12 Novembro, 2009

Clima: Seca afeta 90% do território argentino

Marcela Valente, da IPS / Envolverde

"Centenas de milhares de animais mortos, incêndios florestais, restrições drásticas ao consumo de água e enfrentamentos entre populações pelo acesso a este recurso fundamental são as faces mais dramáticas da persistente seca que afeta, em diferentes graus, 90% do território argentino. A localidade de tostado, na província de Santa Fé (leste do país), é um dos focos mais complicados. Nos últimos dois anos, as altas temperaturas e a falta de chuva provocaram um extermínio silencioso do gado e levou à bancarrota pequenos e médios produtores agropecuários.

“Em nossa região o regime habitual de chuvas está entre 800 e 900 milimietros por ano, mas em 2008 caiu para 344 mm e em 2009 não chegamos a 340m”, disse à IPS Felipe Brizuela, veterinário e presidente do Conselho Econômico Regional de Tostado. “Tínhamos 974 mil cabeças de gado somente no departamento de 9 de Julho, agora não chegamos a 500 mil. Temos uma represa muito precária e nos abastecemos do rio Salado”, mas a vizinha província de Santiago del Estero que controla o rio “cortou quase todo fornecimento e em 10 dias ficamos sem água”, acrescentou.

Santa Fé e Santiago del Estero têm um acordo pelo qual a segunda fornece aos departamentos da região noroeste da primeira três metros cúbicos por segundo de água do rio Salado através de um precário aqueduto. Mas nas últimas semanas, o fornecimento caiu pela metade. A restrição é porque em Santiago del Estero a água também escasseia, e se as autoridades aumentam o fornecimento para Santa Fé podem causar uma catástrofe entre os pequenos produtores que vivem de seus cultivos.

Para o intendente de Tostado, Enrique Fedele, a situação é dramática. Ele disse que foram perdidos dois terços do gado e o desemprego chegou a 50% da população economicamente ativa da região. O município declarou este mês “emergência social”. À falta de água soma-se um calor insuportável, com temperaturas que chegaram a 45 graus. “É duríssimo. Tinha cem cavalos e só me restam 15, perdi as vacas, os cabritos, os bodes”, contou à IPS Armando Bustos, produtor da região de Tostado. “Não penso em me matar porque gosto da vida, mas quatro produtores daqui já se suicidaram porque lhes restavam pouquíssimos animais”, assegurou.”
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