22 Novembro, 2009

Conversa fiada ambiental

Contra o aquecimento global, Hu e Obama ficam só em vagos objetivos

Sérgio Augusto, O Estado de S.Paulo

- Porque esperavam das conversas de Obama com o presidente chinês, Hu Jintao, muito mais do que eles podiam ou estavam dispostos a oferecer, os ambientalistas foram os que mais se decepcionaram com o encontro dos dois em Pequim, no início dessa semana. Eles tinham e têm muito o que conversar.

Responsáveis, juntos, pela emissão de 40% dos gases de efeito estufa, Estados Unidos e China são os maiores poluidores do planeta, os dois países que mais contribuem para o aquecimento global. Daí a expectativa geral de que os dois presidentes oferecessem algo além de vagos compromissos de combate às causas do aquecimento global, até porque só faltam 15 dias para o início da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU, em Copenhague.

"Cada país fará sua parte de acordo com sua capacidade", prometeu o presidente chinês. "Precisamos convocar o mundo para encontrarmos uma solução para o aquecimento global", exortou o presidente americano. Mera parolagem protocolar. No dia seguinte, a revista Nature Geoscience atualizaria os dados sobre as emissões de CO2: aumentaram 2% no ano passado. Se as providências recomendadas pelos mais confiáveis estudiosos do assunto não forem tomadas, esse índice poderá chegar a 39% em 2020.

Ainda em Pequim, mas já de olho na cúpula climática da ONU, Obama manifestou sua preferência por decisões que tenham "efeito operacional imediato", mas não sejam impositivas. Ou seja, medidas práticas, mas facultativas. Quase um oxímoro.

Mesmo operando de forma acanhada e com atraso (investiu o melhor do seu tempo na reforma do plano de saúde e discutindo as guerras no Iraque e Afeganistão), Obama parece agir com mais rapidez que o Congresso americano. A Câmara aprovou uma redução nas emissões de 17% (sobre os níveis de 2005), que o Senado pensa em ampliar para 20%, mas os 80% agendados para 2050 enfrentam tenaz resistência da oposição.

Os republicanos insistem que uma ação isolada dos Estados Unidos não resolverá o problema climático. Claro que não, mas ninguém duvida que até os relutantes e evasivos chineses se sensibilizariam com uma demonstração de firmeza da parte dos americanos.

Mas até agora, nada. Nem de Pequim, nem de Washington.”
Artigo Completo, ::Aqui::

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