dos autores da proposta, o consultor do MMA, Tasso Azevedo, argumenta que o Brasil deve ir além e defender uma meta global de emissões.

“O Brasil tem a obrigação de propor uma meta global. É preciso liderar para que os países desenvolvidos saiam do imobilismo”, defende.

Os ministérios da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores – encarregado da negociação diplomática – têm ressalvas a compromissos mais ousados sem que haja contrapartida dos países ricos, que, segundo as regras internacionais do clima, contribuíram mais para o aquecimento do planeta e por isso têm que assumir responsabilidades maiores no enfrentamento do problema.

Segundo Azevedo, sem um limite global de emissões, “que diga quanto o planeta poderá emitir”, não é possível fechar a conta para definir mecanismos compensatórios, como a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd). O risco é que os países desenvolvidos comprem créditos de reduções feitas por outras nações e continuem a emitir gases estufa sem restrições.

“O Redd não pode cometer o mesmo erro do MDL [Mecanismo de Desenvolvimento Limpo], que é falido do ponto de vista da redução de emissões”, avalia.

A pouco mais de um mês da reunião, Azevedo teme a movimentação internacional em torno de um plano B para Copenhague. Alguns negociadores já cogitam adiar para meados de 2010 a decisão sobre o novo acordo climático que ampliará o Protocolo de Quioto . “Isso é desonesto com o processo. Temos forçado a barra para não deixar a bola cair e forçar uma decisão em Copenhague.”

Um dos freios da negociação, segundo Azevedo, é a expectativa internacional pela posição dos Estados Unidos, que podem chegar à conferência sem a lei climática nacional votada pelo Senado. “Estamos sendo complacentes com os EUA, o mundo está esperando a lei americana para definir o que os outros países poderão fazer. Isso é um absurdo, porque o que eles pretendem fazer é muito pouco.”

Feira de produtos orgânicos reflete crescimento do setor

Daniel Mello, Agência Brasil

“A expansão do mercado de produtos orgânicos no Brasil se reflete no crescimento da Biofach, uma das maiores feiras do ramo em São Paulo. Segundo a coordenadora do evento, Rosina Cordeiro, a primeira edição da feira, em 2003, contou com 80 expositores, número que chegou a 300 este ano. “Antigamente, ninguém sabia o que era orgânico, mas hoje em dia está ficando uma coisa mais popular.”

Para o diretor da certificadora IBD, José Pedro Santiago, os produtos produzidos sem agrotóxicos e sem agressão à natureza estão deixando de ser um mercado específico e passando a ser um grande negócio. Ele baseia a sua avaliação no aumento da procura pela certificação que garante o selo de orgânico aos produtos.

“Há um conjunto de fatores que está alavancado a agricultura orgânica, apesar das crises”, avaliou Santiago. Na opinião dele, as preocupações com as mudanças climáticas, o aumento da divulgação na imprensa e uma maior atenção por parte do governo,são alguns dos fatores esponsáveis pelo crescimento do setor.

Nesse contexto, eventos como a Biofach buscam aproximar os produtores das oportunidades de negócios com possíveis revendedores, como redes de supermercados e lojas especializadas. A Biofach é realizada simultaneamente e no mesmo espaço da ExpoSustentat, feira de produtos produzidos de forma sustentável.

A possibilidade de conseguir um contrato com uma rede varejista trouxe Francisco José do Rio Grande do Norte para a feira em São Paulo. Ele explicou que conseguir negociar diretamente com um distribuidor para o mel em bisnaga e sachê pode garantir uma renda melhor aos 300 sócios de sua cooperativa. No modelo atual, eles vendem em grande quantidade para um atravessador que coloca o produto em recipientes menores e revende para o varejo. "Queremos agregar mais preço nos nossos produtos. Quando a gente vende nesses baldes de 25 quilos, eles saem um pouco baratos. A gente vendendo nesses frascos menores, ele sai num preço bem melhor para nós”.

O mel de Francisco está exposto no estande Caatinga-Cerrado, que reúne 20 cooperativas, duas redes de cooperativas e duas empresas. De acordo com assessor técnico do projeto, Luiz Carlos Rebelatto, a estrutura representa diretamente 7 mil famílias de 13 estados. Segundo ele, no ano passado o estande com produtos provenientes dos dois biomas gerou cerca de R$ 2 milhões em negócios.”

Google fecha acordo milionário de prestação de serviços com Los Angeles

Redação, Portal IMPRENSA

“A Câmara Municipal de Los Angeles (EUA) aprovou uma proposta que viabiliza o uso de serviços online do Google na Casa. O contrato de serviço, estipulado em US$ 7,2 milhões, firmado com a empresa Computer Science, prevê a substituição de boa porte dos sistemas do computadores da cidade pelo Google Apps.

Na avaliação de agência de notícias AP, a medida é um grande passo para a gigante da web, que disputa mercado na área de programas de escritório com sua principal concorrente, a Microsoft.

O Google fornecerá os serviços e e-mail, agenda, bate-papo online, entre outros, para cerca de trinta mil empregados do município.

Para que o acordo fosse firmado, anteriormente foi aprovada uma emenda que obriga a empresa responsável a pagar uma multa em caso de algum tipo de falha de segurança. Autoridades e defensores da privacidade demonstram preocupação em relação ao contrato, pois o Google disponibiliza os dados online, não os armazena em computadores individuais sob o controle das autoridades responsáveis.”

Estudo analisa papel das empresas no desmatamento

Paula Scheidt, do CarbonoBrasil / Envolverde

"Fundação inglesa mapeia a cadeia produtiva da soja, óleo de palma e outras commodities para mostrar às companhias os riscos associados à pegada florestal de seus negócios e convencê-las a agirem com responsabilidade ambiental.

O que uma grande companhia aérea européia tem a ver com o desmatamento na Amazônia? Provavelmente muito, já que há grandes chances de o frango que é servido a bordo ter sido alimentado com soja que, muito possivelmente, veio de plantações brasileiras que contribuíram para a destruição de mata nativa.

Indivíduos e empresas contribuem para o desmatamento muitas vezes sem saberem disto, pois tais conexões da origem da matéria-prima até o produto que chega aos consumidores nem sempre são fáceis de serem feitas.

“Se de um lado os países ricos dizem para parar o aquecimento global dando dinheiro para conter o desmatamento nos países pobres, por outro lado é o próprio mercado destes países que está incentivando a derrubada das florestas”, afirma o coordenador de campanhas da Global Canopy Foundation, Niki Mardas.

Junto com medidas de controle e fiscalização dos governos em solo e incentivos financeiros para manter as áreas de preservação ambiental bem cuidadas, identificar esta pegada florestal e, depois, reduzi-la é um passo crucial para proteger as florestas.

Por esta razão, a ONG inglesa Global Canopy Foundation se propôs a analisar a cadeia produtiva das cinco commodities chaves no processo de desmatamento – soja, carne bovina (e couro), madeira, óleo de palma e biocombustíveis – para mostrar às empresas o quanto seus negócios contribuem para a destruição das florestas, no chamado projeto Forest Footprint Disclosure (FFD - http://www.forestdisclosure.com).

“Nosso objetivo é ajudar os negócios a entender e medir sua pegada florestal. Só depois eles poderão lidar com ela”, explica Mardas.

Segundo o estudo, estimados 32% da soja brasileira são exportadas para a Europa e tem como destino principal a alimentação de rebanhos de aves ou porcos, por exemplo. Entre 1999 e 2004, a produção de soja na região da Amazônia cresceu 15% ao ano, com a safra de 2004/05 produzindo 50 milhões de toneladas sobre 23 milhões de hectares – uma área do tamanho do Reino Unido.

Outro exemplo vem do óleo de palma, que é considerado um ‘super produto’ pela sua alta versatilidade, já que serve para fazer desde pasta de dente e chocolates até sopas e cereais. Praticamente 10% do que está nas prateleiras dos mercados europeus contém óleo de palma. Mais de 80% das 42 milhões de toneladas produzidas em 2007 mundialmente vieram da Indonésia e Malásia. Entre 1990 e 2005, mais da metade da expansão nestes países ocorreu na conversão de matas nativas e turfas.”
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28 Outubro, 2009

Governo estuda corte maior de CO2 e apoia plano florestal da ONU

Raymond Colitt, Reuters

“O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse nesta terça-feira que o governo está estudando cortes mais profundos de CO2 do que o anunciado anteriormente e que o país apoia o esquema endossado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a preservação de florestas, conhecido pela sigla Redd.

Há a expectativa de que o Brasil tenha um papel-chave nas negociações durante a cúpula de Copenhague, em dezembro, que pretende esboçar um novo tratado internacional sobre mudanças climáticas.

O governo brasileiro está estudando uma redução de 40 por cento na emissão de 2,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono prevista para 2020, que passaria a cerca de 1,7 bilhão de toneladas. Em 2005, a emissão foi de 2,1 bilhões de toneladas e, em 1994, de 1,7 bilhão. Minc havia dito anteriormente que a meta era congelar as emissões nos níveis registrados em 2005.

"Nossa proposta evoluiu. A proposta (do ministério) é reduzir 40 por cento da estimativa do crescimento (dos níveis) até 2020", disse Minc em uma entrevista coletiva em Brasília.

Em 3 de novembro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomará a decisão sobre a proposta que o Brasil levará à cúpula da ONU sobre o clima na capital dinamarquesa.

O governo já havia decidido que iria apoiar em Copenhague, com condições, um esquema proposto chamado Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd), disse Minc.”
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Câmara aprova política nacional de mudanças climáticas

Rodolfo Torres e Renata Camargo, Congresso em Foco

“A Câmara aprovou nesta terça-feira (27) substitutivo ao Projeto de Lei 18/07, que cria a Política Nacional de Mudanças Climáticas. A proposta, que agora vai ao Senado, é listada como uma das contribuições do Congresso para fortalecer a posição brasileira na 15ª Conferência de Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP 15). O evento ocorrerá em Copenhague, capital da Dinamarca, em dezembro deste ano.

A proposta institui instrumentos gerais a serem utilizados para minimizar ou evitar os impactos negativos das ações do homem no meio ambiente. Entre outras coisas, obriga o Poder Público a adotar diversas medidas para economizar água, energia elétrica e para reduzir a emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Prevê também que sejam estabelecidas medidas fiscais e tributárias para estimular a redução de emissões.”
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27 Outubro, 2009

Meta brasileira no clima é tímida, diz Marina nos EUA

Sérgio Dávila, Folha Online

"É tímida a base da proposta que o Brasil deve levar para a conferência do clima de Copenhague, em dezembro, que limita a redução das emissões dos gases-estufa à redução do desmatamento no país, em 80% até 2020. A opinião é da senadora Marina Silva (PV-AC), ex-ministra do Meio Ambiente do governo Luiz Inácio Lula da Silva e pré-candidata à corrida presidencial de 2010.

"Não podemos nos limitar à redução das emissões apenas pela redução do desmatamento", disse ela ontem à tarde, em Washington, em encontro com jornalistas brasileiros, respondendo a uma pergunta da Folha. "Deve-se ter uma meta global, que seja para o desmatamento, para energia e para agricultura, para todos os setores."

O Ministério do Meio Ambiente tem proposto uma meta mais ousada, que inclui outros setores, mas esta enfrenta resistências no governo.

Para a senadora, no entanto, há condições objetivas para chegar à meta global, mas esta ainda precisa ser definida. "Hoje, o grande desafio para o Ministério do Meio Ambiente é poder chegarmos a Copenhague com uma meta global, não apenas por desmatamento", disse Marina, que está em Washington a convite do Brazil Institute do Wilson Center para debater a preparação para a reunião de dezembro.”
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26 Outubro, 2009

Redução de emissões por desmatamento pode render até US$ 16 bilhões ao país, prevê Abemc

Bruno Bocchini, Agência Brasil

"Dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc) apontam que a inclusão dos mecanismos de Redução de Emissões de Carbono por Desmatamento e Degradação (REDD), durante a negociação de um novo acordo substitutivo do Protocolo de Quioto, poderia gerar uma receita de US$ 8 bilhões a US$ 16 bilhões ao Brasil em créditos de carbono.

Hoje, os mecanismos de REDD, que considera como crédito de carbono florestas “em pé”, não são elegíveis para o Protocolo de Quioto, que aceita apenas duas possibilidades de crédito na área florestal: o reflorestamento e o aflorestamento (em áreas onde nunca existiram florestas). “A conservação florestal, o desmatamento evitado [relativo ao REDD], não faz parte ainda do protocolo”, disse o presidente da Abemc, Flavio Rufino Gazani.

O presidente da entidade afirmou que o governo brasileiro, depois de ter rejeitado a inclusão de florestas nativas nas negociações do Protocolo de Quioto, mudou recentemente sua posição e acena com a possibilidade de incluir este mecanismo nas propostas que levará para a 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15), em Copenhague, no mês de dezembro.

“A ideia de já incluir isso é que o próximo acordo, seja ele uma continuação do Protocolo de Quioto, ou um novo acordo, já venha contemplando essa necessidade”, disse.

Para Gazani, o REDD deva ser um meio de conservação da floresta associada à exploração sustentável em áreas específicas, e não prever apenas a manutenção das florestas “em pé”.

Rebelo defende viés consultivo para o Conama

"Responsável pela elaboração de normas e critérios para o licenciamento de atividades poluidoras no País, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) deve ganhar uma nova formatação. Precisa perder o caráter deliberativo, capaz de determinar o que a União, estados e municípios devem fazer nessa área, e ficar apenas como órgão consultivo. A ideia é defendida pelo líder comunista Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ex-presidente da Câmara dos Deputados, que assumiu, na semana passada, mais uma missão polêmica - a de relator da Comissão Especial que vai analisar a reformulação do Código Florestal. Um pomo da discórdia que está sob o fogo cruzado dos ambientalistas e ruralistas.

Abnor Gondim, DCI


"O Conama deve ser um órgão consultivo", afirmou Rebelo, em entrevista exclusiva ao DCI. "O órgão que legisla sobre qualquer matéria no País é o Congresso, e não um órgão que não foi eleito, que não tem legitimidade de legislar", justificou. Ele também criticou a atuação de ONGs estrangeiras no País para promover uma guerra comercial contra o Brasil.

Como estão os trabalhos sobre o novo Código Florestal? Qual a previsão de conclusão?

Não temos previsão de conclusão. Nós só temos previsão do início. Agora, pelo menos já começamos. É um trabalho que não deve ter uma conclusão rápida. A ideia é levar isso até março, abril do próximo ano.

Há seis propostas que estão sendo avaliadas. É isso mesmo?

Exatamente. Se você for considerar rigorosamente, tem muito mais do que isso. Tem 40 e tantas matérias sobre o assunto tramitando na Câmara. Então, é muita matéria para ser debatida e conversada pra chegarmos a, pelo menos, votar alguma coisa de relevância.

Foi surpresa o senhor ser designado relator do Código Florestal?

Fui indicado por todos os partidos, menos, oficialmente, pelo PSOL e pelo PV. Fui indicado pelo PT, PCdoB, PSB, PDT, PMDB, DEM, PSDB. É um tema polêmico, mas havia uma radicalização envolvendo as teses da agricultura e as teses do meio ambiente. Nós temos de elaborar um Código Florestal que preserve o meio ambiente e que preserve a agricultura também. O deputado Ivan Valente (PSol-SP) não concordou com essa indicação por causa de sua posição contrária à decisão do Supremo Tribunal Federal de manter a demarcação contínua das terras indígenas de Raposa Serra do Sol (RR). É mais uma vez uma polêmica também em que eu acho que ali você podia preservar também os interesses de todo mundo. Quando você separa o País em índio e não-índio, você já está errado. E a minha visão é que os interesses dos índios e dos não-índios no Brasil têm de ser compostos em torno do interesse público, do interesse nacional. Mas isso vira discurso e, o que é pior, o meio de vida de muita gente. Gente que se alimenta dessa guerra fratricida. Essas pessoas falam dos arrozeiros, mas não falam dos milhares de caboclos pobres que vivem a mesma vida dos índios e que foram excluídos da solução.

Os ambientalistas reclamam também que, no caso dos transgênicos, o senhor adotou uma posição mais flexível.

No caso dos transgênicos, eu recebi uma matéria do governo que era muito confusa e procurei dar racionalidade. Nós vivíamos em moratória. Os pesquisadores da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], por exemplo, estavam proibidos de pesquisar aquilo que os outros países já faziam (Estados Unidos, Índia, Cuba). Eu encontrei uma forma de introduzir o dispositivo que o projeto original do governo não tinha, que era a autorização da pesquisa com célula-tronco. Graças a Deus todos os cientistas são unânimes em reconhecer que foi um avanço muito grande para a ciência e para a saúde do País.”
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Crescem os negócios sustentáveis

Luciana Abade, Jornal do Brasil

“Desenvolvimento sustentável. A expressão está na boca de todos. Mas ruralistas e ambientalistas não conseguem definir um código florestal que coloque em prática a ideia, assim como os países ricos e os em desenvolvimento não conseguem, a dois meses da Conferência de Copenhague, chegar a um acordo de mitigação de gases estufa que não atrapalhe o desenvolvimento. Enquanto isso, pequenos e grandes empresários brasileiros mostram que é possível produzir de maneira sustentável e aumentar os lucros. A máxima vale para todos os ramos, da exploração da madeira à produção de carne.

Pioneiro no mercado de carne orgânica, o frigorífico Friboi trabalha desde 2004 com uma linha de carnes oriundas de animais criados em pasto sem agrotóxico ou adubação química e tratados com medicamentos homeopáticos. A fazenda onde fica o rebanho orgânico é toda certificada. Para isto, além dos cuidados específicos com o gado, ela precisa respeitar a reserva legal e dar uma atenção maior à água. Todo o cuidado extra gera um custo maior. A produção orgânica custa 30% a mais. Este valor é repassado ao produto. Ainda assim, a demanda está crescendo 20% ao ano, segundo o gerente de Marketing da Friboi, Flávio Saldanha.

– Além de buscar uma alimentação mais saudável, as pessoas começam a procurar um produto que cumpra com sua responsabilidade ambiental – afirma Saldanha.

De acordo com a organização não-governamental Amigos da Terra-Amazônia, uma pesquisa realizada em 2006 pelo Ministério do Meio Ambiente mostrou que os entrevistados tinham 0% de noção do que era a certificação internacional de sustentabilidade, conhecida como selo FSC ou selo verde. Essa mesma ONG lembra que um levantamento recente, feito pelo Datafolha, mostrou que 20% da população já sabe do que se trata a certificação. Nele, 80% dos entrevistados afirmaram estar dispostos a pagar mais caro por um produto sustentável.”
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25 Outubro, 2009

Aumenta a onda de refugiados ambientais

Lester Brown, Envolverde / IPS

“A civilização do início do século XXI está encurralada entre o avanço dos desertos e a elevação do nível do mar. Se considerarmos a superfície de terras biologicamente produtivas habitáveis por comunidades humanas, a Terra está encolhendo. O aumento da densidade demográfica, antes causada apenas pelo crescimento da população, agora também é alimentado pelo implacável avanço dos desertos, e logo poderá ser afetado pelo aumento previsto do nível do mar. Na medida em que a extração excessiva esgota as reservas aquíferas, milhões mais se veem forçados a se reassentar em busca de água.

A expansão do deserto na África subsaariana, principalmente nos países do Sahel, causa o deslocamento de milhões de pessoas, obrigando-as a seguirem para o sul ou emigrarem para a África do norte. Já em 2006, uma conferência da Organização das Nações Unidas sobre desertificação realizada em Túnis estimou que para 2020 até 60 milhões de pessoas poderão emigrar da África subsaariana para a África setentrional e a Europa. Este fluxo está em curso há muitos anos.

Em meados de outubro de 2003, as autoridades da Itália descobriram um barco que se dirigia a esse país transportando refugiados procedentes da África. A embarcação esteve à deriva mais de duas semanas, ficou sem combustível, alimentos e água. Muitos dos passageiros morreram. No começo, os cadáveres foram jogados na água. Mas, após algum tempo, os sobreviventes ficaram sem forças para levantar os corpos. Deste modo, vivos e mortos compartilharam o bote. Um socorrista descreveu o que viu como “uma cena do inferno de Dante” Alighieri.

Acredita-se que os refugiados eram somalianos embarcados na Líbia. Mas os sobreviventes não revelaram seu país de origem para não serem enviados de volta. Ignora-se se eram refugiados políticos, econômicos ou ambientais. Estados falidos como a Somália expulsão sua população por causa desses três fatores. Ali há um desastre ecológico, com excesso de população, excesso de pastoreio e, como consequência, uma desertificação que destrói sua economia pastoril. Talvez o maior fluxo de emigrantes somalianos se dirija para o Iêmen, outro Estado falido. Estima-se que em2008 foram 50 mil os migrantes e solicitantes de asilo que chegaram a esse país, 70% mais do que em 2007.

E durante os primeiros três meses de 2009, o fluxo migratório foi até 30% superior ao de igual período do ano passado. Estes números simplesmente se somam às pressões já insustentáveis sobre a terra e os recursos hídricos do Iêmen, acelerando seu declive. No dia 30 de abril de 2006, um homem que pescava nas águas de Barbados descobriu um bote à deriva com os cadáveres de 11 homens jovens “Praticamente mumificados” pelo sol e pelo sal do oceano Atlântico.

Ao aproximar-se o fim, um passageiro deixou um bilhete entre os corpos: “Gostaria de enviar dinheiro para minha família em Basada (Senegal). Por favor, me perdoem e adeus”. Aparentemente, seu autor integrava um grupo de 52 pessoas que partiram desse país africano às vésperas do Natal em um bote com destino às ilhas Canárias, ponto usado como trampolim para a Europa. Devem ter viajado cerca de 3.200 quilômetros. A travessia terminou no mar do Caribe. Este barco não foi o único, durante o primeiro fim de semana de setembro de 2006, a polícia interceptou botes da Mauritânia com quase 1.200 pessoas a bordo.

Para muitos moradores de países da América Central, incluídos Honduras, Guatemala, Nicarágua e El Salvador, o México costuma ser a porta de entrada para os Estados Unidos. Em 2008, as autoridades mexicanas de imigração registraram 39 mil detenções e 89 mil deportações. Na cidade de Tapachula, na fronteira entre Guatemala e México, homens jovens em busca de trabalho esperam ao longo das vias férreas um lento trem de carga que atravessa a cidade em sua rota para o norte. Alguns conseguem subir, outros não.”
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24 Outubro, 2009

Brasil antecipa em três anos adição de 5% de biodiesel ao diesel

Paula Laboissière, Agência Brasil

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que a adição de 5% de biodiesel ao diesel consumido no Brasil foi antecipada em três anos. O chamado B5, que entraria em vigor apenas em 2013, já será obrigatório em janeiro de 2010.

“É um combustível menos poluente e mais gerador de empregos. Temos todas as razões do mundo para consagrá-lo. O Brasil pode se apresentar como um grande referencial mundial em conhecimento tecnológico e capacidade produtiva”, disse Lula.

A expectativa, de acordo com a Presidência da República, é de que o B5 aumente a produção de biodiesel para 2,4 bilhões de litros em 2010, fortalecendo a posição do Brasil na liderança mundial de energias renováveis em escala comercial. Para Lula, o país é hoje respeitado mundialmente e é preciso aproveitar o que chamou de “momento de ouro” para transformar o futuro em políticas sociais e econômicas “sólidas”.

O ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, cobrou que é preciso "fazer do biodiesel uma realidade". Segundo ele, o país vai se beneficiar com a geração de emprego e renda lideradas pela produção do biodiesel, além da menor emissão de CO2 na atmosfera.

O presidente lembrou que a nova mistura deverá contribuir também para reduzir a importação de diesel pelo Brasil. Ele destacou que o país não pode continuar a depender apenas da soja. Perdemos 28 anos [desde que o biodiesel foi patenteado, em 1975]. Essa decisão já deveria ter sido tomada”, afirmou.

Lula acredita que a crise econômica mundial veio “provar” que o Estado precisa ser regulador e, ao mesmo tempo, indutor. “Isso aumenta as nossas responsabilidades”, disse, ao sugerir que reuniões sobre biodiesel sejam realizadas pelo menos uma vez ao ano.“Se a gente não induzir o cidadão, não vai acontecer. Temos que dizer que queremos, que vamos comprar, que vamos usar e qual a política de incentivo”, finalizou.”

23 Outubro, 2009

Rumo a Copenhague pisando em ovos

Washington Novaes, O Estado de São Paulo

“Que significará exatamente a afirmação do presidente da República (Estado, 24/9) de que o Brasil está disposto a discutir metas e compromissos de reduzir suas emissões de poluentes que contribuem para mudanças climáticas? Significará assumir compromissos obrigatórios no âmbito da Convenção do Clima, em Copenhague, em dezembro - compromissos que até agora tem recusado? E, se aceitar, como ficará sua posição perante os demais países emergentes, que até aqui se recusam a assumir esses compromissos, por entenderem que eles devem caber aos países industrializados, que emitem há muito mais tempo e, até há pouco, em maior volume?

Terão o mesmo sentido afirmações do ministro do Meio Ambiente de que o Brasil quer assumir compromissos "externos e obrigatórios" de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020? Segundo o ministro Carlos Minc (Estado, 25/8), o Brasil assumirá metas de redução, mas cobrará recursos, parcerias e tecnologias dos países industrializados, uma vez que nosso país já aceitou a meta de lutar para que o aumento da temperatura do planeta não passe de dois graus. Hoje, diz ele, embora o desmatamento tenha caído, a participação da indústria e da geração de energia no total das emissões nacionais subiu de 18% para 30% do total.

Na questão do desmatamento, a intenção brasileira há tempos anunciada é de reduzi-lo em 40% no período 2006-2009, tomando por base a média do período 1996-2005. Na verdade, meta já atingida, uma vez que o desmatamento médio no período-base foi de 19,5 mil km2 por ano, enquanto em 2006 foram 14,1 mil, em 2007 chegaram a 11,5 mil e em 2008, a 12,7 mil km2 - e a meta seria de 13,6 mil km2. Para chegar à redução de 70% em 2017 - outra intenção anunciada - o desmatamento terá de baixar para 5.700 km2 anuais. E para reduzir em 80% até 2020 precisará cair para 3.800 km2/ano.

Tudo isso, neste momento, parece estar no limbo, diante das dificuldades encontradas em Bangcoc nas discussões entre países industrializados, emergentes e demais nações, encerradas há duas semanas. Um impasse, na verdade, pois não se avançou em compromissos de redução de emissões, nem na transferência de recursos e tecnologias dos países desenvolvidos para os demais e que os ajudem a enfrentar os "desastres naturais" decorrentes do clima. Os países emergentes chegaram a acusar os industrializados de "sepultar" o Protocolo de Kyoto, que estabelece obrigação de esses países industrializados reduzirem, em conjunto, suas emissões em 5,2% sobre os níveis de 1990, no período 2008-2012. Só a Noruega se dispôs a reduzir suas emissões em 40% (sobre 1990) até 2020. E o diagnóstico dos cientistas é de que todos os industrializados precisariam fazer esse corte e chegar a 2050 com redução de 80%.”
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Países pobres poderão ter de cortar CO2 em 15%, aponta ONU

Reuters / JB Online

“Os países em desenvolvimento poderão ter de reduzir o crescimento projetado de suas emissões de carbono em 15 por cento até 2020 se os países ricos concordarem em diminuir as deles em até 40 por cento dentro de um novo pacto global, afirmou uma importante autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira.

As negociações para um acordo global contra a mudança climática, a ser selado em Copenhague em dezembro, empacaram na questão dos níveis de cortes das emissões dos países ricos e dos em desenvolvimento.

Um relatório de 2007 de um painel climático da ONU afirma que os cortes teriam de chegar a 25-40 por cento a fim de evitar o pior cenário da mudança climática, como mais incêndios florestais, tempestades de areia, extinções, aumento no nível dos oceanos e ciclones mais potentes.

Ao mesmo tempo, todos, à exceção dos mais pobres entre os países em desenvolvimento, teriam de fazer um "desvio substancial" dos níveis referenciais até 2020.

- Se os países industrializados reduzem em 25-40 por cento até 2020, então acho que até 2020 será talvez necessário ver algo na ordem de um desvio de 15 por cento abaixo dos negócios habituais nos países em desenvolvimento - afirmou Yvo de Boer, chefe da Convenção da ONU sobre Mudança Climática, em uma entrevista coletiva.”
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22 Outubro, 2009

Serviço Florestal reabre licitação de floresta pública no Pará

Agência Brasil

“Após mudanças no edital, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) reabriu hoje (22) a licitação para concessão de 140 mil hectares da Floresta Nacional de Saracá-Taquera, no Pará. Lançado em junho, o processo foi interrompido por um pedido de impugnação feito pela União das Entidades Florestais do Pará.

O SFB vai utilizar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) como o indicador para atualizar os preços pagos pelos concessionários anualmente, como pediram os representantes dos madeireiros.

O novo edital também traz mudanças em relação aos valores mínimos, que terão incremento gradual de alíquota. Os concessionários pagarão, no primeiro ano do contrato, 3% do preço anual estabelecido sobre o valor total da proposta de preço. Essa porcentagem sobe para 15% no segundo ano e, apenas no terceiro ano, atinge os 30%, que deverão ser pagos anualmente.

De acordo com o SFB, a redução do percentual do repasse foi feita para "adequar os contratos à realidade da atividade de manejo", já que nos primeiros anos as concessionárias deverão preparar as áreas para iniciar a exploração.

As empresas interessadas têm até o dia 14 de dezembro para apresentar as propostas. A escolha dos vencedores da licitação vai levar em conta a apresentação de critérios socioambientais e iniciativas para o desenvolvimento das comunidades que vivem na região.

Nas áreas de floresta licitadas, as espécies de árvores exploradas são definidas por um plano de manejo e a retirada é feita com base em um revezamento. O empresário divide a área em pequenos lotes e explora um de cada vez, para que a parte derrubada possa se regenerar. O cumprimento do plano de manejo é fiscalizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de auditorias independentes a cada três anos.”

Brasil pleiteia na OMS 'direito soberano' sobre novos vírus

País quer que vacinas e tecnologias surgidas de agentes descobertos em países pobres sejam partilhadas

Jamil Chade, Agência Estado

O Brasil quer ter o "direito soberano" sobre amostras de vírus encontrados no País, e um acordo internacional que garanta que países emergentes tenham acesso às vacinas e tecnologias que sejam criadas a partir dos agentes descobertos em seus territórios, mesmo que por empresas multinacionais nos países ricos. A proposta faz parte de um pacote de reformas que o Itamaraty propôs na Organização Mundial da Saúde (OMS) e que, nesta semana, foi rejeitada por Estados Unidos e Europa. Hoje, há uma obrigação de compartilhamento de vírus, mas não dos resultados de pesquisas e eventuais curas.

A proposta brasileira é para a criação de um mecanismo internacional para garantir a transferência de conhecimentos, tecnologia e amostras de vírus para a fabricação de vacinas nos países em desenvolvimento.

O pacote é apoiado por Irã, Indonésia, Bolívia, Índia, Cuba e todos os países africanos. "Não estamos propondo o fim do compartilhamento do vírus. Mas garantir que todos sejam beneficiados pelas pesquisas", explicou Silvio Albuquerque e Silva, chefe da Divisão de Temas Sociais do Itamaraty e negociador do Brasil para o assunto na OMS.

Hoje, o Brasil é praticamente o único na América Latina a produzir vacinas e não quer que doações - como as que ocorrem hoje para a gripe suína - sejam a solução para a disparidade tecnológica entre países ricos e pobres. Dados da OMS ainda indicam que 90% da capacidade de produção de vacinas hoje, no mundo, está nos países desenvolvidos. Os países ricos prometeram que 10% de sua produção de vacinas iria para os mercados mais pobres. "As doações não são a solução. Elas explicitam as deficiências do sistema", aponta Silvio Albuquerque e Silva.

O Brasil vai produzir 18 milhões de doses da vacina contra a gripe suína em um primeiro momento e comprará 53 milhões de doses da francesa Sanofi. O plano é de que jovens, crianças com menos de dois anos e pessoas com certos problemas de saúde sejam os primeiros a serem vacinados.”
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O princípio da participação na tutela do meio ambiente

Ana Célia Reveilleau, Correio da Cidadania

“A previsão de participação popular encontra amparo na Carta Magna de nosso país quando estabelece que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes..." (art. 1° C.F.). E de forma específica quanto ao meio ambiente, dispõe que é dever do poder público e da coletividade defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (art. 225 C.F.).

No âmbito internacional destacamos duas convenções, que expressamente ressaltam a necessidade da participação:

1) Declaração do Rio de 1992, conhecida como Eco/92, artigo 10, in verbis: "O melhor modo de tratar as questões ambientais é com a participação de todos os cidadãos interessados, em vários níveis. No plano nacional, toda pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o ambiente de que dispõem as autoridades públicas, incluídas a informação sobre os materiais e as atividades que oferecem perigo em suas comunidades, assim como a oportunidade de participar do processo de adoção de decisões. Os Estados deverão facilitar e fomentar a sensibilização e a participação do público, colocando a informação à disposição de todos. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e a administrativos, entre os quais o ressarcimento dos danos e os recursos pertinentes";

2) Convenção de Aarthus, realizada durante a Comissão Econômica para Europa, da Organização das Nações Unidas, em 21 de abril de 1998, na Dinamarca, na qual se discutiu e aprovou a Convenção sobre o "Acesso à informação, à Participação Pública em Processos Decisórios, e à Justiça em Matéria Ambiental", assim dispôs em seu artigo primeiro: para contribuir para a proteção do direito de qualquer pessoa das presentes e futuras gerações e viver num ambiente adequado para o seu bem-estar, deverá ser garantido o seu direito de acesso à informação, à participação pública em processos decisórios e à justiça em matéria de meio ambiente.

Com a leitura dessas disposições legais, pode-se verificar a grande importância da participação da sociedade na defesa do meio ambiente, porém, não podemos deixar de mencionar, que para a efetivação do processo participativo é indispensável que esteja apoiado em informações claras, objetivas, honestas e sinceras. A partir dessas premissas o cidadão tornar-se-á apto a tomar decisões coerentes e sensatas, seja no plano político, econômico ou ambiental. Nesse sentido, nossa Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n. 9.638/81) e o art. 225, parágrafo 1º, VI, dispõe sobre o acesso à informação, englobando tanto o direito à informação como o direito a ser informado.

De igual modo, podemos atribuir como essencial à participação da sociedade, o acesso à educação, base para formação e conscientização de um povo quanto aos seus direitos e suas responsabilidades. No âmbito da proteção ao meio ambiente foi instituída a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei n. 9.795 em 27 de abril de 1999), que define o que é educação ambiental, estabelece critérios e normas para a educação ambiental, e como será implementada no ensino formal, em currículos das instituições de ensino público e privado, englobando da educação básica à superior.”
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21 Outubro, 2009

Conama aprova inspeção veicular obrigatória em todo o País

Agência Brasil

“O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou nesta terça-feira (20) uma resolução que torna obrigatória a inspeção veicular em toda a frota do país. Atualmente, apenas os veículos das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro passam pela inspeção.

A resolução do Conama determina que todos os estados e municípios com mais de 3 milhões de veículos serão obrigados a ter um plano de inspeção veicular, que deve ser apresentado em até 12 meses após a publicação na norma no Diário Oficial da União.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a regra valerá para todos os “veículos automotores, motociclos e similares, independentemente do combustível que utilizem”. A inspeção poderá ser feita por amostragem, ou seja, não necessariamente toda a frota em circulação passará pela vistoria. Sem a inspeção, os veículos não poderão obter o licenciamento anual.

A expectativa da área ambiental é que a obrigatoriedade da inspeção veicular reduza as emissões de poluentes, intensificadas pela falta de regulagem e manutenção de motores.”

20 Outubro, 2009

Revisão de pesquisa confirma que vacina contra Aids tem eficácia

Maggie Fox, Reuters / Folha Online

“Os médicos que surpreenderam o mundo científico ao anunciar recentemente uma vacina que teria evitado algumas infecções pelo vírus da Aids divulgaram nesta terça-feira (20) detalhes do seu trabalho, e disseram que uma cuidadosa revisão ratificou as impressões iniciais.

Os detalhes do estudo, que mostrou que a vacina experimental evitou quase um terço das infecções entre 16 mil voluntários tailandeses, foram publicados na revista "New England Journal of Medicine".

"Essa é uma validação dos resultados", disse Jerome Kim, coronel do Exército dos EUA e médico do Instituto de Pesquisa do Exército Water Reed, em Maryland, um dos coordenadores do estudo.

Kim e seus colegas apresentarão os detalhes nesta terça-feira em uma reunião de pesquisadores da vacina contra a Aids em Paris.

A pesquisa combinou duas vacinas: a Alvac, do laboratório Sanofi-Pasteur, concebida para o combate à chamada varíola dos canários; e a frustrada vacina para Aids Aidsvax, desenvolvida pela empresa californiana VaxGen, que hoje pertence à ONG Global Solutions for Infectious Diseases.”
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Toda unanimidade é burra

Richard Jakubaszko, Observatório da Imprensa

“O aforismo de Nélson Rodrigues tem se revelado verdadeiro nessa questão que a mídia divulga de forma massiva e dogmaticamente, sem nenhum debate, sobre o CO2 ser a principal causa do chamado aquecimento planetário. Às vésperas da conferência de Copenhague, em dezembro próximo, já se cunhou e consagrou a expressão "economia de baixo carbono". Ora, nem a própria ciência tem essa certeza da unanimidade expressa pela mídia, pois vários cientistas registram que teremos resfriamento ao invés de aquecimento.

Não pretendo escrever aqui nenhum tratado científico ou tese de doutoramento, mas um argumento fundamentado em uma série de questões lógicas que tenham premissas científicas inquestionáveis, e esse parece ser o problema, pois são raras essas unanimidades na ciência. A mídia, por simplificar a informação, juntamente com a publicidade comercial das empresas "verdes", banaliza o assunto e confunde quem deseja conhecer a fundo as causas do problema.
Pesquisei dados sobre a proporção de CO2 na chamada camada de gases de efeito estufa (GEE) e na atmosfera. A conclusão a que cheguei é de que o que há de informação e desinformação na mídia e na internet é patético. Confunde-se atmosfera com camada de GEE...

Os seis elementos essenciais à vida

São eles, sem os quais a vida não existiria conforme a conhecemos:
1 – carbono
2 – hidrogênio
3 – oxigênio
4 – nitrogênio
5 – enxofre
6 – fósforo
e energia solar (luz e calor, sem o qual não haveria fotossíntese)
(A fórmula é CHONSP)

O carbono é um elemento notável por várias razões. Suas formas alotrópicas incluem, surpreendentemente, uma das substâncias mais frágeis e baratas (o grafite) e uma das mais duras e caras (o diamante). Mais: apresenta uma grande afinidade para combinar-se quimicamente com outros átomos pequenos, incluindo átomos de carbono que podem formar largas cadeias. O seu pequeno raio atômico permite-lhe formar cadeias múltiplas; assim, com o oxigênio forma o dióxido de carbono, vital para o crescimento das plantas (ciclo do carbono, a fotossíntese); com o hidrogênio forma numerosos compostos, denominados, genericamente, hidrocarbonetos, essenciais para a indústria e o transporte na forma de combustível derivados de petróleo e gás natural. Combinado com ambos forma uma grande variedade de compostos como, por exemplo, os ácidos graxos, essenciais para a vida, e os ésteres que dão sabor às frutas. Além disso, fornece, através do ciclo carbono-nitrogênio, parte da energia produzida pelo Sol. O carbono é a plataforma da vida sobre a Terra. Mas a mídia parece não saber – e não dá bola para essas coisas.”
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Crise Ambiental: tecnologia como “saída”

A natureza tem manifestado fenômenos extremos em diversas partes do mundo. É uma evidência de que o planeta vive uma crise ambiental, cujos principais responsáveis são os países industrializados e não países “emergentes” como o Brasil.

Eron Bezerra, Vermelho.org

Soluções existem. A redução de emissão de “gases de efeito estufa”, principalmente o CO2, pode ser feita com a adoção de manejo produtivo apropriado e incremento tecnológico. Não é necessário parar o crescimento econômico e muito menos tornar a Amazônia um “santuário” como pretende determinadas concepções ideológicas de matriz imperialista.

É preciso, porém, se compreender que esse é um debate muito mais de natureza econômica, política e ideológica do que propriamente tecnológica.

Existem centenas de tecnologias disponíveis para reduzir drasticamente o nível de poluição ambiental de carros, aviões, indústrias e mesmo da produção de alimentos, aí incluídos as atividades agrícola, pecuária, florestal e piscicultura.

Os países capitalistas industrializados, dentre os quais se destaca os Estados Unidos como o maior poluidor mundial, resistem em adotar essas tecnologias porque elas exigem a aquisição de novos equipamentos e, conseqüentemente, reduzem à margem de lucro deles.

Eles preferem a adoção do chamado “mecanismo de desenvolvimento limpo”, pelo qual podem praticar a redução de CO2 em outros países mediante o financiamento de atividades “limpas”.

Concomitantemente pressionam os países emergentes, em especial China, Brasil, Índia e África do Sul a reduzirem suas emissões como condição “sine qua non” para eventualmente se comprometerem com metas de redução de poluição.”
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19 Outubro, 2009

As abelhas estão sumindo

Hugo Penteado, Envolverde

“O problema climático está sendo tratado com uma questão isolada por quase todas as mentes pensantes, exceto os cientistas sérios da Terra. Os problemas ambientais planetários, que são vastos e ameaçadores, e que não se resumem apenas no aquecimento global, derivam das nossas ações diárias, do nosso comportamento em relação à natureza e da rota de colisão que decidimos traçar contra a Terra, guerra da qual não sairemos vencedores. Ecossistemas extremamente interligados estão em vias de passar por uma transformação brusca e não linear, caso essas ações diárias ligadas ao nosso modelo de produção e consumo não sejam abolidas.

Houve duas grandes extinções naturais da vida na Terra, causadas por mudanças climáticas bruscas. Nunca houve, desde os 4,6 bilhões de anos da Terra, mudança tão rápida, como o aumento em apenas 200 anos da concentração dos gases do efeito estufa na nossa finíssima atmosfera. Nunca houve também uma extinção antropomórfica como a atual ou que tivesse sido causado por apenas uma espécie. O fato aterrador é que a humanidade está produzindo a terceira maior extinção já registrada. Todos falam do problema climático, mas mal comentam que já está em curso o maior processo de extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos. A questão não é mais se vai acontecer, mas como podemos impedir o agravamento dessa tragédia. A Índia parou de produzir arroz e açúcar, a Austrália leite, os eventos climáticos extremos aqui no Brasil são noticiados quase que diariamente; o pólo norte tinha uma calota polar do tamanho dos Estados Unidos por milhões de anos, que durante o verão se reduz a 15% e em 2014 irá desaparecer por completo. A sorte é que essa calota já flutua nos oceanos e não aumenta o nível da água, mas cria feedbacks positivos ao substitiur a reflexão por absorção do calor dos raios solares com a menor superfície branca. Os feedbacks positivos começam a se alavancar em cascata, ameaçando as tundras, onde há uma quantidade colossal de gás metano que é 20 vezes mais poderoso que o gás carbônico para o aquecimento global. A situação piora e ameaça enormemente grande parte da população quando continentes gelados derreterem, elevando o nível dos oceanos em vários metros. Cientistas russos mostram que a inundação das cidades litorâneas é muito maior que o aumento do nível dos oceanos, por conta do efeito da maré. É na verdade um múltiplo. Essas mudanças ocorrerão quando a resiliência da Terra for vencida e além de ser irreversível a partir desse ponto, a mudança é brusca e tornará a vida inviável quase que inteiramente. Os cientistas, como Martin Rees, já declaram que a probabilidade do homem terminar o século XXI é bem pequena.”
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18 Outubro, 2009

Cartão amarelo para os Verdes

Os Verdes alemães estão arriscados de, em várias frentes, ficarem no banco de reservas. Não estão acompanhando a evolução de parte de seu próprio eleitorado tradicional para a esquerda, e perigam se enredar no jogo de cadeiras de poder que antes condenavam.

Flávio Aguiar, Carta Maior

O Partido Verde na Alemanha se apresenta e é referido como à esquerda no espectro político. Fundado em 1980, foi o primeiro partido político do gênero ambientalista a adquirir uma proeminência nacional, na Europa e no Mundo. Entre 1998 e 2005 integraram a aliança Vermelho-Verde com o Partido Social Democrata (SPD) do então chanceler Gerhard Schröder. Foi um sinal do sucesso do partido. Aí começaram também alguns problemas.
A base programática dos Verdes sempre destacou sua oposição ao uso da energia nuclear em todos os sentidos, tanto quanto o pacifismo e o ambientalismo.

Em 2001, como era parte do governo, o Partido Verde apoiou o envio de tropas alemãs, que o SPD defendia, ao Afeganistão, como parte da operação da OTAN na região. Consta que em troca o SPD concordou em diminuir e terminar a dependência energética alemã das centrais nucleares.
Mas o fato abalou a base Verde. Depois da queda do Muro de Berlim, acentuou-se a marcha lenta, seguríssima e nada gradual do SPD para a direita, implementando reformas neoliberais na Alemanha. Isso fez com que muitas das bases à esquerda do SPD dele se afastassem. E os Verdes apareceram como uma força alternativa, apoiando causas como a tolerância em relação à opção sexual, a luta contra a xenofobia, a legalização da presença dos estrangeiros em situação irregular, a luta pela igualdade entre homens e mulheres, e outras mais – entre elas o pacifismo, bandeira que unia essas lutas todas.

Uma espécie de fenda de San Andreas – aquela que um dia vai dividir a Califórnia em dois – se instalou dentro do Partido Verde. Até hoje seus líderes tentam conter a progressão da fenda.”
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16 Outubro, 2009

Financiamento e novas metas de redução estão travando acordo climático

Luana Lourenço, Agência Brasil

"A definição de um novo acordo climático global vai ficar para a última hora. Até agora, as reuniões preparatórias para o encontro das Nações Unidas em Copenhague, em dezembro, não conseguiram destravar questões como novos números para metas de redução de gases de efeito estufa para os países industrializados e como se dará o repasse de recursos para o financiamento de ações de adaptação e mitigação para os países em desenvolvimento.

Na rodada mais recente, que terminou na última semana em Bangcoc, os negociadores conseguiram reduzir o texto principal em mais de 100 páginas, mas as questões polêmicas ficarão mesmo para os dias finais da reunião de Copenhague, quando entrarão em cena os ministros, e talvez, os chefes de Estado. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, já afirmou que vai à Dinamarca para a conferência, espera-se que o norte-americano Barack Obama e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva façam o mesmo.

De acordo com o negociador-chefe da delegação brasileira, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, um dos principais impasses é o financiamento de ações para que os países em desenvolvimento enfrentem as mudanças climáticas. Pelas regras internacionais, os países ricos têm responsabilidade em repassar recursos para esse fim. O problema é que as duas partes até agora não chegaram nem perto de um acordo sobre a quantidade de dinheiro necessária.

O grupo dos países em desenvolvimento, G 77 mais a China, defende que os ricos repassem entre 0,5% e 1% do Produto Interno Bruto (PIB) anualmente para um ou mais fundos, para somar pelo menos US$ 400 bilhões por ano. A melhor (e única) proposta na mesa por parte dos países industrializados prevê aporte de cerca de US$ 140 bilhões, mas parte do dinheiro teria que vir dos países em desenvolvimento, caso do Brasil, da China e Índia.

“Há disposição e convergência para criação de um fundo. Mas uma coisa é criar, outra é como ele será abastecido”, avalia o embaixador.”
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Não deu no Jornal Nacional: Governo vai retirar impostos sobre produtos reciclados, anuncia Minc

Agência Brasil / JB Online

“O governo vai anunciar ainda este mês a retirada do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) sobre os produtos reciclados. A informação foi divulgada hoje (15) pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. O objetivo é estimular a cadeia produtiva dos reciclados, que já teriam pago impostos anteriormente, na sua forma original de produção.

"A retirada do imposto sobre os produtos reciclados é uma coisa que há muito tempo eu converso com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o que é fundamental, pois sem mecanismos econômicos de crédito, juros e impostos, estamos no idealismo. O meio ambiente e o clima vão avançar quando entrarem na economia real. O que significa formação de preço, política diferenciada de crédito e política tributária", disse Minc.

O ministro adiantou que o anúncio deve ser feito no dia 29 de outubro, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo. Minc afirmou ainda que já há entendimentos com a Fazenda para a retirada de impostos sobre produtos de geração eólica e também a respeito da redução tributária sobre o carro elétrico, que paga mais IPI do que um veículo convencional.

Outra medida em estudo pelo governo é o incentivo a cooperativas de catadores por meio do pagamento de serviços ambientais urbanos. "É um mecanismo econômico que inclui mais gente na proteção. Se a sociedade acha que uma coisa é importante, tem que valorar do ponto de vista monetário. No caso dos catadores, é estabelecer um preço mínimo de sustentação para os produtos reciclados, de maneira a impedir que eles fiquem na miséria, como na crise que derrubou o preço dos produtos", explicou Minc.

Segundo ele, o estudo está sendo finalizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e deve ser anunciado em novembro pelo presidente Lula.”
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"Matrix" para camundongos investiga como mapas são feitos no cérebro

New Scientist / Folha Online

“Um sistema de realidade virtual, criado especialmente para camundongos, pode ajudar a explicar como o cérebro cria mapas sobre o seu entorno.

Quando o cérebro de ambos --pessoas e camundongos-- explora um ambiente, "lugares" especializados nas células cerebrais do hipocampo entram em atividade. Implantes de eletrodos situados muito próximos aos neurônios detectaram estes sinais no passado --que nada mais são do que conceitos para ajudar o cérebro a construir mapas do meio no qual se está inserido.

Um sistema de realidade virtual, criado especialmente para camundongos, pode ajudar a explicar como o cérebro cria mapas sobre o seu entorno.

Quando o cérebro de ambos --pessoas e camundongos-- explora um ambiente, "lugares" especializados nas células cerebrais do hipocampo entram em atividade. Implantes de eletrodos situados muito próximos aos neurônios detectaram estes sinais no passado --que nada mais são do que conceitos para ajudar o cérebro a construir mapas do meio no qual se está inserido.”
Foto: reprodução
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15 Outubro, 2009

Polícia Ambiental faz soltura de pinguins em praia de Santa Catarina

RBS / O Globo

“A Polícia Militar Ambiental em Florianópolis soltou na manhã desta quarta-feira 12 pinguins na região entre a praia Brava e a Ilha do Arvoredo, ao Norte da Ilha de Santa Catarina. As aves, da espécie pinguim-de-magalhães, chegaram ao litoral catarinense há cerca de dois meses e receberam cuidados no Centro de Triagem de Animais Silvestres do Parque do Rio Vermelho.”
Foto: Clic RBS
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O ano do digital

Maior evento do mercado editorial, a Feira de Frankfurt começa hoje sob o efeito de uma pesquisa que aponta 2018 como início do domínio do digital sobre o papel

Ubiratan Brasil, O Estado de São Paulo

Em 2018, o livro digital deverá desbancar a tradicional versão em papel - a previsão é uma das principais conclusões de uma pesquisa feita pelos organizadores da 61ª Feira do Livro de Frankfurt, a maior no mundo do mercado literário, que abre suas portas oficialmente hoje. Foram consultadas 840 pessoas que mantêm alguma ligação com o evento, entre editores, livreiros, escritores e jornalistas, a maioria europeus. "É o momento, portanto, de se buscar novas estratégias, de esquadrinhar o mercado e de envolver o padrão internacional", comentou Jürgen Boos, diretor da Feira.

A pesquisa, de fato, demonstra uma radical mudança de atitude no mundo editorial. Se, no ano passado, 40% acreditavam que 2018 marcaria o início do domínio digital, a cifra cresceu agora para 50%. A crise econômica é citada como principal incentivadora para tal mudança de opinião - é preciso buscar alternativas. "A indústria continua atrás de estratégias econômicas envolvendo produtos digitais", comentou Thomas Wilking, um dos organizadores da pesquisa. "O foco está em encontrar uma opção que complemente ou mesmo substitua o custoso modelo de papel."

Os números mostram que há, de fato, uma tendência para a mudança de mercado. A Alemanha, por exemplo, registrou a venda de 65 mil e-books vendidos no primeiro semestre deste ano. Por outro lado, o novo livro do mega campeão de vendas Dan Brown, O Símbolo Perdido (que a Sextante lança no Brasil no dia 24 de novembro), rendeu mais na versão em papel: dos primeiros 2 milhões de exemplares vendidos, apenas 100 mil eram e-books.”
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Copenhague será oportunidade para o Brasil

Neuza Árbocz, Envolverde

“As alterações no clima global não precisam mais ser medidas apenas com instrumentos científicos. Já chegaram aos noticiários das Tvs, que mostram extremos de secas e chuvas, descontrole no comportamento de espécies e cenas de desalento com derretimentos de geleiras nos polos e nas montanhas. Combater a aceleração deste processo de aquecimento global é vital para a a manutenção dos habitats humanos e para reduzir a extinção em massa de espécies em todo o planeta. O mundo precisa de um acordo global urgente e eficaz para enfrentar este desafio e os perigos que as mudanças climáticas representam, e o Brasil pode ter um papel de destaque na formulação das políticas públicas que vão balizar um novo padrão de economia, baseado em baixas emissões de carbono e mais solidária em relação aos problemas sociais.

Esta visão foi defendida pelos participantes do Diálogos Capitais “Na Rota de Copenhague – O Brasil e os compromissos para a construção de uma economia de baixo carbono”, realizado pela revista Carta Capital e pela Envolverde no dia 13 de outubro em São Paulo, com representantes do governo, do meio acadêmico, de empresas, de bancos e do terceiro setor.

Sérgio Barbosa Serra, embaixador extraordinário de Mudanças Climáticas do Itamaraty abriu o encontro salientando que há hoje dois ‘trilhos’ na abordagem deste problema. Um, mais específico, estabelecido pelo Protocolo de Quioto e o outro, mais geral, formulado pela Convenção Marco sobre Mudança Climática, assinada na ECO-92 por mais de 160 governos.

Os acordos estabelecidos pelo Protocolo vão até 2012 e prevê-se sua revisão e renovação na próxima Conferência da ONU sobre o Clima que acontece na Dinamarca, de 7 a 18 de dezembro próximo, a COP-15. A grande questão, como lembrou o embaixador é: “Os Estados Unidos estarão prontos para negociar nesta data?”, já que este país – o principal gerador de gases de efeito estufa entre os países desenvolvidos – negou-se, até o momento, a assumir metas definidas de redução de suas emissões.

Quanto ao Brasil, Barbosa garantiu que o país está disposto a abraçar metas ambiciosas de redução e ainda desempenhar um papel pró-ativo para que a reunião em Copenhague gere um resultado robusto, equitativo e orientado pela ciência.

Convivência fraternal no planeta

Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos e mediador da mesa matutina do Diálogo, lembrou ser essencial ter atenção com o que não se está discutindo em relação ao acordo climático. “Este é um assunto transversal, que requer o envolvimento de todos e negociações entre os povos pautadas na construção de uma convivência fraternal no planeta”, salientou.

Ele indaga se a crise traz a necessidade de mais intervenção dos governos junto ao setor produtivo. “As empresas pensam no longo prazo, com planos para 10, 20 anos. Assim, precisam de marcos regulatórios claros. Os riscos devem estar transparentes e o setor produtivo bem capacitado para seu planejamento”.
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14 Outubro, 2009

Aspirina pode ter tido um papel na epidemia de gripe de 1918

Nicholas Bakalar, The New York Times

“É provável que a epidemia de gripe de 1918 tenha sido a praga mais mortífera na história humana matando mais de 50 milhões de pessoas no mundo todo. Agora, parece que uma parte dessas mortes pode ter sido causada não pelo vírus, mas por uma droga usada em seu tratamento: aspirina.

Karen M. Starko, autora de um dos primeiros artigos conectando o uso de aspirina com a síndrome de Reye, publicou um artigo sugerindo que a overdose da "droga maravilhosa" relativamente nova pode ter sido mortífera.

O que gerou as suspeitas de Starko foi o uso de altas doses de aspirina para tratar a doença, em quantidades consideradas inseguras hoje. Além disso, os sintomas da overdose de aspirina podem ter sido difíceis de distinguir da gripe, especialmente entre os que morreram pouco depois de ficarem doentes.

Alguns questionamentos foram levantados mesmo na época. Ao menos um patologista que trabalhava no Serviço de Saúde Pública pensou que a quantidade de dano pulmonar vista durante as autópsias nas primeiras mortes era pequena demais para atribuir à pneumonia viral e que as grandes quantidades de líquido sangrento e aguado nos pulmões podem ter sido a causa.

Starko admitiu que não tinha relatórios de autópsia ou outros documentos que pudessem comprovar que a aspirina foi o problema. "Havia muito caos nesses lugares", disse ela, "E não tenho certeza de que existam registros confiáveis em alguma parte".
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13 Outubro, 2009

''Possibilidade de agradar a todos é zero''

Roberto Messias: presidente do Ibama; Messias defende Ibama, se queixa de falta de estrutura, mas diz que problemas apontados pelo TCU serão cada vez menores

Marcelo de Moraes e Leonardo Goy, O Estado de São Paulo

Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desde o ano passado, o geógrafo Roberto Messias, 62 anos, vê o órgão voltar de novo ao centro das atenções, com críticas ao seu desempenho feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). No relatório de fiscalização de obras do governo federal para 2009, o TCU afirma que o Ibama "não avalia e não acompanha sistematicamente os impactos ambientais das obras licenciadas".

Além disso, o governo federal também cobra flexibilização do Ibama na fiscalização de obras consideradas especiais, como as da Copa do Mundo de 2014, Jogos Olímpicos de 2016 e exploração de petróleo na área do pré-sal. Messias diz que as tarefas do órgão "já são monstruosamente grandes" e sua estrutura é limitada. Mas ele acredita que o órgão está se aperfeiçoando.

Tem sido recorrente o Ibama receber críticas do governo e do setor empresarial, por demorar a conceder licenciamentos ambientais, enquanto ouve também reclamações dos ambientalistas por supostamente ceder às pressões desses setores. Quem tem a razão nessa discussão?

A possibilidade de agradar a todo mundo é zero. Porque você tem as duas pontas da curva. De um lado, estão aqueles que querem que haja um crescimento porque o Brasil tem um déficit de estrutura. E é verdade que tem. O Brasil não tem porto, ferrovia, hidrovia, gasoduto, oleoduto, alcoolduto, linha de transmissão, geração. Então, de um lado, temos de fazer isso. Você pega o programa Luz para Todos: ninguém pode dizer que seja injusto fornecer energia elétrica para uma pessoa que não tem luz.

E na outra ponta?

Tem o outro extremo, que fala assim: temos de evitar tudo, não pode ter mais geração de energia, por exemplo. Eu concordo que temos de ser econômicos com a energia. Acho que não pode desperdiçar. Mas dizer que o Brasil, hoje, com o que tem gerado, já consegue ter energia para um processo de desenvolvimento, isso é maluquice. Todas as formas de energia, da hidrelétrica à térmica, têm lugar para um mix onde cada uma faz o seu papel. E na matriz energética brasileira, que é invejada pelo mundo inteiro, o que é que predomina? A hidrelétrica. Oitenta por cento de geração de energia é hidrelétrica. Ela tem impacto? Tem. Mas, ao mesmo tempo, ela gera o menor custo e sem emissão de gases. Então, como é que você resolve isso? A responsabilidade por essa decisão toda, quando vem para cima do órgão licenciador ambiental, é enorme. É por isso que a gente fica nessa situação.

No caso do empresariado, o sr. acha que existe má vontade?

Primeiro, tem alguns setores empresariais com má vontade. Que fazem aquilo para cumprir tabela, que acham que é dispensável. Segundo, tem aqueles que, ainda que com boa vontade, na hora de contratar empresas para fazer relatório de impacto ambiental, contratam mal. Empresários já me disseram aqui: "Gastei uma baba de dinheiro para fazer um relatório de impacto ambiental que eu reconheço que está uma porcaria." Quer dizer, ele tenta, mas não consegue.”
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Temperatura global pode aumentar quatro graus

Stephen Leahy, IPS / Envolverde

“A perspectiva de aumento de quatro graus centígrados na temperatura média da Terra no prazo de 50 anos é alarmante, mas não alarmista, segundo cientistas especialistas em clima. Há apenas 18 meses, ninguém se atrevia a imaginar a humanidade elevando a temperatura em mais de dois graus centígrados, mas as crescentes emissões de carbono e a incapacidade política de acordar novas reduções levam a ciência a considerar o que antes era impensável.

“Os dois graus centígrados já ficaram para trás”, disse Chris West, do Programa Britânico de Impactos Climáticos da Universidade de Oxford. “Os quatro graus são, definitivamente, possíveis. Este é o maior desafio de nossa historia”, acrescentou. Um aumento dessa magnitude significaria um mundo em que a temperatura aumentaria dois graus em algumas regiões e 12, ou mais, em outras, que se tornariam inabitáveis, segundo estudos apresentados há duas semanas na Conferência Internacional de Ciência Climática “Quatro Graus e Mais além”, realizada em Oxford.

Seria um mundo em que o nível domar elevaria entre um e dois metros até 2100, o que deixaria sem lar centenas de milhões de pessoas, e 12 metros nos próximos séculos, na medida em que se dissolvessem a camada de gelo da Groenlândia e do oceano Antártico ocidental. Quatro graus de aquecimento aumentariam a temperatura da Terra a níveis nunca antes alcançados nos últimos 30 milhões de anos. E isso aconteceria entre 2060 e 2070. “A realidade política deve aferrar-se à realidade física ou será completamente inútil”, disse na conferência John Schellnhuber, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisas sobre Impacto Climático.

Schellnhuber informou a funcionários do governo norte-americano os quais o advertiram que suas conclusões “não estão baseadas na realidade política” e que “o Senado nunca concordaria” com elas. O especialista calcula que os Estados Unidos deveriam reduzir a zero suas emissões de carbono das atuais 20 toneladas por habitante até 2020 se o que se deseja é ter, ao menos, a oportunidade de estabilizar o aumento da temperatura em torno dos dois graus centígrados. Com esse mesmo objetivo, as emissões da China deveriam chegar a um teto até 2020 e, em seguida, cair para zero até 2035, acrescentou.

Os representantes governamentais que acordaram na cúpula do Grupo dos 20 (realizada no mês passado em Pittsburgh- EUA) uma meta de aumento de dois graus centígrados “enganaram a si mesmos sobre as reduções de emissões que desejam”, afirmou Schellnhuber. Mesmo se a temperatura aumentar somente dois graus, se perderá a maioria dos arrecifes de coral, vastas áreas oceânicas se converterão em zona morta, será dissolvida grande parte dos glaciais montanhosos e outros ecossistemas estarão sob grave risco, acrescentou o especialista.”
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12 Outubro, 2009

Comissão da Câmara será palco de embate entre ruralistas e ambientalistas

Ruralistas tentam fazer mudanças no Código Florestal, com redução de áreas de conservação e manutenção de áreas desmatadas; Ambientalistas querem que relator seja minimamente isento

João Peres, Revista Brasil

Está marcado para a próxima quarta-feira (14) um novo embate entre ruralistas e ambientalistas na Câmara. Em questão está a aprovação, até o fim do ano, da revogação do Código Florestal brasileiro e algumas das principais leis ambientais com o argumento de que há sobreposição de leis e de funções.

Corre em uma comissão especial na Câmara o debate do Projeto de Lei 1876 de 1999, que volta à cena depois de 10 anos, prevendo a redução da preservação de propriedades amazônicas de 80% para 50% da área total. Em seu argumento, o autor do texto, o ex-deputado Sérgio Carvalho (PSDB-RO), pondera que é muito rígido o Código Florestal ao vetar a supressão parcial ou total de florestas em espaços de preservação permanente.

Neste ano, os ruralistas já conseguiram impor vitórias importantes no Congresso, como a alteração e a aprovação da Medida Provisória 458, tida por organizações não-governamentais como a chancela para a grilagem na Amazônia Legal.

Além do projeto de Carvalho, há outro na comissão, de autoria do pemedebista Valdir Colatto (SC). Caso seja aprovado, seria criado um outro Código Florestal, em que cabe aos estados boa parte da legislação ambiental. Entre outras coisas, são reduzidas as áreas de conservação, proteção de matas ciliares e é retirada parte do poder do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).”
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Projeto da SOS Mata Atlântica conscientiza população para preservação da floresta

Nielmar de Oliveira, Agência Brasil

“Com objetivo de sensibilizar a população na luta pela conservação da Mata Atlântica, chega ao estado do Rio de Janeiro esta semana o caminhão do projeto A Mata Atlântica é Aqui – Exposição Itinerante do Cidadão Atuante”, da Fundação SOS Mata Atlântica.

O Rio de Janeiro é o quinto estado a receber o projeto, que já passou por São Paulo, pelo Mato Grosso do Sul, Paraná e por Santa Catarina. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a exposição itinerante, além de despertar nas pessoas a temática do meio ambiente, mostra as iniciativas que estão sendo adotadas para preservação e conservação de uma das mais importantes florestas tropicais do mundo.

O caminhão do projeto estará estacionado a partir de quinta-feira (15) na Praça da Paz, em Paraty. Depois a exposição irá para a cidade de Angra dos Reis, também no litoral sul fluminense. Mais informações sobre o projeto e agendamento de visitas escolares podem ser obtidas pelo e-mail: itinerante@sosma.org.br ou no site www.sosma.org.br.”

11 Outubro, 2009

Ambiente é a nova bandeira de famosos

Visibilidade de celebridades faz com que campanha alcance mais pessoas

Afra Balazina, O Estado de São Paulo

"The time has come" (o tempo chegou), diz a letra da canção Beds Are Burning, da banda australiana Midnight Oil. A música que originalmente tem a voz do cantor e atual ministro do Meio Ambiente da Austrália, Peter Garrett, agora é cantada por 60 celebridades - entre elas as cantoras Lily Allen e Fergie e os grupos Scorpions e Duran Duran. O objetivo é pedir ações urgentes no combate ao aquecimento global.

A iniciativa revela que o envolvimento de famosos em campanhas do clima começa a crescer globalmente. Mas há outros exemplos. Nas fotos da abertura da reunião do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) realizada em Nova York neste mês, notou-se rapidamente um estranho no ninho: o ator australiano Hugh Jackman, conhecido pelo papel de Wolverine, ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

O ator mexicano Gael García Bernal também rouba a cena em um vídeo da campanha TckTckTck, em que as pessoas simulam o ponteiro de um relógio - em alusão ao pouco tempo que resta para agir contra o aquecimento global. A conferência do clima da ONU em que será fechado o acordo com as novas metas de redução de emissão de gases-estufa ocorre em menos de dois meses, em Copenhague.

A top model gaúcha Gisele Bündchen também se engajou no tema ao se tornar, no fim do mês passado, em uma cerimônia em Nova York, embaixadora da boa-vontade pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

No Brasil, a tendência de engajamento de famosos na questão climática também é observada. A campanha TckTckTck ganhou versão em português, a TicTacTicTac, e conseguiu apoio de celebridades como o ator Cauã Reymond, o vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, e o skatista Bob Burnquist. Segundo Aron Belinky, coordenador executivo da campanha no Brasil, a ideia não é depender só de celebridades para passar uma mensagem, mas abranger pessoas de todos os tipos. "Nossa preocupação é não ser uma campanha de um grupo só, não ser uma coisa só para iniciados ou para os manifestantes de sempre." A campanha tem integrantes de ONGs, sindicatos e grupos religiosos, entre outros.”
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YouTube chega a 1 bilhão de acessos por dia

O YouTube comemorou nesta sexta-feira (9) seu aniversário de três anos desde que foi adquirido pelo Google. E para celebrar a data, anunciou ter atingido mais de 1 bilhão de acessos diários. A informação foi divulgada por Chad Hurley, co-fundador e CEO do YouTube, chamado a atenção para "esse grande momento em nossa curta história".

Vermelho.org

"Três anos atrás, ... viramos manchete por nos juntarmos ao Google em nosso objetivo comum de organizar a informação mundial (em nosso caso, vídeo) e torná-la mais fácil e rapidamente acessível a todos", escreveu Hurley no blog da companhia. "Hoje, tenho orgulho de dizer que estamos registrando mais de 1 bilhão de acessos por dia no YouTube".

"Este é um grande momento na nossa curta história, e devemos tudo isso a você", diz o post.”
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10 Outubro, 2009

A meses de Copenhague, reunião sobre clima termina dividida

Delegados em Bangcoc não alcançaram consenso sobre metas de emissão de CO2 para substituito de Kyoto

BBC / O Estado de São Paulo

Duas semanas de negociações conduzidas pela ONU terminaram nesta sexta-feira em Bangcoc, na Tailândia, sem que delegados de cerca de 180 países chegassem mais perto de um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, sobre a redução de emissões de carbono, que expira em 2012.

A menos de dois meses da reunião sobre o clima mais importante do ano, que ocorre em dezembro na capital dinamarquesa, Copenhague, o mais alto representante da ONU para mudanças climáticas, Yvo de Boer, admitiu uma "contínua falta de clareza" em questões-chave para um possível acordo.

As principais pedras no caminho são estabelecer uma meta de emissões de carbono para os países desenvolvidos e definir uma "arquitetura financeira" para ajudar países mais pobres a realizar mudanças visando a combater a mudança climática.

Cientistas afirmam que, para evitar uma elevação de 2º C na temperatura do planeta, as nações industrializadas precisam nos próximos dez anos reduzir as suas emissões de carbono a um nível equivalente a entre 25% e 40% das emissões de 1990.

Entretanto, as negociações têm ficado muito aquém disso, e o percentual convencionado não passa de 23%.

Antes mesmo da reunião, o próprio de Boer disse que seria "muito difícil continuar trabalhando de boa fé a menos que vejamos um avanço nas cotas dos países industrializados e suas ofertas sobre a mesa".
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Gil representa o País em evento por preservação da água

Portal Terra / ABr

“O Rio de Janeiro é uma das cidades que participará, na noite desta sexta-feira, do movimento Missão Poética Social para preservação das águas do planeta.

O movimento foi idealizado por Guy Laliberté, criador do Cirque du Soleil e fundador da organização não governamental One Drop Foundation. O ex-ministro da Cultura Gilberto Gil também participará do evento para representar o Brasil.

Serão realizados eventos simultâneos em 14 cidades do mundo. No Rio, o evento ocorrerá na Fundição Progresso, na Lapa, no centro da cidade. Da aeronave Soyuz TMA-16, Guy Laliberté vai interagir com os mestres de cerimônia de cada país, lendo ao vivo uma mensagem especial, feita para o evento. Ele integra a primeira missão espacial de cunho artístico-social. Laliberté e os 21 astronautas que estão a bordo da aeronave devem retornar à Terra entre os dias 12 e 13 próximos.

Artistas, ambientalistas e a população de cada localidade reafirmarão na Missão Poética Social o seu compromisso com a preservação das águas.”
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09 Outubro, 2009

México propõe contribuição compulsória contra efeito estufa

Recursos viriam de contribuições obrigatórias para industrializados e opcionais para nações em desenvolvimento

Efe / O Estado de São Paulo

Os representantes do México na reunião sobre mudança climática que acontece em Bangcoc voltaram a defender nesta quinta-feira, 8, a criação de um fundo internacional para o combate ao aquecimento global.

De acordo com a delegação mexicana, os recursos da iniciativa seriam captados a partir de contribuições obrigatórias para os países industrializados e opcionais para as nações em desenvolvimento.

"Embora o peso financeiro deva cair principalmente sobre os países desenvolvidos, os outros países, sobretudo os grandes, como China, Brasil, México, Índia e África do Sul, também deveriam contribuir para o esforço contra a mudança climática", disse à Agência Efe o representante especial do México para a Mudança Climática, Luis Alfonso de Alba.

Na conferência de Bali de 2007, os países ricos se comprometeram a ajudar economicamente as nações emergentes a combater as queimadas e a reduzir sua dependência em relação aos combustíveis fósseis, responsáveis pela maior parte das emissões de gases causadores do efeito estufa.

Os países em desenvolvimento presentes na reunião de Bangcoc, que termina amanhã, exigem que as nações ricas quantifiquem a ajuda prometida. Estas, por sua vez, querem saber primeiro que tipo de programas vão financiar.”
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