“Novo Plano Diretor atinge Marapendi e Grumari; governo alega combate à favelização e ecologistas têm ressalvas
Felipe Werneck, O Estado de São Paulo
Prefeitura do Rio estuda uma mudança na legislação que poderá permitir a construção de até 11 eco resorts em áreas de proteção ambiental na orla da zona oeste. Os terrenos são privados, cada resort teria 200 suítes e os lotes seriam vendidos separadamente, para financiar a construção, o que hoje não é permitido. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) relaciona o projeto à necessidade de vagas na rede hoteleira para a realização da Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016, que o Rio ainda disputa.
"Trata-se de uma área controlada que merece todo o cuidado, mas temos de levar algum tipo de situação econômica para dar sustentabilidade, senão o proprietário abandona", argumentou o secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias. Segundo ele, o empreendimento começaria na Área de Proteção Ambiental (APA) da Restinga de Marapendi e poderia ser estendido, caso haja interessados, até a APA de Grumari, um dos últimos refúgios de restinga do Rio. Para Dias, o projeto teria o efeito de inibir a eventual favelização dos terrenos. "Queremos trazer os melhores operadores (de resorts) brasileiros e internacionais."
Responsável pela lei que criou a APA de Marapendi, em 1992, o vereador Alfredo Sirkis (PV), ex-secretário municipal de Meio Ambiente e de Urbanismo, desconfia do modelo em estudo. "A construção do jeito que eles prometem já é viável. Além disso, o projeto ecoturístico não seria solução para responder à demanda por vagas na rede hoteleira." Somados, os 11 eco resorts forneceriam 2.200 quartos. Mas o documento "Games of the XXXI Olimpiad 2016 Working Group Report" aponta a promessa de fornecer mais 21.394 quartos. O relatório foi preparado pelo IOC Candidatura Acceptance Working Group, grupo técnico que examinou as propostas de sete cidades para a Olimpíada, em 2008.”
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