“Temos público para qualquer produto, qualquer tipo de show, de dança, de esporte, de partido político. Temos público para seguir e aplaudir fenômenos, heróis, gênios, demagogos, mentirosos oficiais, aloprados, sanguessugas, corruptores e corrompidos, mas não temos opinião pública, ou seja, aquele consenso em torno dos grandes problemas nacionais que fazia os intelectuais “esclarecidos” se manifestarem, criticar, sugerir e protestar. Que fazia sindicatos e suas centrais (CUT, Força Sindical) e os estudantes e suas organizações, como a UNE (União Nacional dos Estudantes), saírem às ruas e enfrentarem o
establishment.
Jota Alves, AmálgamaHoje, se quisermos opinião, ponto-de-vista, crítica fundamentada, temos que viajar pela internet em busca de blogs, que estão substituindo os editoriais e os chamados artigos de fundo dos grandes jornais, cada vez menos lidos. Uma pequena e ilustrada parcela da população acessa os blogs, que ainda não formam opinião pública. A totalidade das massas é educada pela TV, que substituiu a Escola, a Igreja e o Exército como formadores morais e de opinião pública. E a TV brasileira não forma, não ensina e nem tem opinião. Mesmo sendo concessão pública, a nossa TV é um lucrativo negócio familiar ou de políticos que se perpetuam no poder exatamente porque comandam e ditam a informação, criam a “opinião pública” nacional, regional e local. As retransmissoras estaduais dos canais nacionais pertencem a políticos, seus familiares e laranjas. A opinião deles é a opinião dos patrões: prefeitos, governadores, deputados que pagam comerciais, que patrocinam programas e shows “sociais” e estão sempre de mãos dadas com o patrão maior, o poderoso chefão, o governo federal e suas estatais cheias de verbas publicitárias e mais o BNDES para socorrer as TVs em “dificuldades” - muitas das quais sonegam impostos e surrupiam a previdência social.
As TVs e seus noticiários criticam no micro e apóiam no macro. Criticam e até desbancam empregados, mas não os patrões.
Mostram-se independentes nos detalhes, mas se calam diante dos graves problemas nacionais. Raramente apontam culpados, como no caso da galopante destruição da floresta amazônica, que vai continuar, porque comandada ou acobertada por governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores, policiais e donos de retransmissoras de TV, jornais e rádios. É a ditadura da mídia oficializada.”
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