13 Outubro, 2009

Temperatura global pode aumentar quatro graus

Stephen Leahy, IPS / Envolverde

“A perspectiva de aumento de quatro graus centígrados na temperatura média da Terra no prazo de 50 anos é alarmante, mas não alarmista, segundo cientistas especialistas em clima. Há apenas 18 meses, ninguém se atrevia a imaginar a humanidade elevando a temperatura em mais de dois graus centígrados, mas as crescentes emissões de carbono e a incapacidade política de acordar novas reduções levam a ciência a considerar o que antes era impensável.

“Os dois graus centígrados já ficaram para trás”, disse Chris West, do Programa Britânico de Impactos Climáticos da Universidade de Oxford. “Os quatro graus são, definitivamente, possíveis. Este é o maior desafio de nossa historia”, acrescentou. Um aumento dessa magnitude significaria um mundo em que a temperatura aumentaria dois graus em algumas regiões e 12, ou mais, em outras, que se tornariam inabitáveis, segundo estudos apresentados há duas semanas na Conferência Internacional de Ciência Climática “Quatro Graus e Mais além”, realizada em Oxford.

Seria um mundo em que o nível domar elevaria entre um e dois metros até 2100, o que deixaria sem lar centenas de milhões de pessoas, e 12 metros nos próximos séculos, na medida em que se dissolvessem a camada de gelo da Groenlândia e do oceano Antártico ocidental. Quatro graus de aquecimento aumentariam a temperatura da Terra a níveis nunca antes alcançados nos últimos 30 milhões de anos. E isso aconteceria entre 2060 e 2070. “A realidade política deve aferrar-se à realidade física ou será completamente inútil”, disse na conferência John Schellnhuber, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisas sobre Impacto Climático.

Schellnhuber informou a funcionários do governo norte-americano os quais o advertiram que suas conclusões “não estão baseadas na realidade política” e que “o Senado nunca concordaria” com elas. O especialista calcula que os Estados Unidos deveriam reduzir a zero suas emissões de carbono das atuais 20 toneladas por habitante até 2020 se o que se deseja é ter, ao menos, a oportunidade de estabilizar o aumento da temperatura em torno dos dois graus centígrados. Com esse mesmo objetivo, as emissões da China deveriam chegar a um teto até 2020 e, em seguida, cair para zero até 2035, acrescentou.

Os representantes governamentais que acordaram na cúpula do Grupo dos 20 (realizada no mês passado em Pittsburgh- EUA) uma meta de aumento de dois graus centígrados “enganaram a si mesmos sobre as reduções de emissões que desejam”, afirmou Schellnhuber. Mesmo se a temperatura aumentar somente dois graus, se perderá a maioria dos arrecifes de coral, vastas áreas oceânicas se converterão em zona morta, será dissolvida grande parte dos glaciais montanhosos e outros ecossistemas estarão sob grave risco, acrescentou o especialista.”
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