28 Setembro, 2009

Acordo em Copenhague corre perigo

David Miliband, Folha de São Paulo / Envolverde

"O maior perigo de todos é o de, em meio a tantas prioridades, não nos darmos conta do problema antes que seja tarde demais.

Recordo-me de ter conhecido nos anos 1980 o grande cientista político Raymond Aron. Ele me falou do perigo que existe na política da "negligência benigna" -de as boas intenções serem invalidadas pela ausência de foco. É esse o perigo que enfrentamos hoje no que diz respeito às mudanças climáticas.

Na cúpula da ONU em Copenhague serão tomadas decisões que vão determinar o futuro do planeta. Mas a possibilidade de chegar a um acordo corre perigo -e o maior perigo de todos é o de, em meio a tantas prioridades que competem por nossa atenção, não nos darmos conta do problema antes que seja tarde demais.

Para fazer a balança pender no sentido contrário, o Reino Unido lançou na semana passada nova iniciativa diplomática com colegas europeus.

Trabalhamos em quatro frentes. Para começar, as mudanças climáticas precisam ser tiradas da caixa intitulada "meio ambiente". Um pacto para enfrentar as mudanças climáticas é não só desejável mas também imperativo para garantir a segurança nacional e a recuperação econômica sustentada no médio prazo.

Os altos preços do petróleo e dos alimentos foram um dos gatilhos da crise econômica atual, incrementando os desequilíbrios financeiros globais e provocando a elevação das taxas de juros. O arrocho dos recursos é o segundo pai da crise, lado a lado com o arrocho do crédito.

As mudanças climáticas resultarão em migrações em massa, secas e falta de água, provocando tensões e conflitos nacionais e internacionais. O aquecimento global hoje não está na agenda do Conselho de Segurança da ONU, mas estará no futuro se não aprendermos a viver sem carbono.

Em segundo lugar, precisamos de um pacto que seja condizente com a vida em um mundo no qual as temperaturas não terão subido mais de dois graus. Negociações diplomáticas envolvem concessões, mas não devemos fazer concessões quanto ao que ambicionamos para o planeta. Cientistas avisam que os efeitos de uma elevação de temperatura de mais de dois graus sobre o planeta seriam catastróficos.

Em terceiro lugar, o maior empecilho a um pacto diz respeito a encontrar uma distribuição justa da responsabilidade entre os países desenvolvidos e os que estão em desenvolvimento. O mundo rico carrega a responsabilidade histórica pelo problema, e suas emissões per capita atuais são muito maiores. Mas o mundo em desenvolvimento será responsável pela maior parte do aumento das emissões no futuro e carregará os custos maiores das mudanças climáticas.

O mundo desenvolvido precisa promover reduções ambiciosas em suas emissões, da ordem de 25% a 40% até 2020. E precisa fornecer recursos financeiros e tecnológicos.

Em troca, não se pode esperar que, em seus níveis atuais de desenvolvimento, os países pobres reduzam seus níveis globais de emissões, mas eles devem assumir compromissos no sentido de efetuar modificações verificáveis em seu perfil de emissões, em relação ao crescimento usual com alto índice de emissões de carbono.”
Artigo Completo, ::Aqui::

0 comentários:

Faça rentável seu site/blog! Confira o Smowtion!