10 Dezembro, 2009

As questões da mudança climática na África

Tegegnework Gettu, Le Monde / UOL

“Desde 2008, os países da África intensificam seus esforços com a intenção de formar uma coalizão para as negociações em curso sobre a mudança climática. Agora, em Copenhague, eles se esforçam para enfatizar seu ponto de vista, suas preocupações e suas expectativas.

A África é muito vulnerável. As alterações climáticas comprometem as condições de vida das populações em um continente que já é vítima da pobreza, da degradação dos ecossistemas e dos problemas civis e sociais. Mais de 40% dos africanos vivem em pobreza extrema, e, entre eles, 70% vivem nas zonas rurais, sobrevivendo essencialmente da agricultura. As mudanças climáticas atingem os agricultores, desde o Sahel até as terras altas do Lesoto. Elas poderiam provocar o aparecimento de novas epidemias propagadas pelos mosquitos em países como o Quênia e Uganda. A frequência das tempestades e das inundações poderá causar a destruição da infraestrutura de base e de moradias em Madagascar, Moçambique e em diversas outras regiões costeiras.

Qualquer projeto de acordo global sobre as questões climáticas deve comportar disposições que favoreçam o desenvolvimento dos países africanos e outras regiões em desenvolvimento. Também é incontestável que o desenvolvimento econômico e humano do continente africano não pode mais ser baseado no modelo dos países já desenvolvidos, grandes emissores de gases causadores do efeito estufa.

Um acordo como este também deve permitir que se avalie a maneira como o próprio continente pode contribuir para a solução de seus problemas. A África não é a causa da mudança climática porque ela só produz 3,8% do total das emissões de gases do efeito estufa no mundo, e isso somente há muito pouco tempo. Ou seja, sua capacidade de participar da luta contra as mudanças climáticas geralmente é ignorada ou subestimada. Sua cobertura florestal, por exemplo, retém 20% do total do gás carbônico absorvido pelas árvores do mundo. Quanto aos solos férteis do continente, eles contêm uma parte igualmente elevada do CO2 mundial produzido pela agricultura.”
Tradução: Lana Lim
Matéria Completa, ::Aqui::

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