
Carolina Oms, Terra Magazine
“A Conferência do Clima da ONU está próxima do fim e o ambientalista Fabio Feldmann deu a Terra Magazine sua avaliação do evento. Para o ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o principal empecilho para uma evolução concreta das negociações foram os Estados Unidos:
- A falta de vontade política tem que ser atribuída fundamentalmente aos Estados Unidos, eles foram o "elefante na loja", um dos grandes problemas.
Apesar de otimista em relação à futuras negociações sobre mudanças climáticas, o ambientalista fundador da ONG SOS Mata Atlântica, diz ver os resultados da COP-15 como um "copo meio vazio":
- O lado positivo é que houve um compromisso político com a presença dos chefes de Estado, especialmente de Obama. O lado negativo é o que esse modelo de negociação é lento e não chegou ao que seria importante.
Ele acredita que a discussão ficou num "nível de abstração muito alto". "É ridículo ficar dois anos negociando e deixar tudo para as últimas 24 horas. É no mínimo irresponsável", critica.
Terra Magazine - Qual avaliação que o senhor faz da conferência?
Fabio Feldmann - Em primeiro lugar, o resultado surgiu no último minuto da última hora, que, aparentemente, se chegou a um acordo, muito embora até o momento ninguém tenha muitos detalhes de como será esse acordo. Nos discursos dos chefes de Estado, eu acho importante que tenham reconhecido a urgência, em termos de redução de emissão, e que tenham apresentado recursos. Mas ficou faltando os detalhes de como isso tudo será operado e, de certa maneira, isso foi deixado para o ano que vem.
Essa reunião mostrou que esse modelo de negociação tem que ser revisto. Foram dois anos de negociação mal sucedidos que se resolveram no último minuto, o compromisso político saiu, mas não saiu como isso será implementado... Isso eu acho difícil. Então eu olho o resultado da conferência como um copo meio vazio. O lado positivo é que houve um compromisso político com a presença dos chefes de Estado, especialmente de Obama. O lado negativo é que esse modelo de negociação é lento e não chegou ao que seria importante: a gente ter uma noção mais exata da nova arquitetura que deverá ser montada para operacionalizar o resultado.
Corre-se o risco desse ser um compromisso vazio?
É, por que você não sabe exatamente, mesmo eu que acompanho essas questões, se falou em recursos. Como serão gastos esses recursos? Qual o modelo de governança desse fundo que será criado? Como vão monitorá-lo? Ficou num nível de abstração muito alto. Em tese, tudo isso era pra ser definido nos últimos dois anos, desde que houve a COP de Bali, para que os chefes de Estado pudessem bater o martelo em cima disso.”
Foto: Reuters
Entrevista Completa, ::Aqui::


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