30 Setembro, 2009

Clima pode fazer com que 25 mi de crianças passem fome

Drama pode ser evitado com investimento de US$ 9 bi para aumentar produtividade agrícola', disse especialista

EFE / O Estado de São Paulo

Cerca de 25 milhões de crianças sofrerão de fome em um prazo de quatro décadas devido à escassez de alimentos que será causada pelo aumento das temperaturas, advertiu nesta quarta-feira, 30, o Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar (IFPRI, em inglês), na reunião sobre mudança climática da ONU realizada em Bangcoc.

"Este drama pode ser evitado com um investimento de US$ 9 bilhões anuais para aumentar a produtividade agrícola e ajudar os produtores enfrentar os efeitos do aquecimento global", afirmou Gerald Nelson, um dos autores do relatório do IFPRI.

"Melhores estradas, sistemas de irrigação, acesso a água potável e escolarização para meninas são essenciais", acrescentou Nelson, dentro da conferência sobre mudança climática realizada em Bangcoc para preparar a cúpula de Copenhague, em dezembro.

O estudo afirma que os habitantes nos países em desenvolvimento terão acesso a 2,41 mil calorias diárias em 2050, 286 calorias a menos que em 2000. Na África, será de 392 calorias a menos e, nos países industrializados, de 250 calorias abaixo.

No ano passado, o aumento do preço dos alimentos básicos perante as notícias de escassez de produção provocou revoltas populares em várias partes do mundo, do Egito à Tailândia, e a ONU decidiu realizar uma reunião urgente.

Os líderes do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes) decidiram na semana passada, em Pittsburg (EUA), doar US$ 2 bilhões para combater a fome, enquanto a ONU anunciou uma cúpula sobre o problema em novembro.”
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China completa mapa de mais alta resolução da superfície lunar

Planisfério lunar tem três quilômetros por píxel de resolução. Em 2008 a China havia divulgado versão mais limitada do mapa.

Do G1

Especialistas chineses anunciaram a conclusão do mapa de mais alta resolução da Lua, cobrindo toda a superfície do satélite e elaborado com as imagens tomadas pela primeira sonda lunar chinesa, Chang'e-1, informou nesta terça-feira (29) a agência oficial Xinhua. A Chang'e-1 foi lançada em outubro de 2007.

O mapa será utilizado pelos especialistas do país asiático para estudar as leis de formação geológica da superfície lunar e sua evolução.

O mapa "fixa as bases para o estabelecimento de futuros projetos científicos" da China na Lua, destacou o acadêmico Liu Xianlin, chefe da equipe de especialistas que realizou o trabalho cartográfico.”
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29 Setembro, 2009

Proposta de Código Ambiental aumenta poder dos estados

DCI / Agência Câmara

“A subcomissão da Comissão de Agricultura criada para tratar das questões ambientais e dos seus impactos no agronegócio aprovou o relatório 2/09, do deputado Zonta (PP-SC), que propõe a apresentação de anteprojeto de lei instituindo o Código Ambiental Brasileiro.

Uma das principais mudanças propostas está na atribuição aos estados da faculdade de legislar sobre matéria ambiental, em detrimento das leis federais já editadas. "Isso é bastante interessante para um país de dimensões continentais e de realidades tão distintas como o Brasil", argumenta Zonta.

A proposta também trata da política nacional de meio ambiente e da política geral de meio ambiente urbano. Ela revoga o atual Código Florestal (Lei 4.771/65) e o Decreto-Lei 1.413/75, além de partes das leis 6.938/81, 9.605/98 e 9.985/00.

Segundo o relator, há um número excessivo de leis para regulamentar o uso dos recursos naturais e esse fato, aliado a sucessivas mudanças nas normas, teria colocado boa parte dos imóveis rurais em situação de irregularidade.”
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Estudiosos dizem que Terra será 4°C mais quente em 2060 devido ao aquecimento global

“Aumento da temperatura prejudica distribuição de água para metade do planeta

Do R7

Pesquisadores britânicos afirmaram nesta segunda-feira (28) que a Terra vai ficar pelo menos 4°C mais quente em 2060 se não forem tomadas medidas para evitar o efeito estufa – fenômeno que acontece a partir da queima de combustíveis fósseis (como a gasolina) na atmosfera. A combustão faz com que gases tóxicos formem uma camada na atmosfera, impedindo a liberação do calor no planeta - processo conhecido como aquecimento global.

O estudo foi apresentado na Universidade de Ofxord e revela que em algumas partes do globo terrestre o problema deve ser maior. No sul da África, por exemplo, a projeção indica um aumento de 10ºC.

O pesquisador Richard Betts contou ao jornal britânico Daily Mail que não se trata de exagero.

- Muita gente pode achar um cenário exagerado, mas trata-se de algo bastante provável.

As principais preocupações dos profissionais envolvidos no estudo são as consequências do aquecimento. Trechos do relatório explicam que 4ºC a mais representam uma ameaça à distribuição de água para metade da população mundial, além de acabar com até metade das espécies de animais e vegetais.”

28 Setembro, 2009

Acordo em Copenhague corre perigo

David Miliband, Folha de São Paulo / Envolverde

"O maior perigo de todos é o de, em meio a tantas prioridades, não nos darmos conta do problema antes que seja tarde demais.

Recordo-me de ter conhecido nos anos 1980 o grande cientista político Raymond Aron. Ele me falou do perigo que existe na política da "negligência benigna" -de as boas intenções serem invalidadas pela ausência de foco. É esse o perigo que enfrentamos hoje no que diz respeito às mudanças climáticas.

Na cúpula da ONU em Copenhague serão tomadas decisões que vão determinar o futuro do planeta. Mas a possibilidade de chegar a um acordo corre perigo -e o maior perigo de todos é o de, em meio a tantas prioridades que competem por nossa atenção, não nos darmos conta do problema antes que seja tarde demais.

Para fazer a balança pender no sentido contrário, o Reino Unido lançou na semana passada nova iniciativa diplomática com colegas europeus.

Trabalhamos em quatro frentes. Para começar, as mudanças climáticas precisam ser tiradas da caixa intitulada "meio ambiente". Um pacto para enfrentar as mudanças climáticas é não só desejável mas também imperativo para garantir a segurança nacional e a recuperação econômica sustentada no médio prazo.

Os altos preços do petróleo e dos alimentos foram um dos gatilhos da crise econômica atual, incrementando os desequilíbrios financeiros globais e provocando a elevação das taxas de juros. O arrocho dos recursos é o segundo pai da crise, lado a lado com o arrocho do crédito.

As mudanças climáticas resultarão em migrações em massa, secas e falta de água, provocando tensões e conflitos nacionais e internacionais. O aquecimento global hoje não está na agenda do Conselho de Segurança da ONU, mas estará no futuro se não aprendermos a viver sem carbono.

Em segundo lugar, precisamos de um pacto que seja condizente com a vida em um mundo no qual as temperaturas não terão subido mais de dois graus. Negociações diplomáticas envolvem concessões, mas não devemos fazer concessões quanto ao que ambicionamos para o planeta. Cientistas avisam que os efeitos de uma elevação de temperatura de mais de dois graus sobre o planeta seriam catastróficos.

Em terceiro lugar, o maior empecilho a um pacto diz respeito a encontrar uma distribuição justa da responsabilidade entre os países desenvolvidos e os que estão em desenvolvimento. O mundo rico carrega a responsabilidade histórica pelo problema, e suas emissões per capita atuais são muito maiores. Mas o mundo em desenvolvimento será responsável pela maior parte do aumento das emissões no futuro e carregará os custos maiores das mudanças climáticas.

O mundo desenvolvido precisa promover reduções ambiciosas em suas emissões, da ordem de 25% a 40% até 2020. E precisa fornecer recursos financeiros e tecnológicos.

Em troca, não se pode esperar que, em seus níveis atuais de desenvolvimento, os países pobres reduzam seus níveis globais de emissões, mas eles devem assumir compromissos no sentido de efetuar modificações verificáveis em seu perfil de emissões, em relação ao crescimento usual com alto índice de emissões de carbono.”
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Cerrado: 'valor da biodiversidade é mil vezes superior ao da agricultura'

Cientista da Embrapa afirma que a salvação da lavoura depende da preservação do bioma

Herton Escobar, O Estado de São Paulo

O Cerrado ainda tem 800 mil quilômetros quadrados de terras agricultáveis - uma área igual à da França e Reino Unidos juntos, suficiente para duplicar tudo o que já é ocupado pela agropecuária no bioma.

Se o País for inteligente, não precisará desmatar nem um hectare dessa terra. "A riqueza que temos guardada na biodiversidade do Cerrado é mil vezes superior à da agricultura", diz o engenheiro agrônomo Eduardo Assad, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A afirmação surpreende. Não só pelo conteúdo, mas por sair da boca de um cientista que há mais de 20 anos dedica sua vida ao agronegócio e que se lembra, sorrindo, dos tempos em que passava o correntão no Cerrado em cima de um trator, na fazenda da família em Quirinópolis, no sul de Goiás. Só que os tempos mudaram. Agora, diz Assad, é hora de preservar e pesquisar as riquezas que o bioma tem a oferecer no seu estado natural.

Até mesmo para o bem da própria agricultura. "A preservação do Cerrado é a salvação da lavoura", costuma dizer o pesquisador. Segundo ele, é no DNA das plantas nativas do bioma que estão escondidos os genes capazes de proteger suas inquilinas estrangeiras (a soja, o milho, o algodão, o arroz) do aquecimento global. Dentre as 12 mil espécies nativas conhecidas, só 38 ocorrem no bioma inteiro, o que significa que estão adaptadas a uma grande variabilidade de condições climáticas e de solo.”
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27 Setembro, 2009

Gorilas do Uganda fazem amigos na Internet

Hereward Holland, Reuters

“À espreita na intensa névoa de uma floresta no leste da África, gorilas das montanhas de Uganda estão se preprarando para "twitar" pela sua sobrevivência.

Com o lançamento da campanha "Amigo Gorila" no sábado, fãs poderão em breve acompanhar pela Internet o drama de poucos dos 720 gorilas restantes na montanha, longe de insetos, lama e chuvas tropicais típicas de seu habitat.

Quando o site friendeagorilla.org começar a funcionar, usuários terão acesso a vídeos, imagens e blogs de guardas-florestais por meio de sites como o Facebook e o Twitter, afirmou Moses Mapesa Wafula, chefe da Autoridade de Animais Selvagens do Uganda (UWA, na sigla em inglês).”
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Charge do Elvis

Minc fala da importância de preservar as pererecas

Obra do PAC no Rio foi interrompida para preservar a espécie. Construção do Arco Metropolitano está orçada em R$ 1 bilhão.

Do G1

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, falou neste sábado (26) sobre a importância de preservar as pererecas. Ele se referiu a interrupção da maior obra pública do PAC, no Rio, para preservar uma família rara e ameaçada de extinção da espécie.

A construção do Arco Metropolitano tem 77 quilômetros de pistas que vão ligar Itaboraí ao Porto de Itaguaí, no Grande Rio. A obra está orçada em R$ 1 bilhão.

Técnicos da Secretaria estadual de Obras estudam uma forma de retirar as pererecas para se adaptarem em outro lugar. Mas, agora é o período de reprodução da espécie.”
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25 Setembro, 2009

163 novas espécies são descobertas no sudeste aisático

"Entre os animais e plantas encontrados estão um sapo com dentes e um lagarto-leopardo


EFE / O Estado de São Paulo

Um lagarto com manchas semelhantes às de um leopardo e um sapo com dentes, que come pássaros, estão entre as 163 novas espécies descobertas no ano passado na região do rio Mekong na Ásia, disse o grupo ambientalista WWF nesta sexta-feira, 25.

A organização afirmou que cientistas descobriram, em 2008, 100 plantas, 28 peixes, 18 répteis, 14 anfíbios, dois mamíferos e um pássaro na região. São cerca de três espécies por semana que se somam às 1.000 novas espécies catalogadas entre 1997 e 2007, afirmou o grupo.

"Depois de milênios escondidas, essas espécies estão agora finalmente sob os holofotes e há claramente mais descobertas a serem feitas", disse Stuart Chapman, diretor do programa Grande Mekong da WWF.”
Fotos: Efe
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Contagem regressiva

Marina Silva, Terra Magazine

“Faltam 74 dias para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP 15), em Copenhague, na Dinamarca, que reunirá líderes mundiais em torno de um novo acordo global para enfrentar os problemas decorrentes das alterações do clima. Até lá estaremos em contagem regressiva para avançarmos numa agenda de negociações capaz de responder ao desafio ímpar que o mundo tem pela frente.

Cerca de 100 líderes mundiais se reuniram ontem na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque, nos Estados Unidos, convocados pelo secretário-geral da organização, Ban Ki-moon. Para ele, essa cúpula do clima é a última chance de mobilizar chefes de Estado para "selar o acordo" sobre o clima.

É compreensível o temor de não haver progresso consistente nas negociações, que resulte em um acordo significativo em Copenhague. Pois parece faltar, ainda, uma consciência política de que o enfrentamento das mudanças climáticas vai exigir medidas urgentes em escala planetária e compromisso de todos os países para uma economia de baixo carbono, cada um segundo a sua capacidade.

Mudança climática não é apenas um problema ambiental. É uma questão que exigirá mudanças estruturais profundas, criando novo paradigma de desenvolvimento. Deve ser o prisma de qualquer investimento para gerar emprego, renda, produção ou tecnologia no século 21. Nenhum país pode atrasar seu engajamento na transição para uma sociedade de baixo carbono. O dilema sobre como promover o crescimento sem agravar as conseqüências do aquecimento global é universal.

Para países pobres e em desenvolvimento, essa transição ganha contornos dramáticos diante do desafio de dar qualidade de vida a milhões de pessoas que ainda vivem na pobreza. Como crescer dialogando adequadamente com as necessidades e responsabilidades irrecusáveis impostas pela crise ambiental, cujo eixo central são as mudanças climáticas?”
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24 Setembro, 2009

Operação do Ibama fecha 19 fornos ilegais de carvão em município goiano

Luana Lourenço, Agência Brasil

“O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participou hoje (24) de operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que fechou 19 fornos ilegais de carvão em Cristalina, município goiano a cerca de 100 quilômetros de Brasília. Homens do Batalhão Ambiental da Polícia Militar de Goiás também participaram da operação.

Nos fornos eram queimadas espécies nativas do Cerrado, como sucupira e pequizeiro, com o objetivo de produzir carvão para indústrias siderúrgicas da região. Por ano, 100 hectares de vegetação nativa eram destruídos nos 19 fornos, segundo cálculos do Ibama.

O proprietário da fazenda, Sebastião Pinto Brandão, foi autuado em flagrante por crime ambiental e levado para a delegacia da cidade. O Ibama também aplicou multa, mas de apenas R$1 mil, porque no momento da apreensão só havia um forno em funcionamento.

A carvoaria existia desde 2005, mas a última licença ambiental venceu há cerca de dois anos. O faturamento estimado é de R$ 14 mil por mês.

Minc, que pela terceira vez participa de ações em campo no Cerrado, disse que o combate ao desmatamento e aos crimes ambientais no bioma será mais rigoroso. “A guerra no Cerrado vai ser pesada. O carvão, por exemplo, é uma atividade pulverizada, intermediária, que vai abrindo espaço para os pastos”, disse.

Segundo ele, o Ministério do Meio Ambiente estuda exigir certificação para o carvão vendido ao consumidor, com garantia de origem legal da madeira.

O ministro disse ainda que irá estender ao Cerrado a restrição de crédito agrícola para quem não cumprir critérios ambientais, que já está em vigor na Amazônia. A medida, que depende de assinatura de decreto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, valerá para os 60 municípios que mais desmataram o Cerrado. Quase metade da vegetação nativa do bioma já foi derrubada.”
Foto: Wilson Dias, ABr

Lula diz que Brasil será potência da energia verde

JB Online

“Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre a conferência climática em Copenhague, na Dinamarca, no final do ano, e explicou as medidas do país contra o aquecimento global.

Lula exaltou a participação do etanol na maioria dos automóveis do país, do plano contra mudanças climáticas e da participação de hidrelétricas em 85% da matriz energética nacional. - Queremos consolidar nossa posição como potência mundial da energia verde - disse.

Lula pediu ainda que os países ricos se comprometam com reduções expressivas de emissões de gases do efeito estufa.”

23 Setembro, 2009

Degelo na Antártica e na Groenlândia surpreende cientistas

Alister Doyle, Reuters

“Cientistas estão surpresos com a extensão do degelo na Antártica e na Groenlândia, mostrou um estudo nesta quarta-feira que pode ajudar a prever o tamanho do aumento do nível do mar associado à mudança climática.

Análises de milhões de imagens a laser de satélites da Nasa revelaram que a maior perda de gelo foi causada pela aceleração do fluxo das geleiras em direção ao mar, de acordo com cientistas do Grupo Britânico de Pesquisas Antárticas (BAS, na sigla em inglês) e da Universidade de Bristol.

"Estamos surpresos em ver um padrão tão forte de diminuição de espessura das placas de gelo por áreas tão grandes da costa --é um fenômeno amplo e em alguns casos se estende por centenas de quilômetros em terra", disse Hamish Pritchard, do BAS, que liderou o estudo.

"Nós acreditamos que as correntes oceânicas aquecidas que atingem a costa e derretem o gelo são a causa mais provável da aceleração do fluxo das geleiras", afirmou em comunicado.”
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ONU diz que falta de acordo sobre o clima em Copenhague seria imperdoável

Agência Brasil

“O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse hoje (22) na abertura de uma cúpula sobre mudanças climáticas em Nova York que seria “moralmente imperdoável” o mundo não chegar a um acordo sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa na reunião sobre o tema marcada para dezembro em Copenhague (Dinamarca).

Ban convocou os países industrializados e em desenvolvimento a atuarem urgentemente para enfrentar o aquecimento do planeta. A falta de um acordo em Copenhague, segundo ele, teria altos custos políticos e econômicos. “O destino das gerações futuras e as esperanças e formas de subsistência de bilhões de pessoas estão literalmente em suas mãos”, discursou para líderes mundiais, de acordo com a agência de comunicação da ONU.

O presidente chinês, Hu Jintao, prometeu ampliar esforços para uso eficiente de energia - para que seja emitido menos carbono por unidade de energia gerada – e para reduzir as emissões de gases poluentes, de acordo com a BBC Brasil. Hu afirmou que a redução se dará em uma “medida importante” até 2020, mas não adiantou metas quantitativas. A China é atualmente o maior emissor de gases de efeito estufa.

Em seu discurso na cúpula sobre o clima, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que, por causa das perdas da crise econômica, os países terão mais dificuldade para chegar a um consenso sobre as medidas necessárias para enfrentar as mudanças climáticas até a reunião de Copenhague.

Obama disse que os Estados Unidos estão “determinados” a agir para conter o aquecimento global e irão assumir suas "responsabilidades" em relação ao tema.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu a criação de uma organização mundial para o meio ambiente, que tenha como principal tarefa o acompanhamento dos compromissos assumidos pelos países para reduzir os impactos das mudanças climáticas.

“Não é suficiente ter êxito em Copenhague, falta alguém que vigie as consequências das decisões que serão tomadas na reunião. Hoje há cerca de 60 organizações e agências que se ocupam da mesma questão, somemos os esforços para criar uma Organização Mundial de Meio Ambiente”, sugeriu.

Em Copenhague, os 192 países-membros da convenção da ONU sobre mudanças climáticas terão que definir um novo acordo climático para regular as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando expira o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto.”

Charge do Regi

22 Setembro, 2009

O agronegócio incendiário e racista. Kaiowá Guarani, silenciosa guerra colonial

Egon Dionísio Heck, Adital

"Você quer ver, vem olhar aqui, tem quatro bugres mortos, vem ver!", o tom de deboche e ameaça era revelador de um quadro tétrico de racismo e ódio que se julgava restrito às páginas da história de extermínio das populações indígenas no continente e no mundo. Mas naquela hora do meio dia de 18 de setembro, à beira da BR 486, a cena era muito real. Enquanto uma integrante do Cimi fotografava o que restou das casas queimadas, onde ainda a fumaça e pequenas chamas eram visíveis, os agentes de segurança e peões da fazenda faziam uma cerca para isolar o córrego e impedir o acesso dos índios, eles davam um show de racismo. "Esses vagabundos tem mais é que morrer!", exclamavam enquanto repetiam sons de tiros para amedrontar a pessoa que estava fazendo o registro de mais uma violência absurda contra a comunidade Kaiowá Guarani do Apika’y, acampada há uns dez quilômetros da cidade de Dourados.

Damiana, a líder religiosa, esteio do grupo que há mais de uma década luta pelo pedaço de terra tradicional, já tendo sido expulsa diversas vezes, mas que não desiste de ter um pedaço de terra tradicional para viver, fazia o relato dramático da agressão sofrida pelo seu grupo por volta de uma hora da madrugada. Em torno de dez pessoas chegaram atirando sobre os barracos onde se encontravam dormindo os indígenas. Um deles foi ferido na perna atingido por uma bala. No desespero, várias mulheres foram atingidas pelos agressores com socos e pontapés. Logo foram colocando fogo nos barracos, queimando com todos os pertences dos indígenas. Documentos, roupas, bicicleta, lona, madeira, tudo em pouco tempo estava reduzido a cinzas. Os Kaiowá Guarani,indefesos e transtornados, viam mais essa cena de vandalismo.

Quando começou a clarear o dia, foram denunciar o fato e pedir providências.Alguns foram para a Funasa pois estavam feridos. Outros foram à FUNAI relatar os fatos e pedir socorro. Burocraticamente tudo foi muito lento. A administração regional da FUNAI disse que sequer conseguira que um dos procuradores do órgão registrasse a denúncia. Foram então encaminhados ao Ministério Público Federal. Até o meio dia, ninguém dos poderes públicos responsáveis havia chegado até o local, que dista a uns dez quilômetros da cidade de Dourados.”
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Às vésperas de reunião da ONU, filme aborda crise climática

O ano é 2055. Catástrofes naturais causadas pela mudança climática, seguidas de guerras, levaram ao colapso da civilização e à quase extinção da humanidade. Numa torre solitária, um sobrevivente reprisa vídeos do começo do século, quando as catástrofes começaram a acontecer. E se pergunta: "Por que não salvamos a nós mesmos quando tivemos a chance?". É esse o argumento de "A Era da Estupidez". É esse o argumento de "A Era da Estupidez".

Cláudio Angelo, Folha de São Paulo / Vermelho.org

O filme pretende mobilizar a opinião pública para a crise do clima e para o novo acordo global contra os gases-estufa, a ser negociado dezembro em Copenhague. Meio ficção, meio documentário, é estrelado por Pete Postlewhaite (o pai de Daniel Dey-Lewis em "Em Nome do Pai" e o caçador de "Jurassic Park") explora as consequências do chamado cenário "mesmo de sempre", no qual as emissões de dióxido de carbono por atividades humanas continuam subindo sem parar.

Mais do que isso, no entanto, a produção da diretora britânica Franny Armstrong mostra por que esse é o futuro provável da espécie, ao contar histórias reais de pessoas comuns - cujas ações cotidianas contribuem para o problema.

Um dos personagens, por exemplo, é o milionário indiano Jeh Wadia, que aos 32 anos criou a primeira empresa aérea econômica da Índia, a Go (a aviação é uma das principais fontes de CO2). Há também o engenheiro britânico Piers Guy, que monta uma turbina eólica no quintal de casa para cortar as próprias emissões, mas não consegue montar uma pequena usina eólica em sua região por oposição dos vizinhos, ciosos de sua "paisagem".

Do outro lado estão Fernand Pareau, o guia de montanha francês que vê o aquecimento mudar as geleiras onde cresceu, nos Alpes; a nigeriana Layefa Maleni, cuja aldeia é arruinada pela atividade da Shell no delta do Níger; e duas crianças iraquianas que se refugiam da Jordânia após terem o pai morto na invasão americana de 2003 -uma guerra por óleo.

Talvez a história mais emblemática de todas seja a de Alvin DuVernay, um morador de Nova Orleãs que se recusa a evacuar a cidade durante o furacão Katrina, perde tudo o que tem e que acaba virando um herói local, resgatando uma centena de pessoas com seu barco.

Depois de contar sua história, Alvin é filmado em seu local de trabalho: uma plataforma de petróleo da Shell na Louisiana, onde ele analisa amostras de fósseis marinhos para decidir onde é melhor furar... em busca de petróleo.”
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The Age of Stupid – trailer

Máscara de pele de onça-pintada choca agentes do Ibama em área de desmatada no Pará

Portal Amazônia, O Globo

"Novas áreas de desmatamento foram identificadas por agentes do Ibama na região de Alvorada da Amazônia, no Sudoeste do Pará, neste fim de semana. Foram apreendidos duas motosserras, material ilegal para a pesca, quatro armas, entre elas um revólver calibre 38 com a numeração raspada, e uma máscara feita com parte da pele de uma onça-pintada. A máscara foi encontrada presa à parede de um barracão, abandonado antes da chegada dos agentes. Foram aplicados mais de R$ 282,5 mil em multas.

- Quem caçou o animal fez uma peça que choca pela crueldade. Certamente, era usada como troféu - disse Gustavo Podestá, chefe da Divisão de Fiscalização do Ibama em Santarém, que coordena a Boi Pirata II.

Perto do assentamento, numa propriedade de 1,2 mil hectares, o equivalente a cerca de mil campos de futebol, os fiscais apreenderam duas espingardas calibre 22, geralmente usadas para caça, e notificaram o dono a apresentar os registros e porte das armas, além da autorização para o desmatamento da área. Se o corte da floresta for irregular, ele poderá ser multado em R$ 5 mil por hectare destruído.”
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21 Setembro, 2009

'Recessão provocou forte redução de emissões', diz FT

A recessão mundial provocou uma queda "sem paralelos" nas emissões de dióxido de carbono (CO2) no mundo, de acordo com reportagem publicada no jornal britânico Financial Times nesta segunda-feira.

BBC Brasil

O diário econômico teve acesso a um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE), que só deve ser divulgado no dia 6 de outubro, em Bangcoc, no início da última rodada de negociações para um acordo sobre o clima, antes da reunião de Copenhague, em dezembro.

Segundo o FT, a agência internacional constatou que a redução de emissões de CO2 teve um "declínio significativo", maior do que o da recessão de 1981, que antecedeu a crise da Opep. Segundo a agência, isso abriria uma "oportunidade única" para uma guinada rumo a uma economia de baixas emissões.

O estudo também confirmaria, segundo o jornal britânico, os resultados de políticas governamentais para cortar as emissões. A AIE estima, segundo o FT, que cerca de um quarto da queda registrada se deva a isso.

A proporção é "sem precedentes", de acordo com o relatório, que será incluído na publicação anual World Energy Outlook em novembro.”
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Rios e canais são destino de quase metade do lixo da Baixada Fluminense, mostra pesquisa

Nielmar de Oliveira, Agência Brasil

“Uma pesquisa socioambiental da Secretaria do Ambiente no âmbito do Projeto de Limpeza do Rio Pavuna-Meriti, que corta a Baixada Fluminense, constatou que 45,83% dos moradores da região, ouvidos pelos entrevistadores, admitiram que os rios e canais que cortam a área são o destino do esgoto doméstico e que apenas 16,42% dos moradores jogam o lixo em locais apropriados.

O estudo também revelou uma curiosidade: em meio ao lixo, carcaças de veículos e pneus, até mesmo jacarés já foram vistos pelos moradores no Rio Pavuna-Meriti.

Para traçar um perfil dos moradores e das comunidades a fim de intensificar ações estratégicas de educação ambiental, 38 agentes aplicaram mais de dois mil questionários socioambientais à comunidade às margens do Rio Pavuna-Meriti, entre novembro de 2008 e abril de 2009.

O levantamento foi divulgado na última sexta-feira (18) pela Secretaria do Ambiente, na presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

“Iniciativas como essa tem a importância de diminuir o lixo jogados nos rios, a agressão ao meio ambiente, implementar problemas de reflorestamento e envolver a criançada transformando a escola em um centro de reciclagem. Vamos ver se a gente planta a semente de uma sociedade com menos desperdício e menos poluição e, ao mesmo tempo, mais fraterna.”

Durante a divulgação da pesquisa, a Secretaria do Ambiente do entregou, em São João de Meriti, certificados aos 38 agentes ambientais que participaram de pesquisa. Iniciado em novembro do ano passado, o projeto abrangeu os municípios de Nilópolis, Duque de Caxias e São João de Meriti e já retirou 4.387 toneladas de lixo entre novembro de 2008 e abril de 2009 das margens e do Rio Pavuna-Meriti.

O Rio Pavuna-Meriti tem 20 quilômetros (km) de extensão, estendendo-se desde o Campo de Gericinó, passando por Nilópolis, São João de Meriti e Duque de Caxias até desembocar na Baía de Guanabara. Ao longo do seu trajeto, recebe carga de efluentes domésticos e industriais, além de muitos resíduos sólidos, desde sacolas de lixo atiradas pela população ribeirinha até sofás, geladeiras e carcaças de carro.”

20 Setembro, 2009

Médicos estão preocupados com o futuro do planeta

Um editorial independente assinado por representantes de 18 importantes faculdades de medicina em todo o mundo diz que um fracasso nas próximas rodadas de negociações sobre o clima na ONU pode trazer resultados catastróficos

Redação, ÉPOCA

Um editorial independente publicado na revista The Lancet e no British Medical Journal pedem que os médicos assumam a responsabilidade sobre a mudança climática no planeta. O artigo foi assinado por líderes de 18 faculdades de medicina e outras disciplinas médicas de todo o mundo. Segundo o texto, a falta de perspectiva sobre um novo acordo climático na ONU no próximo mês de dezembro pode causar uma "catástrofe de saúde global", na qual as pessoas pobres em países tropicais sofrerão as piores consequências.

Os especialistas temem que os resultados da reunião que acontecerá em Copenhague, em dezembro, que tem como objetivo chegar a um novo tratado climático global para substituir o Protocolo de Quioto, sejam prejudicados pela falta de um acordo sobre o quanto se devem reduzir as emissões de gases causadores do efeito de estufa e de como devem ser os financiamentos para proteção do clima em países mais pobres.”
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Etanol brasileiro será 100% verde

As novas regras para o plantio de cana-de-açúcar e produção de etanol no Brasil vão tornar o produto brasileiro “100% verdinho” afirmou o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, em conversa com o Blog do Planalto após o lançamento do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE) na sede da Embrapa em Brasília.

Vermelho.org / Blog do Planalto

A idéia do governo Lula é expandir a produção de maneira sustentável e Minc reforçou a importância das novas regras para garantir que o biocombustível brasileiro respeite o meio ambiente.

Em entrevista coletiva após o evento, Minc também esclareceu dúvidas sobre o indicador de emissão de poluentes dos veículos de passeio brasileiros, divulgado na terça-feira (15/9) pelo Ibama. O ministro enfatizou que os carros a álcool são os que menos causam danos ambientais.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinold Stephanes, também esteve no evento e comemorou o estudo. Segundo ele, o Brasil, que já era um exemplo em preservação de florestas, em uso de energias limpas, agora dá um exemplo por meio do recém-lançado zoneamento agroecológico da cana.”
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Minc volta a criticar estudos sobre comercialização de carros de passeio a diesel

Alana Gandra, Agência Brasil

"O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, voltou a criticar hoje (19) os estudos anunciados pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para a comercialização de carros de passeio movidos a diesel no país. “Eu não acho uma boa idéia.”

A proposta vai ser discutida com outros ministérios e terá de ser aprovada também pelos órgãos ambientais e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). “No que compete a mim, minha orientação para o órgão ambiental e para o Conama é não aprovar essa solução”, disse o ministro.

Minc destacou que o Brasil tem o etanol como diferencial. A subtãncia não emite gás carbônico, causador do efeito estufa, na atmosfera. Ele lembrou que toda emissão que sai do escape do álcool é absorvida pela cana na fase de crescimento da planta.

“Então, do ponto de vista das emissões, que é o que aquece (a atmosfera), o álcool é neutro”. Minc referiu-se também ao biocombustível fabricado pelo Brasil. “Então, abrir o carro para diesel, que em grande parte a gente importa, não é bom.”

Minc afirmou que o governo está tentando reduzir o teor de poluição do diesel, que era de 500 partes de enxofre por milhão, e agora está em 50 partes por milhão. O ministro lembrou que foi aprovada recentemente uma resolução no Conama, que reduz o teor de enxofre no diesel para 10 partes por milhão. A entrada em vigor, porém, será a partir de 2011.

“Aí, sim, a gente vai ter o mesmo nível da Europa. Acho uma péssima ideia liberar o diesel para os carros. Ainda por cima, nosso diesel, que não está no padrão dos outros países, que tem maior poluição de enxofre por parte”

19 Setembro, 2009

Presidente Lula aceita incluir REDD na pauta do clima

Dal Marcondes, Envolverde

"Uma Força Tarefa com nove governadores da Amazônia se reuniu na última quinta-feira, em Brasília, com o presidente Lula para discutir a inclusão dos mecanismos de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). Estavam presentes conco ministros e os principais negociadores brasileiros que vão a Copenhague, para a COP 15, em dezembro próximo, quando serão decididos os mecanismos e metas que deverão substituir o Protocolo de Quioto, assinado em 1997.

A reunião em Brasília foi o ponto alto de uma articulação de nove governadores da Amazônia, apoiados por suas secretarias de meio ambiente e secretariados pelo ex-secretário de meio ambiente do Amazonas, Virgílio Viana, atual diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável. A posição oficial do governo brasileiro vem sendo contrária à inclusão de florestas em mecanismos de compensação de emissões de carbono para os países industrializados (anexo1 do Protocolo do Quioto), principalmente por não querer levar para a mesa a incapacidade do de controlar o desmatamento na região amazônica. No entanto, os governadores da Amazônia, liderados principalmente por Blairo Maggi, do Mato Grosso, e Eduardo Braga, do Amazonas, ao que parece, conseguiram mostrar que mecanismos de valoração das florestas em pé são fundamentais nos programas de controle ao desmatamento e estímulo ao desenvolvimento loval com base em uma economia florestal.

Segundo Virgílio Viana, que esteve presente ao encontro, as teses dos governadores foram muito bem recebidas, e o governo brasileiro deve construir uma política de defesa dos mecanismos de REDD para a COP 15. “Deve ser feito um esforço para adequar as teses já incorporadas pelos negociadores do Itamaraty a esta nova realidade”, explica. Ele acredita que os mecanismos de REDD que serão aceitos devem incluir projetos nacionais, como o Fundo Amazonia, atualmente administrado pelo BNDES, e projetos subnacionais, como o Bolsa Floresta, que é administrado pela Fundação Amazonas Sustentável. Deverão ser contemplados mecanismos que permitam o REDD com compensação de emissões de carbono dos países do Anexo 1 e, também, um fortalecimento dos mecanismos de financiamento de mercado sem compesação.”
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18 Setembro, 2009

Por que temos que ingerir mais venenos?

Mais uma vez, aumenta-se o nível de resíduo para se liberar o glifosato, agora para uso no milho transgênico

Reinaldo Onofre Skalisz, Brasil de Fato

Primeiro, foi o aumento em 50 vezes da quantidade de resíduo de glifosato, que pode permanecer nos grãos de soja, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esta decisão foi tomada para ser liberado no Brasil o plantio e o consumo
da soja transgênica.

Na soja não-transgênica (convencional) só era permitida a quantidade de 0,2 mg/kg de glifosato, mas dificilmente era encontrado o resíduo deste veneno, pois o uso do mesmo na soja convencional é feito antes do plantio, portanto, não entra em contato
com a planta, como também o produto não é absorvido pelas raízes.

Mas, com a introdução da soja transgênica, a Anvisa aumentou para 10mg/kg a quantidade de glifosato, que pode permanecer nos grãos, pois este agrotóxico é utilizado para exterminar as plantas daninhas até 56 dias antes da colheita. Quando é utilizado o agrotóxico atinge também as folhas da soja e é absorvido, passando a circular no interior da planta, chegando também aos grãos.

Em análises laboratoriais, constatou-se que mais de 60% das amostras de soja transgênica apresentaram resíduos de glifosato, dentro dos limites estabelecidos pela Anvisa. Em algumas amostras, a presença desse agrotóxico apresentou-se acima do permitido. Na soja convencional, isto não acontece.

A Anvisa publicou no Diário Oficial da União, no dia 29 de julho de 2009, uma Consulta Pública, ficando aberto o prazo de 30 dias para que sejam apresentadas críticas e sugestões relativas à proposta de aumentar a quantidade máxima de resíduo de glifosato, de 0,1mg/kg para o milho convencional, hoje, para 1,0 mg/kg de milho transgênico e convencional.”
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Zoneamento da cana-de-açúcar protege biomas brasileiros

Danilo Macedo e Yara Aquino, Agência Brasil

“A proposta de zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, que está sendo lançada hoje (17) pelo governo federal, proíbe a construção de novas usinas e a expansão do plantio em qualquer área da Amazônia, do Pantanal, da Bacia do Alto Paraguai ou em vegetação nativa de outros biomas. O projeto ainda será encaminhado ao Congresso Nacional.

Essas áreas, somadas àquelas onde o plantio já não é permitido, como as unidades de conservação e terras indígenas, fazem com que fique proibido o plantio da cana em 92,5% do território brasileiro.

As proibições previstas pelo zoneamento estabelece que estarão aptos ao plantio da cana-de-açúcar 64 milhões de hectares. Considerando os novos critérios, a expansão da cana-de-açúcar poderá ocorrer em 7,5% do território nacional. Atualmente, o cultivo de cana ocupa uma área de 8,89 milhões de hectares, o que representa menos de 1% do território nacional.

Na avaliação do governo, o zoneamento tornará a produção de etanol ainda mais eficiente, estimulando o comprovado benefício ambiental do uso do biocombustível produzido a com a cana-de-açúcar.

Já há a intenção do governo de chegar a 2017 com um aumento de quase 100% na produção de etanol em relação à produção atual, o que elevaria a área plantada para cerca de 1,7% do território do país. Dados da Agência Internacional de Energia mostram que o etanol de cana produz 90% menos gases de efeito estufa do que a gasolina.

Para atingir, plenamente, os objetivos apresentados no zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, o governo pretende permitir a produção apenas em áreas que não necessitem irrigação e possam ter mecanização, eliminando a prática de queimadas. Para isso, o presidente Lula assinou um decreto que orienta o Conselho Monetário Nacional a estabelecer novas condições, critérios e vedações para o crédito rural e agroindustrial.”

17 Setembro, 2009

Justiça do CE proíbe TV Globo de gravar cenas com animais em "No Limite"

Thaís Naldoni e Eduardo Neco, Portal IMPRENSA

“A exibição do programa "No Limite" pela TV Globo é envolto em diversas questões e ordens técnicas. Além do aparato tecnológico, questões ambientais têm de ler levadas em consideração pelo fato de o programa ser gravado na Praia de Flecheiras, em Trairi (CE), com a presença de animais silvestres.

Na intenção de proteger a fauna local, o Ministério Público do Estado propôs à TV Globo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que impedia a emissora de gravar e exibir provas que envolvessem animais de quaisquer espécies, bem como cenas que expusessem animais a maus tratos.

A TAC, no entanto, não foi assinada pela emissora, o que motivou o juiz Gustavo Henrique Cardozo Cavalcante, do Fórum de Trairi, a conceder liminar que impedisse tais gravações, em resposta a uma Ação Civil Pública, impetrada pelo MP-CE. Sendo assim, a TV Globo está proibida de gravar e veicular as cenas que exponham animais a maus tratos em "No Limite", sob pena de multa diária de R$ 50 mil "para o caso de descumprimento desta ordem, por cada programa exibido em desobediência à determinação judicial".

Em sua decisão, Cavalcante intima o diretor da atração, José Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho, para que a determinação seja cumprida.

Procurada pela reportagem de IMPRENSA, a Central Globo de Comunicação confirmou que a emissora foi intimada na última terça-feira (15) a respeito da condenação e que ainda não decidiu se irá recorrer.”

Sequestro de carbono chega à agricultura

Com técnicas como o plantio direto, agricultores podem retirar gás carbônico da atmosfera e até lucrar com a venda de crédito de carbono

Andrea Vialli, O Estado de São Paulo

O manejo correto do solo na agricultura pode ajudar o setor de agronegócio a sequestrar carbono da atmosfera e reverter a imagem de que a atividade traz danos ao ambiente e aumenta o aquecimento global. Práticas agrícolas como o plantio direto, a rotação de culturas e a agricultura de precisão podem em breve credenciar o setor a vender créditos de carbono no mercado internacional.

"Os atuais 26 milhões de hectares de culturas que utilizam o plantio direto em todo o País são responsáveis pelo sequestro de pelo menos 13 milhões de toneladas de CO2 ao ano", afirma Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, professor do Departamento de Ciência do Solo da Esalq-USP e pesquisador das áreas de bioenergia e mudanças climáticas. Ele explica que o sistema de plantio direto, onde palha e resíduos vegetais são deixados no solo, ajuda a reter grande quantidade de gases estufa, como o carbono e o metano, na terra.

"Existe três vezes mais CO2 fixado no solo do que na atmosfera. Se o solo não for manejado de forma adequada, esse carbono é liberado e contribui para o aquecimento global" explica Cerri. As pesquisas nesse campo e mais de 40 artigos científicos publicados renderam ao professor, de 35 anos, a premiação na categoria Juventude do Prêmio Fundação Bunge (antigo Moinho Santista), que será entregue hoje, em São Paulo.

A agricultura responde hoje por cerca de 30% das emissões de poluentes do Brasil. "A agricultura tem sido apontada como uma vilã do meio ambiente, mas o fato é que existe tecnologia para minimizar o impacto ambiental das culturas. Basta que isso seja aplicado em maior extensão em todo o País", diz Cerri.”
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16 Setembro, 2009

Consumidor poderá se informar sobre emissão de gases poluentes de carros

“A partir de hoje (15) estarão disponíveis na internet informações sobre as emissões de gás carbônico e de outros poluentes por carros de passeio fabricados em 2008.

Agência Brasil

“Hoje um número relativamente pequeno de pessoas se guiaria exclusivamente por esse critério da poluição ou da emissão [para comprar um carro] mas eu acredito que esse número vai ser crescente”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Haverá dois indicadores para consulta de emissões de veículos. De acordo com Minc, a Nota Verde vai mostrar o quanto o carro emite de gases poluentes (monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio) - que interferem na saúde das pessoas. Já o Indicador de Gás Carbônico, chamado por Minc de Nota Vermelha, vai mostrar a emissão de gás carbônico por quilômetro rodado pelo carro. “Isso tem a ver com as mudanças climáticas e com o aquecimento global do planeta”, disse o ministro.

A Nota Verde varia de zero a 10. Quanto maior a nota de um carro, menor o seu índice de emissão.

Dos 258 registros de veículos (carros flex foram contados duas vezes), oito tiveram nota maior ou igual a 9. Apenas um carro teve nota menor que 5 (4,8). A nota mais alta foi 9,4. Os dados das emissões foram medidos em testes de produção e comparados aos valores máximos permitidos em legislação específica do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).”
Renato Araújo, ABr
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Twitter e Facebook não abalam hegemonia do Orkut no Brasil

Apesar de ter perdido terreno para o Twitter e o Facebook nos últimos meses, o Orkut continua sendo uma das redes sociais de maior sucesso dentre os internautas brasileiros. Com mais de 35 milhões de usuários, o Brasil representa 57% da audiência global do site. Com tamanha abrangência, a rede de relacionamentos ainda é um dos principais indicadores da popularidade do brasileiro na web.

Vermelho.org / UOL

Dono de cinco perfis lotados no Orkut, o jornalista Celso Cardoso tem a vantagem de carregar para a web a sua popularidade já conquistada anteriormente. Apresentador do programa Gazeta Esportiva e também cantor, Cardoso vê no Orkut uma boa maneira de dar atenção aos fãs. "Era avesso ao Orkut até ler algumas coisas sobre mim em algumas comunidades. Fiquei sensibilizado e percebi que a melhor maneira de retribuir o carinho era criando um perfil", conta.

Diferentemente de um usuário comum, o jornalista usa a rede como uma forma de divulgar seu trabalho em outras mídias, como o blog, Twitter e site oficial. Assim, seu perfil acabou ganhando um caráter muito mais profissional que pessoal, pois calcula ser amigo de apenas 10% dos seus contatos. "É comum ver pessoas nos shows que chegam até mim e falam: 'Recebi seu convite pelo Orkut'... 'Sou Fulano, sempre te escrevo...'. Muito legal!".
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Aldeia dos índios Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, é incendiada

Natasha Pitts, Adital

“Durante a noite de ontem (14), pessoas não identificadas, provavelmente a mando de fazendeiros do estado brasileiro do Mato Grosso do Sul, incendiaram 35 casas da aldeia Laranjeira Ñanderu, pertencentes aos índios Guarani Kaiowá. Na ocasião, os indígenas não estavam no local, pois desde o dia 11 de setembro uma ordem judicial os obrigou a sair da terra.

A aldeia Laranjeira Ñanderu fica próxima ao município de Rio Brilhante. Há quase dois anos os índios moravam no lugar e aguardavam a demarcação da terra, já que segundo eles, o território é tradicional dos Guaranis. A espera e a luta já duram anos, sem sucesso. No último dia 11, um mandado de reintegração de posse determinado pela Justiça expulsou os índios do pequeno pedaço de terra em que estavam vivendo.

Sem ter para onde ir, os mais de 130 indígenas, incluindo crianças e idosos, montaram acampamento à beira da BR-163. Deste local foi possível ver o fogo que destruiu as casas, os pertences e matou pequenos animais. Durante a noite, os causadores do incêndio continuaram a intimidar ainda mais os índios, vigiando a área queimada com carros e acendendo os faróis contra os barracos na beira da estrada.”
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Projeto de ‘Desenvolvimento Sustentável’ é incapaz de ancorar esquerda consistente

Rui Polly, Correio da Cidadania

"As informações, veiculadas pela mídia, sobre um eventual apoio do PSOL à candidatura de Marina Silva em 2010 não foram, até o momento, objeto de qualquer declaração oficial do partido. Mas a possibilidade de ocorrer tal aliança já vem suscitando um debate entre os militantes. É provável que muitos militantes vejam com simpatia essa hipótese, até mesmo em função de declarações de Heloisa Helena que está cada vez mais propensa a disputar o senado por Alagoas, em vez da presidência da República.

Há, além disso, a força da imagem de Marina Silva e sua biografia política que a projetou nacional e internacionalmente como ícone da causa ambiental. Não é por acaso que sua candidatura tem causado forte impacto no cenário político nacional, atraindo apoios importantes de ambientalistas, intelectuais, além de petistas desconfortáveis com a candidatura Dilma. Alavancada pela mídia, ela tem aparecido como o fato ‘novo’ na política nacional.

Mas a biografia política da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente não são suficientes para que sua candidatura possa ser considerada uma alternativa política a ser apoiada pelo PSOL. Queremos apresentar a nossa visão de que uma eventual decisão de apoiá-la em 2010 poderá significar a descaracterização da nossa identidade política e ideológica. Basicamente são dois os argumentos que nos levam a essa conclusão. Primeiro, consideramos que a filiação da senadora ao PV é, por si só, um impedimento a uma aliança política. Segundo, a política da senadora é inconsistente, contraditória e limitada, não oferece uma resposta às demandas imediatas e tampouco proporciona uma alternativa estratégica global.”
Foto: AE
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15 Setembro, 2009

Região Amazônica se mobiliza para a Semana Global em Defesa da Mãe Terra

“Em Outubro, todo o planeta se mobilizará, entre os dias 12 e 18, com realização de manifestações contra os modelos de mercado que exploram e destroem os bens naturais e a vida humana. Trata-se da ‘Semana de Mobilização Global em Defesa da Mãe Terra, contra a Mercantilização da Vida e pela Soberania Alimentar’. O evento será realizado em vários países que adotaram a agenda de atividades do Fórum Social Mundial.

No Brasil, muitos estados realizarão manifestações. A atuação mais forte será na região amazônica, envolvendo comunidades indígenas, quilombolas, trabalhadores (as) urbanos (as), agricultores familiares, povos ribeirinhos, extrativistas, sem-terras e coalizões por Justiça Ambiental. O território amazônico tem sido vítima ao longo dos anos de grandes projetos predatórios, com graves prejuízos às comunidades da região.

O ato une os povos dos nove países da Pan-Amazônia em luta pelos seus direitos por um território de justiça e liberdade e tem a finalidade de rever as estratégias de resistência contra a barbárie capitalista.

Nos estados que compõem a região amazônica haverá seminários, que discutirão, principalmente, a questão energética. Segundo Graça Costa, representante do Comitê organizador do Fórum Social Pan Amazônico, o modelo de desenvolvimento na Amazônia apresenta contradições. "A construção de hidrelétricas se contrapõe à vida dos povos originários da região que vivem às margens dos rios, como os indígenas, quilombolas e ribeirinhos", enfatiza Graça. A construção de novas hidrelétricas desaloja populações e destrói rios.”
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Marina Silva: um novo olhar sobre o Brasil

Digo eu com Victor Hugo: "Não há nada de mais poderoso no mundo do que uma idéia cujo tempo já chegou"

Leonardo Boff , Brasil de Fato

Erram os que pensam que a saída da senadora Marina Silva do PT obedece a propósitos oportunistas de uma eventual candidatura à Presidência da República. Marina Silva saiu porque possuía um outro olhar sobre o Brasil, sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo que identifica desenvolvimento com crescimento meramente material e com maior capacidade de consumo. O novo olhar, adequado à crescente consciência da humanidade e à altura da crise atual, exige uma equação diferente entre ecologia e economia, uma redefinição de nossa presença no planeta e um cuidado consciente sobre o nosso futuro comum. Para estas coisas a direção atual do PT é cega. Não apenas não vê. É que não tem olhos. O que é pior. Para aprofundar esta questão, valho-me de uma correspondência com o sociólogo de Juiz de Fora e Belo Horizonte, Pedro Ribeiro de Oliveira, um intelectual dos mais lúcidos que articula a academia com as lutas populares e as Cebs e que acaba de organizar um livro sobre "A consciência planetária e a religião"(Paulinas 2009). Escreve ele:

"Efetivamente, estamos numa encruzilhada histórica. A candidatura da Marina não faz mais do que deixá-la evidente. O sistema produtivista-consumista de mercado teima em sobreviver, alegando que somente ele é capaz de resolver o problema da fome e da miséria - quando, na verdade, é seu causador. Acontece que ele se impôs desde o século XVI como aquilo que a Humanidade produziu de melhor, ajudado pelo iluminismo e a revolução cultural do século XIX, que nos convenceram a todos da validade de seu dogma fundante: somos vocacionados para o progresso sem fim que a ciência, a técnica e o mercado proporcionam. Essa inércia ideológica que continua movendo o mundo se cruza, hoje, com um outro caminho, que é o da consciência planetária. É ainda uma trilha, mas uma trilha que vai em outra direção".

"Muitos pensadores e analistas descobriram a existência dessa trilha e chamaram a atenção do mundo para a necessidade de mudarmos a direção da nossa caminhada. Trocar o caminho do progresso sem fim, pelo caminho da harmonia planetária".

"Esta inflexão era a voz profética de alguns. Mas agora, ela já não clama mais no deserto e sim diante de um público que aumenta a cada dia. Aquela trilha já não aparece mais apenas como um caminho exclusivo de alguns ecologistas mas como um caminho viável para toda a humanidade. Diante dela, o paradigma do progresso sem fim desnuda sua fragilidade teórica e seu dogma antes inquestionável ameaça ruir. Nesse momento, reunem-se todas as forças para mantê-lo de pé, menos por meio de uma argumentação consistente do que pela repetição de que "não há alternativas" e que qualquer alternativa "é um sonho".
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14 Setembro, 2009

Diminuição de CO2 é ligada à formação do gelo da Antártida

Pesquisadores também sustentaram modelos climáticos que ligam derretimento do gelo ao aumento desse gás

Reuters / O Estado de São Paulo

Uma equipe de cientistas estudando amostras de rochas na África mostrou uma forte ligação entre a queda nos níveis de dióxido de carbono e a formação das plataformas de gelo da Antártida, há 34 milhões de anos.

Esses resultados são os primeiros a fazer essa ligação, sustentando modelos de computador que previam a criação das coberturas de gelo quando os níveis de CO2 caem, e o derretimento desse gelo quando o nível de dióxido sobe.

A equipe das Universidades de Cardiff, Bristol e Texas passou semanas nas florestas da Tanzânia com uma guarda armada como proteção contra leões para extrair amostras de pequenos fósseis que poderiam revelar os níveis de CO2 na atmosfera há 34 milhões de anos.

Os níveis de dióxido de carbono, o principal gás estufa, caíram misteriosamente durante esse tempo em um evento chamado a transição climática Eoceno-Oligoceno.

"Essa foi a maior mudança climática desde a extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos", disse a co-autora Bridget Wade.”
Foto: Reuters
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Morre o ''pai da revolução verde''

Norman Borlaug foi Nobel da Paz

AFP / O Estado de São Paulo

O agrônomo americano Norman Borlaug, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1970, morreu de câncer anteontem, aos 95 anos, em Dallas. Borlaug criou na década de 60 novas técnicas agrícolas que ajudaram no combate à fome no mundo. A técnica lhe rendeu o apelido de "pai da revolução verde".

"Norman Borlaug foi o homem que mais salvou vidas na história da humanidade", disse Josette Sheeran, diretora do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas. O agrônomo desenvolveu variedades de trigo com maior rendimento e mais resistentes a doenças, que permitiram aumentar a produção agrícola na América Latina e Ásia.

Borlaug nasceu em 1914 em Iowa, nos Estados Unidos. Estudou na Universidade de Minnesota e trabalhou no Serviço Florestal dos EUA.”
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“A mobilização pela água é tudo”

Daniela Estrada, TERRAMÉRICA / Envolverde

"A água deve ser declarada “patrimônio comum” da humanidade, e a mineração e a agroindústria de exportação devem “retroceder”, disse ao Terramérica a canadense Maude Barlow, que há 20 anos pesquisa e denuncia a degradação e a privatização dos recursos hídricos. Barlow preside o Council of Canadians, a maior organização civil de seu país, e em 2005 recebeu o Right Livelihood Award, o prêmio Nobel alternativo. Com 16 livros escritos, hoje é assessora do presidente da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o nicaragüense Miguel d’Escoto.

O Terramérica conversou com ela no Chile, onde apresentou sua última obra, “O convênio azul: a crise global da água e a batalha futura pelo direito à água”.

TERRAMÉRICA: Qual a situação dos direitos da água no mundo?

MAUDE BARLOW: Esta é a questão mais contenciosa na discussão mundial sobre a água: se será mantida como um patrimônio da humanidade e um bem comum ou será convertida em uma mercadoria à qual se terá acesso por meio das regras do mercado. Este debate ocorre porque o mundo está ficando sem água. Caminhamos para um tempo onde dois terços da humanidade não terão acesso a ela. Há empresas, investidores e alguns governos que concordaram que o mercado decidirá sobre a disponibilidade de água. Isto apresenta três grandes problemas. O primeiro é que a água iria apenas para quem pudesse comprá-la, não necessariamente para quem necessitasse dela. O segundo é que, obviamente, não haveria nenhuma proteção da água para a reprodução da natureza. E o terceiro é que se criaria um desestímulo para proteger as fontes hídricas, porque, quanto mais escassa for a água limpa, mais alto será seu preço.

TERRAMÉRICA: Qual o grau de privatização da água atualmente?

MB: Ainda é muito pequeno, entre 10% e 15% dos sistemas mundiais de água potável e saneamento. Inclusive, existe um retrocesso porque muitos municípios estão recuperando sistemas públicos depois de tê-los privatizado. Nosso exemplo favorito é Paris, que esteve por quase dez anos sob um sistema privado e agora recuperou a água para a gestão pública. A outra forma de privatização é o engarrafamento. Essa é uma grande batalha em muitas comunidades do mundo. A última tendência é a privatização por meio de direitos: a água é considerada um direito de propriedade privada, vendida e comprada inclusive por intermediários (que cobram comissões no processo de comercialização). Também estão sendo criados bancos de água. O principal problema é que é gerada mais quantidade de direitos do que a água que existe fisicamente. Porém, felizmente, há pouquíssimos países que provaram este sistema. O Chile é um deles, e o mais extremista. Outros países que estão apenas começando são Espanha, Austrália e parte dos Estados Unidos e Canadá. Outro dos últimos extremos nesta tendência de mercado é que países ricos que não possuem muita água, como Japão, Arábia Saudita e alguns europeus, estão comprando terras em nações pobres apenas para ter acesso aos seus recursos hídricos. Começaram na África e agora se movem em direção à América Latina.”
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13 Setembro, 2009

Laranjeira Nhanderu: da sombra ao assombro

A vida e tristeza de mais um grupo Guarani Kaiowá expulso de seu território

Egon Heck, Brasil de Fato

Naquele dia agitado de final do ano de 2007, Farid e seu grupo Kaiowá Guarani decidiram retornar à um pedaço de seu território tradicional no município de Rio Brilhante. Já estavam acampados há quase dois anos, após serem expulsos, por jagunços, de um pedaço de suas terras na aldeia Lagoa Rica, município de Douradina.

Ficaram felizes quando ainda encontraram algumas árvores na beira do Rio Brilhante. Ali fizeram seus barracos. Mais tarde vieram mais famílias que foram recebidas com a alegre sombra da natureza. Começou a partir de então um longo período de espera. Cabia à Funai fazer a identificação e regularização da terra. O Ministério Público Federal, logo procedeu a um estudo preliminar, encontrando referências históricas e da expulsão dos índios deste local.

Lugar aprazível. Apesar da extrema carestia, do mínimo necessário para a sobrevivência, ali um pouco mais de uma centena de pessoas começavam um longo rosário de sofrimentos e esperança. Apesar de mortes por desassistência, atropelamento e mesmo suicídios diante das ameaças de expulsão, nada abalou a confiança e a certeza do grupo: essa terra é nossa e nela queremos viver e ser enterrados como nossos antepassados.

Os dias foram passando e as ações e decisões judiciais se multiplicando. A cada pequena vitória uma celebração da vida. O espaço que efetivamente ocupam não passa de um hectare. Procuraram não ultrapassar os limites para não dar pretexto a pretensos proprietários.Em frente aos barracos apenas um pequeno pátio e um campinho de futebol. O espaço dos rituais ficou entre as árvores. No portão à beira da estrada um grupo de seguranças, bem armados, impediam a entrada de qualquer pessoa. Os índios tinham que varar através das lavouras uns mil e quinhentos metros até a estrada. Ali existe um acampamento dos sem terra. Com eles fizeram amizade e eram acolhidos nos barracos. Tinha até um ponto de reunião no barraco de dona Gloria. Tinha também algum barraco dos indígenas. Ali receberam dezenas de delegações nacionais e internacionais que vinham conhecer essa dura realidade. Colocavam os visitantes na garupa da bicicleta e os transportavam até o local da moradia. Vários representantes da imprensa também assim chegaram até lá. Dava gosto de ver aquele desfile de bicicletas transitando em meio ao milharal.”
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Brasil devolve última parte de lixo importado da Inglaterra

Portal Terra

"A última parte da carga de lixo exportada ilegalmente pela Inglaterra para o Brasil foi embarcada de volta para o país europeu às 10h da manhã deste sábado no Rio Grande do Sul. Ao todo, foram embarcados 10 contêineres com um total de 225 t. A carga deve chegar ao destino em duas semanas. As informações são da Globo News.

A maior parte do lixo, cerca de 1,5 mil t, já foi devolvida e chegou ao Reino Unido no último dia 21. No entanto, alguns contêineres haviam sido abertos e despejados no Porto Seco de Caxias do Sul e não foram embarcados na primeira remessa.”
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12 Setembro, 2009

Corredores gravitacionais podem baratear viagens espaciais

Corredores formados pelas forças gravitacionais entre planetas e outros astros podem baratear o custo de viagens espaciais, afirmou o físico Shane Ross, da Universidade Virginia Tech, dos Estados Unidos, durante o Festival de Ciências Britânico.

BBC Brasil

Segundo Ross, os corredores gravitacionais funcionam como “correntes marinhas”, pemitindo às naves espaciais “surfar” pelo espaço gastando pouco ou nenhum combustível.

Cientistas americanos agora tentam mapear esses corredores no espaço. De acordo com Ross, esta técnica poderia ser particularmente útil para explorar luas em órbita em torno de planetas.

Os chamados tubos gravitacionais conectam os Pontos de Lagrange – pontos específicos em que forças gravitacionais e órbitas de astros se contrabalançam no espaço.

“Basicamente, a ideia é de que há caminhos com baixo nível de energia ligando planetas e luas, o que iria diminuir drasticamente a necessidade de combustível”, disse Ross.

“Seriam caminhos de ‘queda livre’ no espaço, em torno e entre corpos gravitacionais. Em vez de simplesmente cair, como na Terra, você cai por esses ‘tubos’. Cada um deles começa estreito e pequeno e, a medida que se afasta, se amplia e, às vezes, se divide.”
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11 Setembro, 2009

Marcha em defesa do Cerrado ocupa frente do Congresso em Brasília no Dia do Cerrado

Foto: Elton Bomfim, Agência Câmara

Mato Grosso concentra municípios que mais desmataram o Cerrado em seis anos

Luana Lourenço, Agência Brasil

“Mato Grosso é o estado com maior número de municípios na lista dos que mais desmataram o Cerrado entre 2002 e 2008, divulgada hoje (10) pelo Ministério do Meio Ambiente. Dos 60 municípios que, juntos, foram responsáveis por um terço da devastação no período, 14 são matogrossenses.

O desmatamento no bioma já atingiu 48,2% da cobertura original – quase um milhão de quilômetros quadrados. A média é de 1% de vegetação nativa a menos por ano.

Apesar da maioria matogrossense, quatro municípios baianos lideram a lista: Formosa de Rio Preto, São Desidério, Jaborandi e Correntina, na região oeste do estado. “É um dos arcos do desmatamento no Cerrado”, apontou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. A região central de Mato Grosso também é considerada crítica, com base nos dados de 2002 e 2008.

Em todo o bioma, a expansão das lavouras de cana-de-açúcar, da soja, da pecuária, da produção de carvão e as queimadas (naturais ou provocadas) são os principais vetores de desmatamento.

Os municípios listados pelo ministério serão alvo de ações prioritárias do governo, como já acontece nas cidades que mais desmataram na Amazônia Legal. Entre as medidas, que integram o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento do Cerrado (PPCerrado), estão a previsão de aumento das operações de fiscalização e controle e a oferta de alternativas econômicas para as pessoas que se beneficiam do desmate ilegal.

“O peso das medidas econômicas vai ser muito maior [que o da repressão]. O 'direito de derrubar' é muito maior que na Amazônia [onde a reserva legal é menor]”, comentou Minc.

Além de frear o desmate, o governo quer aumentar o percentual de áreas de preservação no Cerrado. Atualmente, a soma de unidades de conservação federais e estaduais corresponde a 7,5% da área total do bioma. A meta, assumida inclusive internacionalmente no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica, é chegar a 10%.”

Marina Silva: “desenvolvimento sustentável não está na agenda de nenhum partido”

Leandro Kleber, Contas Abertas

"A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, agora senadora pelo PV e possível candidata à presidência da República pelo partido, afirmou que, “infelizmente, o desenvolvimento sustentável não está na agenda de nenhum partido político”. Procurada pelo Contas Abertas para comentar a respeito das suas emendas parlamentares – 59% dos R$ 10 milhões apresentados este ano estão relacionados a projetos na área ambiental – a senadora afirmou que o desenvolvimento sustentável deveria fazer parte da agenda de “todos” os partidos.

“Temos o desafio de fazer com que a questão ambiental aloje-se no coração dos governos e do conjunto da sociedade. Sem isso, não seremos capazes de resolver a seguinte equação: desenvolver preservando os recursos naturais para que as pessoas continuem a melhorar sua qualidade de vida, inclusive as gerações futuras. Este é o desafio que está posto para este século”, disse, referindo-se à importância da bandeira do meio ambiente nos cenários político e social.

Por meio das emendas parlamentares elaboradas para o orçamento, mecanismo a que tem direito deputados e senadores, a ex-ministra destina parte significativa dos recursos para projetos voltados ao desenvolvimento sustentável e ao meio ambiente – suas principais bandeiras. Dos R$ 10 milhões apresentados no orçamento deste ano, R$ 5,9 milhões são relativos a ações ligadas à recuperação de áreas degradadas, manejo de resíduos sólidos, proteção de povos indígenas e incentivo à educação ambiental.”
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10 Setembro, 2009

Campanha: “Quero um Brasil Igualzinho a São Paulo”

Saldo socioambiental coloca agrocombustíveis na berlinda

Thaís Brianezi, Repórter Brasil / Envolverde

Para aumentar as exportações do etanol de cana-de-açúcar e biodiesel, usinas brasileiras precisam provar os benefícios socioambientais da produção junto aos compradores internacionais. Apesar do marketing, não está fácil.

O setor de transporte é responsável por cerca de 25% das emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2), de acordo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O dado explica a influência das fontes de energia no debate ambiental e revela também porque a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criou um Grupo de Trabalho (GT) para acompanhar as negociações internacionais preparatórias à 15ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-15), que acontecerá em dezembro, em Copenhagen, na Dinamarca.

"Se os países desenvolvidos assumirem metas maiores de redução na emissão dos gases de efeito estufa, isso pode significar maior demanda internacional pelo biodiesel e, principalmente, pelo etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil", avaliou Rodrigo Lima, gerente-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Ícone), organização não-governamental (ONG) criada em 2006 por associações do agronegócio.

Conquistar o mercado externo é o principal anseio das 65 usinas de biodiesel existentes no país. As exportações dessa produção atualmente ainda são insignificantes. Uma lei nacional - que exige a mistura obrigatória de 4% de biodiesel ao óleo diesel - gera uma demanda interna de cerca de 1,8 bilhão de litros de biodiesel por ano. A capacidade de produção instalada das usinas é bem superior: 3,8 bilhões de litros por ano. "O governo federal está outorgando licenças para produção de biodiesel sem levar em consideração a demanda atual pelo produto", reclamou Roberto Engels, diretor-executivo da usina Biocapital, localizada em Charqueada (SP).

No caso do combustível de cana-de-açúcar, o mercado interno é mais promissor, mas também insuficiente. Dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelam que o etanol já é o principal combustível da matriz energética brasileira para carros leves.

No Brasil, os chamados automóveis flex-fuel representam 94,2% das vendas totais; no ano passado, foram licenciados no país 2.065.313 veículos que utilizam gasolina e etanol. O consumo nacional de etanol no primeiro semestre de 2009 foi de 10,7 bilhões de litros, 17,7% a mais que igual período do ano passado. O crescimento da produção de etanol na safra 2008-2009 em relação ao ano agrícola anterior, porém, foi maior: passou de 22,5 bilhões de litros para 27,5 bilhões de litros, ou seja, teve 22% de aumento.

As exportações brasileiras de etanol também estão crescendo (passaram de 3,6 milhões de litros para 4,7 milhões de litros no mesmo período), mas ainda respondem por apenas 0,017% das vendas totais. "Nosso principal desafio é quebrar as barreiras tarifárias e não-tarifárias que países desenvolvidos impuseram ao etanol", declarou Marcos Jank, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), durante o Ethanol Summit 2009, principal evento do setor sucroalcooleiro, realizado em junho, em São Paulo.

Guerra de números

No início de maio, a Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA, na sigla em inglês) divulgou estudos mostrando que entre os ditos biocombustíveis disponíveis no mercado, o etanol brasileiro é o mais eficiente na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEEs), o que o habilita a concorrer às cotas de combustíveis avançados previstas na lei norte-americana para combustíveis renováveis. Comparado às emissões de veículos movidos a gasolina, o etanol de cana-de-açúcar reduziria em média 44% a quantidade de GEEs lançados na atmosfera; já para o etanol de milho a diminuição seria de 16%. Esses índices levaram em conta os gases liberados em todo o ciclo de produção e uso do agrocombustível, desde a lavoura até a estrada.

Apesar do bom resultado, os produtores de etanol no Brasil ficaram insatisfeitos com a avaliação. O ponto mais polêmico do cálculo foi a inclusão do chamado uso indireto da terra: a estimativa do desmatamento ocorrido em função da migração da atividade agropecuária deslocada pelas plantações que servirão de matéria-prima ao biocombustível.”
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09 Setembro, 2009

Economia e vida: um encontro possível

Marina Silva, Terra Magazine

“Amanhã participarei de um evento que tem um significado muito especial: o lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, no Corcovado, no Rio de Janeiro.

Diferentemente das campanhas da fraternidade realizadas anualmente pela Igreja Católica, as campanhas ecumênicas são organizadas pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e acontecem uma vez a cada cinco anos. Esta será a terceira. A primeira foi realizada em 2000 e a segunda em 2005.

Desta vez o tema é Economia e Vida, tendo como base a radical frase de Jesus: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro", descrita no evangelho de Mateus, capítulo 6, versículo 24. O objetivo é mobilizar igrejas e a sociedade "a dar respostas concretas às necessidades básicas das pessoas e à salvaguarda da natureza, a partir da mudança de atitudes pessoais, comunitárias e sociais, fundamentadas em alternativas viáveis derivadas da visão de um mundo justo e solidário". Nessa frase, os organizadores não poderiam ter sido mais precisos para descrever as questões que estão em jogo quando falamos do sonho de um futuro melhor.

Ao nos unirmos para atingir esses objetivos, estamos também manifestando a opção por uma vida mais simples, menos gananciosa, consumista e individualista. Porém, para chegar lá, teremos que enfrentar desafios de alta complexidade, que implicam transformações sociais e culturais profundas. Pois o que temos hoje é uma completa inversão de valores, onde as pessoas valem menos do que as coisas e onde direitos humanos fundamentais, como à saúde, à educação, ao alimento, são tratados como mercadorias ao sabor das razões econômicas, do lucro.”
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Agência da ONU aumenta previsão de uso de energia nuclear

AIEA espera que a capacidade nuclear instalada no mundo aumente pelo menos 40% nas próximas duas décadas

O Estado de São Paulo / Reuters

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) elevou suas projeções para o uso de energia nuclear em 2030, com China, Japão, Índia e Coreia do Sul parecendo abraçar essa fonte energética com entusiasmo ainda maior.

A agência espera que a capacidade nuclear instalada no mundo aumente pelo menos 40% nas próximas duas décadas, chegando a cerca de 510 gigawatts. Em um cenário, essa capacidade pode até dobrar.
Essas projeções são 8% maiores que as estimativas feitas no ano passado para o mesmo período. Os países asiáticos, em particular, ajudaram a puxar o total para cima.

"A crise financeira que começou no fim de 2008 afetou as perspectivas de alguns projetos, mas seu impacto foi diferente em diferentes partes do mundo", diz nota da AIEA.

"Os fatores de médio e longo prazo que estimulam o aumento das expectativas para a energia nuclear não mudaram substancialmente".
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