Nicholas Bakalar, The New York Times“É provável que a epidemia de gripe de 1918 tenha sido a praga mais mortífera na história humana matando mais de 50 milhões de pessoas no mundo todo. Agora, parece que uma parte dessas mortes pode ter sido causada não pelo vírus, mas por uma droga usada em seu tratamento: aspirina.
Karen M. Starko, autora de um dos primeiros artigos conectando o uso de aspirina com a síndrome de Reye, publicou um artigo sugerindo que a overdose da "droga maravilhosa" relativamente nova pode ter sido mortífera.
O que gerou as suspeitas de Starko foi o uso de altas doses de aspirina para tratar a doença, em quantidades consideradas inseguras hoje. Além disso, os sintomas da overdose de aspirina podem ter sido difíceis de distinguir da gripe, especialmente entre os que morreram pouco depois de ficarem doentes.
Alguns questionamentos foram levantados mesmo na época. Ao menos um patologista que trabalhava no Serviço de Saúde Pública pensou que a quantidade de dano pulmonar vista durante as autópsias nas primeiras mortes era pequena demais para atribuir à pneumonia viral e que as grandes quantidades de líquido sangrento e aguado nos pulmões podem ter sido a causa.
Starko admitiu que não tinha relatórios de autópsia ou outros documentos que pudessem comprovar que a aspirina foi o problema. "Havia muito caos nesses lugares", disse ela, "E não tenho certeza de que existam registros confiáveis em alguma parte".
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