11 Outubro, 2009

Ambiente é a nova bandeira de famosos

Visibilidade de celebridades faz com que campanha alcance mais pessoas

Afra Balazina, O Estado de São Paulo

"The time has come" (o tempo chegou), diz a letra da canção Beds Are Burning, da banda australiana Midnight Oil. A música que originalmente tem a voz do cantor e atual ministro do Meio Ambiente da Austrália, Peter Garrett, agora é cantada por 60 celebridades - entre elas as cantoras Lily Allen e Fergie e os grupos Scorpions e Duran Duran. O objetivo é pedir ações urgentes no combate ao aquecimento global.

A iniciativa revela que o envolvimento de famosos em campanhas do clima começa a crescer globalmente. Mas há outros exemplos. Nas fotos da abertura da reunião do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) realizada em Nova York neste mês, notou-se rapidamente um estranho no ninho: o ator australiano Hugh Jackman, conhecido pelo papel de Wolverine, ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

O ator mexicano Gael García Bernal também rouba a cena em um vídeo da campanha TckTckTck, em que as pessoas simulam o ponteiro de um relógio - em alusão ao pouco tempo que resta para agir contra o aquecimento global. A conferência do clima da ONU em que será fechado o acordo com as novas metas de redução de emissão de gases-estufa ocorre em menos de dois meses, em Copenhague.

A top model gaúcha Gisele Bündchen também se engajou no tema ao se tornar, no fim do mês passado, em uma cerimônia em Nova York, embaixadora da boa-vontade pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

No Brasil, a tendência de engajamento de famosos na questão climática também é observada. A campanha TckTckTck ganhou versão em português, a TicTacTicTac, e conseguiu apoio de celebridades como o ator Cauã Reymond, o vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, e o skatista Bob Burnquist. Segundo Aron Belinky, coordenador executivo da campanha no Brasil, a ideia não é depender só de celebridades para passar uma mensagem, mas abranger pessoas de todos os tipos. "Nossa preocupação é não ser uma campanha de um grupo só, não ser uma coisa só para iniciados ou para os manifestantes de sempre." A campanha tem integrantes de ONGs, sindicatos e grupos religiosos, entre outros.”
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